Avaliação ex vivo da ploliferação espontânea em PBMC de indivíduos infectados pelo HTLV-1 por citometria em fluxo

O vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1 (HTLV-1) infecta cerca de 2% da população de Salvador-Bahia. O HTLV-l é o agente etiológico da ATLL, HAM/TSP e uveíte. Este vírus também está relacionado a outras doenças inflamatórias como artrites, dermatites infectivas, polimiosites, alveolites...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2010
Main Author: Pinto, Ana Lorena
Orientador/a: Grassi, Maria Fernanda Rios
Format: Dissertação
Language:por
Published: Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz
Online Access:https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/34946
Citação:PINTO, Ana Lorena. Avaliação ex vivo da ploliferação espontânea em PBMC de indivíduos infectados pelo HTLV-1 por citometria em fluxo. 2010. 46 f. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa) - Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz, Salvador, 2010.
Resumo Português:O vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1 (HTLV-1) infecta cerca de 2% da população de Salvador-Bahia. O HTLV-l é o agente etiológico da ATLL, HAM/TSP e uveíte. Este vírus também está relacionado a outras doenças inflamatórias como artrites, dermatites infectivas, polimiosites, alveolites e Síndrome de Sjógren. Uma das características imunológicas mais marcantes da infecção pelo HTLV-1 é a proliferação espontânea dos linfócitos T induzida por proteínas transativadoras virais, como Tax e HBZ. O papel da proliferação na patogênese da infecção não é conhecido, porém alguns trabalhos indicam que sua intensidade é maior nos pacientes com HAM/TSP, além disso pode ser responsável pela manutenção da carga proviral do HTLV-1, uma vez que o vírus se replica por divisão da célula infectada. A dinâmica da proliferação ex vivo não é muito conhecida, sendo normalmente avaliada por adição de 3[H]- Timidina às culturas, que possui várias desvantagens, entre as quais a toxicidade. Este é um estudo piloto que objetivou padronizar um método para avaliação da dinâmica da proliferação espontânea de linfócitos T utilizando o marcador CarhoxyFluorescein diacetate Succinimidyl Ester (CFSE), por citometria de fluxo. Além de quantificar os índices de proliferação celular de linfócitos T totais e das subpopulações linfocitárias T CD4+ e T CD8+, correlacionar proliferação celular com a carga proviral do HTLV-1 e a expressão da proteína viral TAX. Para tal, PBMC de 30 pacientes infectados pelo HTLV-1 (16 assintomáticos e 14 HAM/TSP) foram cultivados por 24, 48, 72, 96 e 120 horas, em presença de CFSE. As células foram adquiridas em citometro de fluxo e os resultados analisados pelo programa FlowJo, através da porcentagem de células divididas e do índice de divisão celular. Observou-se proliferação em 66,7% dos indivíduos infectados pelo HTLV-l. A proliferação espontânea de PBMC foi superior no grupo de pacientes com HAM/TSP (porcentagem de células divididas: 79%, índice de divisão celular: 79%), comparada aos assintomáticos (porcentagem de células divididas: 50%, índice de divisão celular: 56,3%), porém essa diferença não foi significante A proliferação espontânea pode ser detectada nas primeiras 24 horas de cultura. A intensidade de proliferação é semelhante para as subpopulações de linfócitos T C04 e T C08, tanto em indivíduos assintomáticos como naqueles com HAM/TSP. Não houve correlação entre a carga proviral e a porcentagem de células divididas (r= -0,009; p= 0,9) e índice de divisão celular (r=0,1; p=0,5). A média de expressão de TAX em linfócitos TCD4+ foi de 2,4±2,4%. Houve correlação entre a expressão da proteína Tax e a porcentagem de células divididas (r=0,59; p =0,05) e o índice de divisão celular (r=0,60; p=0,05), porém sem signifícância estatística. No entanto, encontrou-se uma correlação positiva entre a porcentagem de células T CD4+ divididas e a expressão da proteína Tax (r=0,79; p<0,003), bem como entre o índice de divisão das células TCD4+ e a expressão da proteína Tax (r=0,75; p=O,008). Em conclusão, a avaliação da proliferação espontânea por citometria de fluxo, em culturas com CFSE avaliadas pelo programa FlowJo permite identiticar a proliferação celular nas 24 horas inicias da cultura e quantificar a proporção de linfócitos T CD4 e TCD8 que proliferam. Este método pode ser útil na avaliação de drogas que modulam a proliferação espontânea em PBMC de indivíduos infectados pelo HTLV-1.
Resumo inglês:Around 2% of the population of Salvador-Bahia are infected by the Human-T Lymphocyte virus type I (HTLV-1). This virus is the etiologic agent of ATLL, HAM/TSP and uveitis. It is also related to inflammatory illness like arthritis, infective dermatitis, polymyositis, alveolitis and Sjorgen syndrom. The spontaneous proliferation of T-lymphocytes induced by viral transactivating proteins like Tax and HBZ is one of the most outstanding immunological characteristics of the infection. The role of the proliferation in the pathogenesis is still unknown though some studies have shown that it is higher among HAM/TSP patients. Moreover, it could be responsible for the HTLV-1 remaining proviral load since the virus replicate through division of infected cell. The dynamics of the proliferation ex-vivo is not well known and is usually assessed by incorporating 3[H]-Thymidine to the cultures. This method has several disadvantages one of them being the 3[H]-Thymidine toxicity. This pilot study was aimed at the standardization of a method that assesses the dynamics of the spontaneous T-lymphocytes proliferation using flow cytometry and CarboxyFluorescein diacetate Succinimidyl Ester (CFSE) as a marker. Other objectives were to assess the rates of celular proliferation of both total T lymphocytes and CD4+ and T CD8+ subpopulations; to correlate the celular proliferation with the HTLV-1 viral load and the expression of the viral TAX protein. PBMCs of 30 HTLV-1 infected patients (16 assymptomatic and 14 HAM/TSP) were cultivated for 24, 48, 72, 96 and 120 hours in the presence of CFSE. Cells were obtained by flow cytometry and the results were analysed with the software Flowjo through the percentage of divided cells and the rate of celular division. Cell proliferation was observed in 66.7% of the HTLV-1 infected people. The PBMC spontaneous proliferation was higher in the group of HAM/TSP patients (percentage of divided cells:79%, rate of cellular division79%) compared to the assymptomatic individuals (percentage of divided cells: 50%, rate of cellular division: 56,3%) though this difference was not significant. Spontaneous proliferation can be detected in the first 24 hours of cell cultivation. The intensity of proliferation is similar in T CD4 e T CD8 subpopulations of assympomatic individuals and HAM/TSP patients. There was no correlation between proviral load and percentage of divided cells (r= -0,009; p= 0,9) and the rate of cellular division (r=0,1; p=0,5). The average of the TAX expression in T CD4+ was 2,4±2,4 %. There was a correlation between the expression of TAX protein and the percentage of divided cells (r=0,59; p =0,05) and the rate of cellular division (r=0,60; p=0,05), although not statistically significant. Nevertheless, a positive correlation was found between the percentage of divided T CD4+ cells and the expression of TAX protein (r=0,79; p<0,003), as well as between the rate of cellular division of TCD4+ cells and the expression of TAX protein (r=0,75; p=0,008). As a conclusion, the assessment of spontaneous proliferation by flow cytometry in cultures with CFSE analysed with the FlowJo software allows to identify the cellular proliferation in the first 24 hours of cultivation and to quantify the proportion of T CD4 and TCD8 lymphocytes that proliferated. This method could be usefull to assess drugs that modulate the spontaneous proliferation in PBMCs from HTLV-1 infected individuals.