Demografia e identidade do povo xipaya no médio Rio Xingu, PA

Orientador: Marta Maria do Amaral Azevedo

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2013
Main Author: Simoni, Alessandra Traldi, 1985-
Orientador/a: Azevedo, Marta Maria do Amaral, 1955-
Banca: Arruti, José Maurício Paiva Andion, Muller, Regina Aparecida polo
Format: Dissertação
Language:por
Published: [s.n.]
Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa: Programa de Pós-Graduação em Demografia
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Online Access:http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/279055
Citação:SIMONI, Alessandra Traldi. Demografia e identidade do povo xipaya no médio Rio Xingu, PA. 2013. 117 p. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/279055>. Acesso em: 22 ago. 2018.
Resumo Português:Resumo: O principal objetivo deste trabalho é analisar a relação entre identidade e demografia do povo xipaya que vive no médio curso do rio Xingu. Para proceder tal movimento analítico utiliza-se tanto a bibliografia sobre os grupos indígenas da região quanto à produção de dados sobre os mesmos, a fim de resgatar as descrições e os mecanismos dessa produção que a acompanha. Destaca-se que o povo xipaya, que compartilha com outros povos no Médio Xingu semelhante história bibliográfica, está presente nos primeiros relatos sobre a ocupação da área acima da Volta Grande do Xingu (trecho do rio que separa seu médio e baixo curso), e que por uma determinada leitura sobre a relação entre a sociedade indígena e não-indígena, particularmente a partir da expansão da ocupação da área decorrente do comércio da borracha, foi descrito como extinto por ser considerado "integrado" à sociedade regional. O que significava que este grupo foi percebido como um povo indígena que não mantinha uma ordem econômica, religiosa ou linguística independente do restante da população. No entanto, a partir da década de 1970, deu-se início a um movimento de ressurgimento étnico, por meio do qual houve o reconhecimento da etnia por parte do Estado e de seu direito a terra através da demarcação e homologação da Terra Indígena Xipaya. Atualmente a população xipaya encontra-se em três localidades no Pará: na cidade de Altamira, na Terra Indígena Xipaya e em comunidades ribeirinhas às margens dos rios Xingu e rio Iriri, sendo reconhecidos respectivamente como indígenas citadinos, aldeados e ribeirinhos. A fim de compreender os processos históricos e descritivos pelos quais a população xipaya passou, passa e como ela foi descrita e contabilizada no contexto das fontes históricas e demográficas sobre a região do Médio Xingu, traça-se no primeiro capítulo um panorama histórico e bibliográfico, acompanhando a ocupação da área desde as primeiras tentativas em ali estabelecer um aldeamento missionário até os recentes ciclos de expansão desenvolvimentista, dos quais a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte surge como importante marco. O segundo capítulo traz uma discussão sobre os dados populacionais mostrando-os em todas as suas fases (concepção, execução e recepção) enquanto produtos de disputas políticas e sociais para então apresentar de forma mais detida às dinâmicas da descrição do suposto desaparecimento do povo xipaya enquanto grupo indígena, seguido das dinâmicas descritivas de seu ressurgimento étnico, no contexto dos anos 1970 até a história recente. Por fim analisam-se especificamente os dados produzidos sobre a população xipaya e demais povos indígenas no Médio Xingu, apresentando as diferentes fontes e seus modos de produção
Resumo inglês:Abstract: The main objective of this work is to analyze the relationship between identity and demography of the xipaya people living in the middle course of the river Xingu. To carry out such analytical movement both the bibliography on the indigenous groups of the region and the production of data that accompanies it are used, in order to unveil the descriptions and the mechanisms of such production. It is worth noting that the xipaya people, who share with other indigenous peoples in the Middle Xingu a similar bibliographical trajectory, is present in the first reports on the occupation of the area above the Volta Grande do Xingu (stretch of the river that separates its middle and lower course), and that due to a particular reading on the relationship between indigenous and non-indigenous societies, specially caused by the expansion of the occupation of the area resulting from the rubber trade, has been described as extinct for being "integrated" to the regional society. Which meant that this group was perceived as an indigenous people who were not economically, religiously or linguistically independent of the regional population? However, from the late 1970, through an ethnic resurgence movement, the Brazilian State recognized the Xipaya as an indigenous group and its right to land through the demarcation of the Xipaya indigenous land. The xipaya population currently lives in three localities in Pará: in the city of Altamira, on their indigenous land and on riverside communities on the banks of the rivers Xingu and Iriri. They are thus recognized as indigenous groups who live in the city (citadinos), indigenous groups that live in communities in their land (aldeados) and indigenous groups that live alongside the rivers (ribeirinhos). Therefore, to understand the historical and descriptive processes by which the xipaya population passed, passes, and how it was described and accounted for in the context of demographic and historical sources on the Xingu region, a historical and bibliographical view is presented in the first chapter, following the occupation of the area from the first attempts to establish a missionary village up to recent expansion development cycles, of which the construction of the Belo Monte hydroelectric power plant emerges as an important milestone. In the second chapter, population data are presented in all its phases (design, implementation and reception) as political and social disputes, and from that discussion the description dynamics of the alleged disappearance of xipaya indigenous group is analyzed, followed by the study of the descriptive dynamics of their ethnic resurgence, in the context of the 1970's and of recent history. Finally, in the third chapter, the data produced on the population xipaya and other indigenous peoples in the Middle Xingu is specifically studied, showing the different sources and their production