De silêncios e resistências: sonâmbulas, magnetizadoras e outras esquecidas do espiritismo brasileiro

This research stems from the following questions: Why do women appear so little in the historical narratives of Brazilian Spiritism? Were they, in fact, secondary figures, almost absent in the early years of this religion, or was their presence silenced, hidden behind a history written by men? To an...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2017
Main Author: Veronese, Michelle Marinho lattes
Orientador/a: Gouveia, Eliane Hojaij
Format: Tese
Language:por
Published: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais
Department: Faculdade de Ciências Sociais
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:https://tede2.pucsp.br/handle/handle/20114
Citação:Veronese, Michelle Marinho. De silêncios e resistências: sonâmbulas, magnetizadoras e outras esquecidas do espiritismo brasileiro. 2017. 263 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017.
Resumo Português:Esta pesquisa parte das seguintes questões: Por que as mulheres tão pouco aparecem na história do espiritismo brasileiro? Teriam sido elas, de fato, figuras secundárias, quase ausentes nos primeiros anos desta religião no Brasil, ou suas presenças foram silenciadas, ocultadas na escrita de uma história que se deu pela pena de homens? Para responder a esses questionamentos, vou em busca das mulheres que, no século XIX, envolveram-se com o magnetismo e o sonambulismo, práticas que se situavam numa zona de fronteira entre ciência e religião e que influenciaram os modos como o espiritismo seria praticado em nosso país. Também apresento os principais perfis daquelas que se envolveram com os primeiros grupos e experimentos espíritas, a exemplo das médiuns, escreventes e receitistas. O percurso metodológico envolveu pesquisa qualitativa com análise de jornais, revistas, crônicas e relatos de viajantes publicados no século XIX para a construção do contexto sócio-histórico e da classificação apresentada. Entre os/as principais teóricos/as que iluminam este trabalho, estão Bourdieu, com seus conceitos de habitus e campo religioso, Michelle Perrot, com suas análises sobre as mulheres silenciadas da história, e Joan Scott, com suas discussões sobre os usos da categoria gênero. Autores/as que trataram de secularização, magia, campo religioso brasileiro e relações entre gênero e religião também serviram de referência teórica. A tese sustentada é de que o espiritismo, na escrita de sua história referente ao século XIX, relegou as mulheres a um papel secundário, de meras coadjuvantes, silenciando suas vozes e experiências
Resumo inglês:This research stems from the following questions: Why do women appear so little in the historical narratives of Brazilian Spiritism? Were they, in fact, secondary figures, almost absent in the early years of this religion, or was their presence silenced, hidden behind a history written by men? To answer these questions, I searched for the 19th century women that became involved with magnetism and somnambulism, fringe practices bordering science and religion which influenced Spiritism. I also brought to light profiles of women who were involved with the first Brazilian Spiritist groups and experiments, such as the writing and medical mediums. The methodology includes a qualitative research with analysis of newspapers, chronicles and travelers' reports published in the nineteenth century to build the socio-historical context and the classification presented. Among the authors who illuminate this work, are Bourdieu and his concepts of habitus and religious field; Michelle Perrot, who analyzed silenced women in history, and Joan Scott, with her proposal for the use of the gender category. Authors who discussed secularization, Brazilian religious field and relations between gender and religions also serve as a theoretical reference. My thesis is that Brazilian Spiritism, in the writing of its history referring to the nineteenth century, relegated women to a secondary role as mere assistants, silencing their voices and experiences