Roberto Freire: tesão e anarquia

The emergence of the author function in the 19th century, as pointed out by Michel Foucault, was characterized by the investment in organizing, affiliating and homogenizing the diffusion of discourses from previous centuries. The author signature has risen as an existence entitled with a different s...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2011
Main Author: Simões, Gustavo Ferreira lattes
Orientador/a: Passetti, Edson
Format: Dissertação
Language:por
Published: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais
Department: Ciências Sociais
Assuntos em Portugês:
Assuntos em Inglês:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:https://tede2.pucsp.br/handle/handle/3319
Citação:Simões, Gustavo Ferreira. Roberto Freire: tesão e anarquia. 2011. 227 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.
Resumo Português:A emergência da função autor , no século XIX, como salientou Michel Foucault, caracterizava-se pelo investimento em organizar, filiar e homogeinizar a dispersão dos discursos oriunda dos séculos anteriores. A assinatura do autor irrompia como existência que possuía um status distinto daqueles que utilizavam a palavra ordinariamente, ao mesmo tempo, em que era identificada como um possível perigo a ser combatido. Seguindo as sugestões de Foucault, observei a escrita de Roberto Freire visando não explicar mas acompanhá-la em seu movimento, articulando-a às experiências da vida de Freire, desde a liberação no porão do DOPS, em 1965, um ano após o golpe militar de 1964, até a publicação de seus últimos escritos no final do século XX. A escritura de Freire atualiza o exercício da literatura social empreendida por certos libertários do início do século XX, no Brasil. Entretanto, seus livros não são animados pela reflexão dos anarquistas considerados clássicos, mas pelas práticas que irromperam com as contestações, sobretudo as ligadas aos costumes, detonadas pelos acontecimentos de 1968. Afastando-se ao longo da vida dos projetos de revolução, Freire passou a valorizar a partir da década de 1970, em seus livros e na vida, certas experiências com o corpo, no presente, associando-as a uma sensualização anarquista da existência. A análise do percurso traçado por ele desde a década de 1960, quando ainda militava na Ação Popular, passando pela descoberta do Living Theater, Wilhem Reich e afirmação do anarquismo nas décadas de 1980 e 1990, foram possíveis precisamente por um afastamento da noção de autor. A escrita de Freire se desenhou em movimento. Portanto, não há como lhe impor uma unidade, um travão explicativo. Freire navegou, junto com sua literatura, durante a segunda metade do século XX, perigosamente. A navegação, segundo Michel Foucault, era metáfora privilegiada para aqueles que se ocupavam com a vida ética e esteticamente na antiguidade helenística e romana. Afirmando essa navegação, a existência, ele deslizou como um piloto libertário, um pirata anarquista
Resumo inglês:The emergence of the author function in the 19th century, as pointed out by Michel Foucault, was characterized by the investment in organizing, affiliating and homogenizing the diffusion of discourses from previous centuries. The author signature has risen as an existence entitled with a different status from those that used the word ordinarily at the same time that it was identified as the possible danger to be fought. Considering Foucault s suggestions, I have followed Roberto Freire s writings, with no intent of explaining it, while articulating it with his life experiences since the liberation of DOPS s dungeons, in 1965, a year after the military coup of 1964, until the publication of his last writings in the end of the 20th century. Freire s writings update the exercise of social literature undertaken by some libertarians in the beginning of the 20th century in Brazil. However, his books are not inspired by the thought of the socalled classical anarchists, but by the practices that have emerged with the protests, particularly those connected to customs, triggered by the events of 1968. Freire, dissociating himself from the projects of revolution, began to value, in the 1970s, through his books and life, certain experiences with the body, in the present, associating it to an anarchist sensualization of the existence. The analysis of his journey since 1960 when he was an activist in Ação Popular and through his experiences with The Living Theater, Wilhem Reich and the anarchism in the 1980 and 1990 was possible given the distance he kept from the notion of author. Freire s writings have been developed in movement. Therefore, one cannot impose on it a unity or explanatory restrain. Freire has dangerously sailed with his literature in the late 20th century. The navigation, according to Michel Foucault, was a privileged metaphor to those immersed in an ethical and aesthetical life in the Hellenistic and Roman antiquity. By affirming this navigation, this existence, he moved like a libertarian pilot, like an anarchist pirate