Quando feminismos e Estado se encontram (?) : Brasil e Chile no 'ciclo progressista'  

Orientadores: Marcia de Paula Leite, Sonia Elena Alvarez

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2019
Main Author: De Fina Gonzalez, Débora, 1985-
Orientador/a: Leite, Márcia de Paula, 1948-
Banca: Motta, Daniele Cordeiro, França, Isadora Lins, Delgado, Maria do Carmo Godinho
Format: Tese
Language:por
Published: [s.n.]
Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Online Access:http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/335180
Citação:DE FINA GONZALEZ, Débora,. Quando feminismos e Estado se encontram (?): Brasil e Chile no 'ciclo progressista'  . 2019. 1 recurso online (191 p.). Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP.
Resumo Português:Resumo: No início dos anos 2000, a América Latina vivencia um período conhecido como `onda rosa¿ (pink tide), `giro à esquerda¿ (left turn) ou `ciclo progressista¿, no qual diversos países passam a ser presididos por governos de esquerda ou centro-esquerda, configurando novos cenários para as relações entre sociedade civil e Estado. A instauração de governos `progressistas¿ na região foi um fator fundamental para a expansão de mecanismos institucionais de políticas para as mulheres e o aprofundamento das interações entre feminismos e Estados em muitos países, intensificando assim as possibilidades de absorção das demandas feministas pelos governos nacionais. Tanto no Brasil como no Chile, a chegada de governos de centro-esquerda à presidência promoveu o fortalecimento de medidas e arenas institucionais em direção à garantia e ampliação de direitos para as mulheres, provocando alterações relevantes nas estruturas estatais e nas relações entre feminismos e Estados. Estes caminhos, porém, foram trilhados por vias distintas, apresentando similitudes, características específicas e resultados diversos. A partir do desenvolvimento de uma análise comparativa entre Brasil e Chile durante as duas primeiras décadas do século XXI, esta tese tem como objetivo central analisar em que medida o `ciclo progressista¿ latino-americano constituiu-se em uma oportunidade política para aproximar ou promover encontros entre feminismos e Estados, avançar na garantia de direitos para as mulheres e impulsionar uma maior igualdade de gênero a partir das arenas institucionais nestes contextos. A aproximação e contraste entre as experiências nos leva à caracterização de dois modelos distintos de fazer políticas para as mulheres a nível nacional e fornece algumas pistas para a reflexão sobre seus processos, resultados, consequências e possibilidades sociopolíticas. No Brasil, mediante o desenvolvimento de amplos processos participativos, impulsionados pelos governos do Partido dos Trabalhadores, uma agenda alinhada às demandas feministas logra ser introduzida no âmbito estatal, produzindo propostas e planos de políticas para as mulheres condizentes com demandas e reivindicações dos movimentos sociais. Entretanto, apresenta dificuldades na articulação com outros setores do Estado e, por conseguinte, em sua implementação. No Chile, especialmente a partir dos governos de Michelle Bachelet, uma agenda de gênero é produzida como programa de governo, inserida em uma agenda global de modernização e desenvolvimento, claramente desvinculada das reivindicações dos movimentos sociais locais. Porém, em seus limites, encontra caminhos e ferramentas institucionais para ser implementada. Tendo em vista o contexto político contemporâneo, a análise pretende considerar não somente as práticas e discursos feministas no âmbito da política formal e nas arenas estatais senão que, seguindo os próprios fluxos do campo feminista, transitar entre estas fronteiras, discursos e práticas, na tentativa de abordar e refletir sobre o tema proposto em seu passado, presente e futuro. O fim do chamado `ciclo progressista¿ na região e as novas realidades em ambos países representam uma oportunidade para analisar estes processos
Resumo inglês:Abstract: In the early 2000s, Latin America experiences a period known as pink-tide, left turn or progressive cycle, in which several countries become governed by left-wing or center-left parties, setting new scenarios for the relations between civil society and the State. The establishment of 'progressive' governments in the region was a key factor to the expansion of women¿s policies agencies and the deepening of the interactions between feminisms and States in many countries, thus enhancing the possibilities for national governments to incorporate feminist demands. In both Brazil and Chile, the arrival of center-left governments into the presidency promoted the strengthening of institutional measures and arenas towards the guarantee and to expand the women¿s rights, producing relevant changes in the state structures and in the relations between feminisms and States. These paths, however, were traced by different ways, presenting similarities, specific characteristics and diverse results. Through a comparative approach between the experiences of Brazil and Chile during the first two decades of the 21st century, the thesis aims to analyze the extent to which the Latin American 'progressive cycle' has constituted a political opportunity to promote encounters between feminisms and States, to advance in ensure women¿s rights and to promote gender equality. The comparative approach between Latin American experiences leads us to the characterization of two distinct models of making policies for women at the national level and provides some analytical insights about their processes, results, consequences and socio-political possibilities. In Brazil, through the development of broad participatory processes, driven by the governments of the Partido dos Trabalhadores, an agenda aligned with feminist demands could be introduced at the state national level, producing proposals and policy plans for women consistent with the demands of social movements. However, it presented difficulties in the articulation with other sectors of the State and, therefore, in its implementation. In Chile, especially from the Michelle Bachelet¿s governments, a gender agenda was established as a government program, set in a global agenda of modernization and development, clearly detached from the claims of local social movements. However, within its limits, it founds channels and institutional tools to be implemented. Considering the contemporary political context, the analysis considers not only feminist practices and discourses within the framework of formal politics and State arenas but, following the very flows of the feminist field, to move between these frontiers, discourses and practices, in an attempt to approach and reflect on the theme proposed considering its past, present and future. The end of the so-called 'progressive cycle' in the region and the new realities in both countries represent an opportunity to analyze these processes