Imprensa, ditadura e abertura política: entre consentimentos, atritos e ambivalências - a atuação dos jornais cearenses Correio da Semana e O Povo (1974-1985)

This work tries to understand the actions of Ceará's newspapers Correio da Semana and O Povo within the fight for redemocratization conjuncture between 1974 and 1985. It also tries to understand the role played by these newspapers in the consolidation of the opening process "slow, gradual...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Silva, João Batista Teófilo lattes
Orientador/a: Peixoto, Maria do Rosário da Cunha
Format: Dissertação
Language:por
Published: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em História
Department: História
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:https://tede2.pucsp.br/handle/handle/12899
Citação:Silva, João Batista Teófilo. Imprensa, ditadura e abertura política: entre consentimentos, atritos e ambivalências - a atuação dos jornais cearenses Correio da Semana e O Povo (1974-1985). 2015. 229 f. Dissertação (Mestrado em História) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2015.
Resumo Português:Este trabalho buscar compreender a atuação dos jornais cearenses Correio da Semana e O Povo, durante a conjuntura de lutas que marcou o processo de redemocratização no Brasil entre os anos de 1974 e 1985. Busca, igualmente, compreender o papel desempenhado por esses jornais na consolidação do projeto de abertura "lenta, segura e gradual". Pensar a atuação da imprensa como prática social e ingrediente dos acontecimentos históricos, permite compreender o papel que desempenha na constituição de memórias, na construção do consenso e nas lutas por hegemonia, estabelecendo alianças com forças políticas em diversas conjunturas. Não se trata de compreender a atuação desses jornais a partir de meros discursos, como se esses estivessem deslocados das lutas que buscam intervir no social. Mas compreendê-los como linguagem constitutiva do social que defende projetos, articula pactos políticos e indica perspectivas de passado, presente e futuro. Os estudos sobre a atuação da imprensa brasileira durante a ditadura civil-militar, centralizados em jornais pertencentes aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, muitas vezes tendem a simplificar o processo histórico a partir da atuação de poucos jornais, homogeneizando questões que são muito mais complexas. As reflexões desta pesquisa buscam oferecer novas contribuições às visões de algum modo generalizadas, que reduzem o papel da imprensa brasileira à atuação de alguns poucos jornais que, apesar de suas importâncias, estão longe de representar uma experiência histórica que é mais complexa. Pensando os consentimentos, os atritos e as ambivalências que permeiam a atuação desses jornais, este trabalho busca mostrar que nem sempre a imprensa brasileira esteve nutrindo relações de apoio à ditadura, para, depois, passar para o campo das oposições. As relações de apoio, marcada também por atritos, não se resumem a confortáveis dicotomias de a favor e contra. Tais relações, mais complexas, permitem pensar no papel que a imprensa desempenhou na consolidação da ditadura e na construção do seu projeto de abertura política, como relevam facetas de um projeto de poder ditatorial que não foi simplesmente imposto em 31 de março de 1964, mas que foi construído a partir de alianças dos militares com setores civis da sociedade, entre os quais os jornais Correio da Semana e O Povo
Resumo inglês:This work tries to understand the actions of Ceará's newspapers Correio da Semana and O Povo within the fight for redemocratization conjuncture between 1974 and 1985. It also tries to understand the role played by these newspapers in the consolidation of the opening process "slow, gradual and safe". It faces the role of the press as a social practice and an ingredient for historical events, allowing us to understand the role that the press plays in the formation of memories, in building consensus and in the struggles for hegemony, establishing alliances with political forces in various situations. This is not about understanding the actions of these newspapers from mere speeches, as if these were not part of the events that sought to intervene in the social. But it is about understanding these actions as a social constitutive language that tries to defend social projects, articulate political pacts and indicate perspectives from the past, present and future. The studies on the performance of the Brazilian press during the civil-military dictatorship, centralized in newspapers from the states of Rio de Janeiro and São Paulo, often tend to simplify the historical process from the actions of few newspapers, homogenizing issues that are way more complex. The reflections of this research try to provide new contributions to the generalized views, that reduce the role of the Brazilian press to a few newspapers which, despite their importance, are far from representing a historical experience that is more complex. Reflecting about the consents, friction and ambivalences that permeate the work of these newspapers, this research seeks to show that it has not been always that the Brazilian press has nurtured supportive relationships with the dictatorship to then move to the opposition field. The supportive relationships also marked by friction, not sum up in comfortable dichotomies as in favor and against. Such relationships, more complex, lead us to thinking on the role the press played in consolidating the dictatorship and in building its political opening process as revealed within the many facets of the dictatorial project, which was not simply imposed on March 31, 1964, but built from the military alliances with civilian sectors of society, including the newspapers Correio da Semana and O Povo