Habitamus, ergo sumus : topologia e subjetividade de Heidegger a Sloterdijk

Esta dissertação pretende articular o problema da relação entre lugar e subjetividade, utilizando de referencial teórico as obras de Martin Heidegger e Peter Sloterdijk. Nosso ponto de partida se encontra na discussão proposta por Heidegger na conferência O caminho para a linguagem sobre o caráter o...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2018
Main Author: Maurício Fernando Pitta
Orientador/a: José Fernandes Weber .
Banca: Eder Soares Santos, Marco Antonio Valentim
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade Estadual de Londrina. Centro de Letras e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Filosofia.
Online Access:http://www.bibliotecadigital.uel.br/document/?code=vtls000217291
Resumo Português:Esta dissertação pretende articular o problema da relação entre lugar e subjetividade, utilizando de referencial teórico as obras de Martin Heidegger e Peter Sloterdijk. Nosso ponto de partida se encontra na discussão proposta por Heidegger na conferência O caminho para a linguagem sobre o caráter originário da linguagem com relação ao ente humano, em sua acepção topológica de casa do ser, isto é, meio universal de sentido ontológico primário. Distanciando-se de concepções instrumentalistas, Heidegger afirma que a linguagem ocorre, antes, como lugar de acontecimento de doação do ser ao ente, antecedendo e fundando a própria noção de linguagem como expressão subjetiva. A própria subjetividade, em Heidegger, se dissolve como um momento do acontecimento do ser, próprio da modernidade, e que culminaria no acabamento da metafísica como técnica planetária. Sloterdijk, por sua vez, a partir de uma leitura sui generis dos escritos de Heidegger, questiona o caráter originário da linguagem como casa do ser ao repensar a questão da técnica, propondo que o próprio ser, que dá sentido ao ente humano, é produto de técnicas de autogenia, insulamento e criação de lugares cossubjetivos de imunidade e intimidade. Tais lugares são denominados por Sloterdijk de esferas, conceito que implica a salvaguarda da noção de subjetividade através do deslocamento dela do campo ontológico do individualismo representacionalista moderno para o de uma ontologia relacional, híbrida, cibernética e não-substancialista. Propomo-nos investigar, a partir de tais considerações, sobre a maneira como o conceito de esfera, exposto em Esferas I, resolve o desnível na relação entre subjetividade e lugar, no sentido de que a esfera, em que o humano, simultaneamente construindo-a e habitando-a, se encontra sempre em relação com outros, concilia as noções de lugar e de subjetividade, antecedendo e servindo mesmo de base para qualquer configuração linguístico-topológica do espaço habitado. Para alcançar esse objetivo, pretendemos primeiramente resgatar os pressupostos da filosofia tardia de Heidegger e a discussão de sua conferência sobre a linguagem, para depois expor o panorama geral de sua obra, a fim de sustentar as divergências entre os pensamentos heideggeriano e sloterdijkiano com o intuito de, por fim, explorar a dissidência de Sloterdijk com relação à tematização da espacialidade, seu conceito de esfera e suas implicações antropológicas e cibernéticas, bem como a noção de subjetividade na obra sloterdijkiana, possibilitando lidar com nossa problemática.
Resumo inglês:This Master Thesis aims to problematize the relationship between place and subjectivity, by using the works of Martin Heidegger and Peter Sloterdijk as theoretical references. One's starting point is Heidegger's discussion in the conference The way to language on the originary character of language, in its topological aception as house of Being i.e. universal medium of ontologically prior meaning, in relation to human being. Heidegger asserts, while distancing himself from instrumentalist conceptions, language ocurring rather as place of the happening of Being's granting to beings, preceding and grounding the notion of language itself as subjective expression. In Heidegger, subjectivity itself is dissolved as a specifically Modern moment of the happening of Being, culminating with the consummation of metaphysics as planetary technology. Sloterdijk, in turn, starting from a sui generis reading of Heidegger's writings, questions the originary character of language as house of Being by rethinking the question concerning technology and proposing that, in its donation of meaning to human being, Being itself is a product of techniques of autogeny, insulation and creation of co-subjective places of immunity and intimacy. Such places are what Sloterdijk calls spheres, a concept which implies the safeguard of the notion of subjectivity from the ontological field of Modernity's representationalist individualism to another one, one of a relational, hybrid, cybernetic, and non-substantialist ontology. One proposes here to investigate, from such considerations, on the way in which the concept of sphere, exposed in Spheres I, resolves the unevenness in the relationship between subjectivity and place, in the sense that the sphere in which human being finds himself always in relationship with other and others, simutaneously constructing it and dwelling in it, conciliates the notions of place and subjectivity, preceding and serving as base for any linguistic-topological configuration of the inhabited space. To reach this goal, one intends firstly to rescue the main presupositions of Heidegger's late philosophy and the discussion of his conference on language, exposing the general background of his work, in order to sustain the differences between Heideggerian and Sloterdijkian thoughts, for the purpose of, at the end, explore Sloterdijk's dissidence in relation to the thematization of spaciality, his concept of sphere, with its anthropological and cybernetic implications, and the notion of subjectivity in the Sloterdijkian work, enabling one to deal with the problem.