O setor de serviços no Brasil: uma abordagem regional

A aceleração do crescimento do setor de serviços vem sendo uma característica do padrão de crescimento mundial. Acompanhando este padrão, no Brasil, é possível apontar para um movimento no sentido de uma “economia de serviços”. Contudo, assim como o desenvolvimento regional não é uniforme em todo te...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2014
Main Author: Cardoso, Verônica Lazarini lattes
Orientador/a: Perobelli, Fernando Salgueiro lattes
Co-advisor: Bastos, Suzana Quinet de Andrade lattes
Banca: Corrêa, Wilson Luiz Rotatori lattes, Amaral, Pedro Vasconcelos Maia do lattes
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade Federal de Juiz de Fora
Programa: Programa de Pós-graduação em Economia
Department: Faculdade de Economia
Assuntos em Português:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/1399
Resumo Português:A aceleração do crescimento do setor de serviços vem sendo uma característica do padrão de crescimento mundial. Acompanhando este padrão, no Brasil, é possível apontar para um movimento no sentido de uma “economia de serviços”. Contudo, assim como o desenvolvimento regional não é uniforme em todo território nacional, o desenvolvimento do setor de serviços também não o é. Assim sendo, o presente trabalho estuda o setor de serviços levando em conta as características espaciais e estruturais do mesmo. O objetivo central é dividido em quatro partes: 1) estabelecer uma hierarquia funcional inter-regional e entender a influência dos serviços no processo de polarização urbana brasileira; 2) entender e mapear a estrutura produtiva dos setores de serviço no Brasil a partir da hierarquia construída; 3) analisar a relação entre o setor industrial e de serviço; 4) estudar o processo de crescimento dos setores de serviços a partir dos condicionantes aglomerativos que influenciam nesse processo. O trabalho lançou mão de dados de 1995 e 2011 para os municípios brasileiros, agregados pelas AMC 91, referentes a 23 setores de serviços e utilizou uma série de estratégias metodológicas para atingir os objetivos. Começando com uma metodologia de regionalização, passando pela análise da estrutura produtiva e de renda dos setores de serviços a partir de variáveis que caracterizam as economias de aglomeração, e finalizando com um modelo econométrico espacial que visa entender a relação destas variáveis com o crescimento dos setores de serviços, considerando a dependência espacial do processo. Os resultados apontam que a configuração regional brasileira, no que diz respeito a capacidade de polarização a partir do setor de serviços não sofreu alterações muito expressivas. As atividades de serviços continuam concentradas nos mesmos grandes polos que há 20 anos, e esses polos polarizam regiões que também sofreram poucas alterações. É possível observar um padrão espacial da distribuição dos setores de serviços no sentido Norte-Sul. O Sul concentra a maior parte da atividade do setor, apresentando maior diversidade, assim como maior grau de competitividade e maiores economias de escala. Já o eixo Norte do país apresenta menor diversificação de serviços e uma forte especialização do setor 75 – Administração Pública, denotando uma carência de atividade econômica nessa região. Foi possível também notar que a aglomeração e escala populacional contribuem para o desenvolvimento do setor de serviços, assim como a correlação entre a atividade industrial e a atividade de serviços é vi observada. Pode-se também apontar que apesar da grande heterogeneidade entre os setores de serviços, com relação a localização, não há grandes diferenças na hierarquia urbana brasileira. Por fim, o modelo de crescimento baseado na estrutura produtiva entre os anos de 1995 e 2011, foi possível observar que na maioria dos setores, a dependência espacial se mostra na forma de erro espacialmente dependente. Os resultados das regressões permitem ver que as economias de localização não têm grande influência no crescimento dos setores, ao contrário a competição local, mostrou-se significativa no período de 1995 a 2011. Com relação às economias de urbanização, não houve um padrão homogêneo entre os setores. Fica de contribuição desse trabalho o estudo da localização e seus condicionais dos setores de serviços no brasil, de forma bastante desagregada tanto no nível regional quanto setorial. A partir dele é possível reafirmar o padrão de desenvolvimento regional brasileiro e seus entraves, com a nítida concentração das atividades econômicas nas regiões mais desenvolvidas do país e o agravamento das barreiras de evolução daquelas mais atrasadas.
The acceleration of growth in the services sector has been a characteristic of the model of global growth. Following this pattern, in Brazil, it is possible to see a move towards a "service economy". However, as regional development is not uniform throughout the country, the development of the service sector also is not. Thus, this paper studies the service sector considering the spatial and structural characteristics. The main objective is divided into four parts: 1) establish a functional interregional hierarchy and understand the influence of the services in the Brazilian urban polarization process; 2) understand and map the productive structure of the service sectors in Brazil from the constructed hierarchy; 3) analyze the relationship between the industrial and service sector; 4) to study the growth process of services sectors from the agglomerative constraints that influence this process. The study used data from 1995 and 2011 for municipalities, aggregated by AMC 91, referring to 23 service sectors and utilized a methodological strategies to achieve the goals. Starting with a regionalization methodology, through the analysis of production structure and income of the service sectors from variables that characterize the economies of agglomeration, and ending with a spatial econometric model that aims to understand the relationship of these variables with the growth of sectors services, considering the spatial dependence of the process. The results indicate that the Brazilian regional setting, as regards the ability of polarization from the service sector has not undergone very significant changes. Service activities remain concentrated in the same large pole 20 years ago, and these poles polarized regions that also have changed a little. You can observe a spatial pattern of distribution of services sectors in the North-South direction. The South has the largest part of the sector activity, with higher diversity and greater degree of competitiveness and greater economies of scale. Already the North axis of the country has less diversification of services and a strong concentration of the sector 75 - Public Administration, denoting a lack of economic activity in this region. It was also possible to note that the clustering and population scale contribute to the development of the service sector as well as the correlation between industrial activity and service activity is observed. One can also point out that despite the great heterogeneity among the service sectors, with respect to location, there are no major differences in the country's urban hierarchy. viii Finally, the model of growth based on the production structure between the years 1995 and 2011, it was observed that in most sectors, the spatial dependence is shown in the form of spatially dependent error. The results of the regressions allow to see that the location economies have no great influence on the growth of sectors, unlike the local competition was significant in the period 1995-2011. Regarding economies of urbanization, there wasn’t a homogeneous pattern between sectors. Contribution of this work is the study of the location of services sectors in Brazil, quite disaggregated in the regional and sectoral level. From this, it is possible to restate the standard of Brazilian regional development and its obstacles, with clear concentration of economic activities in the more developed regions of the country and aggravation of barriers of evolution of those later.