Psicólogos evangélicos: interseção entre religiosidade e atuação profissional em Psicologia no Brasil

Nas últimas décadas, observa-se no campo evangélico no Brasil um maciço investimento na Psicologia, o qual se manifesta tanto no interesse pela Psicologia enquanto profissão leiga, quanto na utilização do conhecimento psicológico em atividades eclesiásticas. Outro fato especialmente verificado entre...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2013
Main Author: Filipe Degani-Carneiro lattes
Orientador/a: Ana Maria Jacó-Vilela lattes
Banca: Alexandre de Carvalho Castro lattes, Emílio Nolasco de Carvalho lattes
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
Assuntos em Portugês:
Assuntos em Inglês:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=5861
Resumo Português:Nas últimas décadas, observa-se no campo evangélico no Brasil um maciço investimento na Psicologia, o qual se manifesta tanto no interesse pela Psicologia enquanto profissão leiga, quanto na utilização do conhecimento psicológico em atividades eclesiásticas. Outro fato especialmente verificado entre os fieis evangélicos é a demanda por realizar psicoterapia com um profissional que também seja da mesma fé. A partir da década de 1990, o investimento evangélico na Psicologia cresceu de forma visível e suscitou diversos confrontos entre psicólogos evangélicos e os órgãos de regulação profissional, principalmente o Conselho Federal de Psicologia, em torno da articulação entre a fé evangélica e a atuação profissional em Psicologia, especialmente em psicoterapia. Os evangélicos são o segmento religioso que mais cresce no Brasil nas últimas décadas, apresentando uma expansão não apenas quantitativa, mas notadamente em termos de seu destaque no cenário social brasileiro. As articulações entre Religião e Ciência são fortemente observadas na História da Psicologia no Brasil desde o período colonial, onde houve importante circulação de escritos católicos com temáticas psicológicas ("psicologia da alma"), até meados do século XX, com a introdução da psicologia em seminários católicos para auxiliar a formação dos padres. Não obstante a grande importância da temática religiosa nos processos psicossociais, percebe-se no campo da psicologia uma lacuna no tocante a estudos sobre as religiões (especialmente, em uma perspectiva histórico-social). Neste sentido, impõe-se a necessidade de reflexão sobre os sentidos da apropriação do discurso psicológico efetuada pelos evangélicos. Nossa investigação empírica teve duas etapas: a) foi aplicado um questionário eletrônico em 104 psicólogos pertencentes à religião evangélica, com o objetivo de levantar informações sobre a formação e prática profissional destes psicólogos, além de sua perspectiva pessoal acerca da relação entre sua crença religiosa e atuação profissional; b) foram selecionados 5 participantes do questionário para a realização de entrevistas, visando aprofundar a investigação de determinados temas, que emergiram da análise do questionário. Nossos resultados apontam em geral para uma multiplicidade de discursos sobre a influência da fé evangélica na atuação profissional. Entre os que relatam a total influência da religiosidade e os que afirmam uma neutralidade estrita, há um espectro com diversas posições ambivalentes que, em geral, apontam uma indissociabilidade entre a visão de mundo influenciada pela religião e a prática profissional, ao mesmo tempo em que assinalam a necessidade ética de suspensão do juízo, a fim de que a religiosidade do terapeuta não se interponha para o cliente. Tais resultados apontam a existência de um núcleo comum entre os sistemas discursivos da Psicologia e da religião evangélica que gera neste segmento religioso o interesse pela apropriação do conhecimento e prática psicológicos. A análise destas inter-relações é fundamental para os debates éticos atualmente em curso na categoria dos psicólogos acerca da interseção entre religião e atuação profissional.
Resumo inglês:Over the last decades it has been noticed a huge investment in Psychology expressed as an interest for Psychology as secular profession as well as in the application of psychological knowledge in ecclesiastical activities. Another fact specially verified among evangelicals is the demand for being attended by a psychotherapist who professes the same faith. Since 1990's the evangelical investment in Psychology has increased visibly and raised up various conflicts between evangelical psychologists and professional regulatory bodies, mainly Conselho Federal de Psicologia, concerning the articulation between evangelical faith and practice in Psychology, especially in psychotherapy. Evangelicals are the most growing religious group in Brazil during the last decades, presenting not only a quantitative expansion, but above all a remarkable presence in Brazilian social scene. The articulations between Religion and Science are intensively observed in History of Psychology in Brazil since the colonial age, in which an important circulation of Catholic writings with psychological thematic ("psychology of the soul") took place until the mid 20th century when Psychology was introduced in Catholic seminaries to support the priests' formation. Although religious thematic has a great importance in psychosocial issues, it can be noticed a gap in the field of Psychology when it comes to religion studies (especially in a historical-social perspective). Therefore, it is necessary to reflect about the senses of the appropriation of psychological speech that is made by the evangelicals. Our empirical investigation has been achieved in two stages: a) it was applied an electronic questionnaire in 104 Evangelical psychologists in order to obtain information on their professional formation and practice, besides their personal perspective about the relation between their religious belief and professional practice; b) 5 participants of this group were selected to be interviewed in order to deepen the investigation on certain themes which arose from questionnaire's analysis. Our results mostly point to a multiplicity of speeches about the influence of evangelical faith on professional practice. Between those who report the total influence of religiousness and those who claim a strict neutrality, there is an spectrum with diverse ambivalent positions that in general indicates an indissociability between a vision of world influenced by religion and the professional practice at the same time that they point out the ethical need of suspension of judgment so that the therapist's religiousness won't interfere the client. These results point the existence of a common nucleus between the discursive systems of both Psychology and the Evangelical religion that produces the interest for appropriation of psychological knowledge and practice in this religious group. The analysis of these relations is fundamental to the current ethical debates among the category of psychologists concerning the intersection between religion and professional practice.