Citogenética e citometria de fluxo de espécies de Dorstenia (Moraceae) endêmicas da Floresta Atlântica

Moraceae compreende plantas latescentes de porte arbóreo como as figueiras (Ficus), de porte arbustivo como as espécies de Sorocea, ou herbáceas como as espécies de Dorstenia. O gênero Dorstenia é o único herbáceo dentro da família, com cerca de 105 espécies, e possui princípios ativos ligados a div...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Fernandes, Alda Francisca Rodrigues de Sousa
Orientador/a: Praça-Fontes, Milene Miranda
Banca: David, José Augusto de Oliveira
Format: Dissertação
Published: Universidade Federal do Espírito Santo
Mestrado em Genética e Melhoramento
Programa: Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento
Assuntos em Portugês:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:http://repositorio.ufes.br/handle/10/5127
Resumo Português:Moraceae compreende plantas latescentes de porte arbóreo como as figueiras (Ficus), de porte arbustivo como as espécies de Sorocea, ou herbáceas como as espécies de Dorstenia. O gênero Dorstenia é o único herbáceo dentro da família, com cerca de 105 espécies, e possui princípios ativos ligados a diversas funções terapêuticas. Além do uso medicinal, os carapiás, como são conhecidas popularmente as espécies de Dorstenia, também apresentam grande potencial como plantas ornamentais. Alguns estudos envolvendo sistemática, filogenia, molecular e fitoquímica são relatados para algumas espécies de Dorstenia. No entanto, são poucos os relatos a respeito dos dados citogenéticos e conteúdo de DNA no gênero, provavelmente em virtude da dificuldade de encontrar populações naturais em campo e à situação vulnerável que compromete grande parte das espécies. Dados citomorfológicos associados com o valor 2C de DNA podem gerar informações sobre a evolução cromossômica e colaborar com os aspectos sistemáticos e taxonômicos de um grupo. Diante do exposto, o objetivo do presente trabalho foi caracterizar, por meio da citogenética e citometria de fluxo, três espécies de Dorstenia: D. arifolia Lam., D. bonijesu Carauta & C. Valente e D. elata Hook. Para isso, o número cromossômico foi determinado, parâmetros morfométricos e de assimetria intercromossômica (A2) foram estabelecidos e o conteúdo de DNA nuclear foi mensurado. O material vegetal foi coletado em Mata das Flores, ES. Para a citogenética, raízes foram obtidas por meio de sistema hidropônico, tratadas com APM nas concentrações de 3, 4 e 5 μM, por 16 a 18 h e fixadas em metanol: ácido acético (3:1), para posterior digestão, coloração e observação das lâminas. Para citometria de fluxo indivíduos jovens foram coletados. As folhas foram utilizadas como material de análise para xi quantificar o conteúdo de DNA nuclear. A metodologia citogenética possibilitou a obtenção de material adequado para análise. Encontraram-se 32 cromossomos e foi possível montar o primeiro cariograma para as três espécies. Com os dados morfométricos, a classificação dos cromossomos foi determinada e foram confirmadas as diferenças entre os três cariótipos. O índice de assimetria A2 variou entre as espécies: D. bonijesu apresentou A2 = 0,16, seguido por D. arifolia A2 = 0,14 e D. elata A2 = 0,13. As análises de citometria de fluxo possibilitaram mensurar o conteúdo de DNA nuclear de 2C = 3,49 picogramas (pg) para D. elata, 2C = 4,05 pg para D. bonijesu, e 2C = 5,47 pg para D. arifolia. Apesar das três espécies apresentarem o mesmo número de cromossomos (2n = 32), os valores de conteúdo de DNA evidenciados pela citometria de fluxo e os resultados do índice assimétrico foram diferentes. De acordo com os valores de A2 e dados descritos na literatura D. elata pode ser a espécie mais derivada em relação a D. bonijesu e D. arifolia, por possuir o menor índice de assimetria e menor conteúdo de DNA nuclear. Assim, os dados da presente pesquisa permitiram caracterizar, pela primeira vez, três espécies de Dorstenia, contribuindo para diferentes áreas como ecologia, filogenia, sistemática e evolução.