Cidadania como mercadoria? A legitimação do status cidadão através do consumo de livros

In this work we study the relationship between citizenship and consumption. However, in addition to consumption as a citizen practice, our research sought to investigate whether books, as consumer goods, that is, merchandise, also act in the exercise of citizenship. Our theoretical contribution on c...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2019
Main Author: Baltazar, Caroline Campanha lattes
Orientador/a: Braga, Claudomilson Fernandes lattes
Banca: Braga, Claudomilson Fernandes, Jordão, Janaína Vieira de Paula, Quintão, Ronan Torres
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade Federal de Goiás
Programa: Programa de Pós-graduação em Comunicação (FIC)
Department: Faculdade de Informação e Comunicação - FIC (RG)
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/9962
Citação:BALTAZAR, Caroline Campanha. Cidadania como mercadoria? A legitimação do status cidadão através do consumo de livros. 2019. 158 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.
Resumo Português:Neste trabalho estudamos a relação entre cidadania e consumo. Entretanto, para além do consumo enquanto prática cidadã, nossa pesquisa buscou investigar se os livros, enquanto bens de consumo, ou seja, mercadorias, atuam também no exercício da cidadania. Nosso aporte teórico sobre consumo articulado na cidadania contou com Canclini (1999) e Demo (1995), ambos autores identificam no consumo um ato da prática cidadã. O primeiro destacaa participação no processo do consumo. O segundo autor trabalha com o conceito de cidadania emancipatória. Neste conceito a cidadania é exercida quando o indivíduo rompe com a pobreza política e, assim, o cidadão toma para si a compreensão do exercício da cidadania. Em consequência deste processo ‘interno’ o consumo surge como uma possibilidade de exercer a cidadania, porém, neste contexto o mercado ocupa uma postura de meio, e não fim. Dessa forma, o cidadão faz uso do mercado para sanar suas necessidades enquanto cidadãos. Para contextualizar o livro enquanto mercadoria, passamos pelos estudos de consumo, nos valendo de Miller (2013) para a compreensão dos objetos dentro da cultura material, além de Douglas e Isherwood (2004) que também discutem os objetos e seus sentidos. Os autores destacam que o sentido da mercadoria é dado por aqueles que as usam e que estes significados são criados para nos contextualizarem dentro de nossa realidade. Por isso, analisamos o livro enquanto mercadoria, de acordo com seu significado utilitário, comercial e sociocultural (SANTAELLA; NOTH, 2009). Para estudar o fenômeno elegemos como locus de pesquisa os assinantes do clube de livros TAG-EXPERIENCIAS LITERÁRIAS, a escolha dos respondentes foi por conveniência. Utilizamos três tipos de pesquisa para construir este trabalho: pesquisa bibliográfica, entrevistas semiestruturadas e análise documental. Para a análise dos dados coletados recorremos à técnica da Análise do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) (LEFEVRE; LEFEVRE, 2009). Os resultados explicitaram que, para os respondentes, o consumo é uma forma de exercer a cidadania, e que os livros, enquanto mercadorias consumidas, são meios para o exercício daquela, devido à sua relação com educação, informação, cultura, desenvolvimento do pensamento crítico, além de também ser um bem de consumo, que enquanto tal faz parte do processo econômico de consumo, que está inserido na prática cidadã.
Resumo inglês:In this work we study the relationship between citizenship and consumption. However, in addition to consumption as a citizen practice, our research sought to investigate whether books, as consumer goods, that is, merchandise, also act in the exercise of citizenship. Our theoretical contribution on consumption articulated in the citizenship counted on Canclini (1999) and Demo (1995), both authors identify in the consumption an act of the citizen practice. The first highlights participation in the consumption process. The second author works on the concept of emancipatory citizenship. In this concept citizenship is exercised when the individual breaks with political poverty and, thus, the citizen takes for himself the understanding of the exercise of citizenship. As a consequence of this 'internal' process consumption appears as a possibility to exercise citizenship, but in this context the market occupies a middle position, not end. In this way, the citizen makes use of the market to heal his needs as citizens. To contextualize the book as a commodity, we go through consumer studies, using Miller (2013) to understand objects within material culture, in addition to Douglas and Isherwood (2004) who also discuss objects and their meanings. The authors point out that the meaning of the commodity is given by those who use them and that these meanings are created to contextualize us within our reality. Therefore, we analyze the book as a commodity, according to its utilitarian, commercial and sociocultural meaning (SANTAELLA; NOTH, 2009). In order to study the phenomenon we chose as the locus of research the subscribers of the book club TAG-LITERARY EXPERIENCES, the choice of the respondents was for convenience. We used three types of research to build this work: bibliographic research, semi-structured interviews and documentary analysis. For the analysis of the data collected, we used the technique of Collective Subject Discourse Analysis (DSC) (LEFEVRE and LEFEVRE, 2009). The results explained that, for respondents, consumption is a way of exercising citizenship, and that books, as commodities consumed, are means for the exercise of it, due to its relation with education, information, culture, development of critical thinking , besides being also a consumer good, which as such is part of the economic process of consumption, which is inserted in the citizen's practice .