Recursos musicais aplicáveis à saúde da criança e do adolescente: contribuições da musicoterapia á clínica pediátrica

Esta tese apresenta uma investigação sobre sete recursos musicais encontrados em atividades musicais praticadas na sociedade ocidental, focalizando seu potencial como recurso terapêutico. Os sete recursos musicais, identificados por seus materiais e procedimentos, são os seguintes: jogos e brincadei...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2008
Main Author: Maria Eugenia Castelo Branco Albinati
Orientador/a: Joaquim Antonio Cesar Mota
Co-orientador/a: Joao Gabriel Marques Fonseca
Banca: Oiliam Jose Lanna, Antônio Carlos Guimarães, Maria Auxiliadora Monteiro Oliveira
Format: Tese
Language:por
Published: Universidade Federal de Minas Gerais
Assuntos em Português:
Online Access:http://hdl.handle.net/1843/ECJS-7JUKCN
Resumo Português:Esta tese apresenta uma investigação sobre sete recursos musicais encontrados em atividades musicais praticadas na sociedade ocidental, focalizando seu potencial como recurso terapêutico. Os sete recursos musicais, identificados por seus materiais e procedimentos, são os seguintes: jogos e brincadeiras musicais; apreciação musical; canto; instrumentos musicais; criação musical; expressão corporal e dança; e ensaio e apresentação musical. Foi feito um estudo exploratório-descritivo da aplicação destes recursos a crianças e adolescentes em atendimento terapêutico em diferentes ambientes de saúde. A construção dos dados baseou-se na observação sistemática do oferecimento dos sete recursos musicais a 54 crianças e adolescentes com idades entre 1 e 20 anos e com diferentes diagnósticos e diferentes capacidades psicomotoras, em atendimento em três espaços de saúde; e na entrevista aberta feita com seus cuidadores e técnicos, perguntando-lhes que alteração de comportamento eles percebiam em sua criança/adolescente a partir do contato com cada recurso musical. A variedade de idades e diagnósticos das crianças e adolescentes buscou estabelecer a acessibilidade e benefícios dos recursos musicais a pacientes com diferentes capacidades de resposta afetiva, motora e cognitiva. A variedade de espaços de saúde (consultórios de Musicoterapia da Associação de Musicoterapia de Minas Gerais, Sala de Medicação Infantil do Hospital Borges da Costa e Setor de Terapia Ocupacional do Hospital Bias Fortes) visou conhecer formas de oferecimento das práticas musicais em diferentes ambientes terapêuticos sem comprometer a dinâmica própria de cada um deles. O resultado desta tese é um mapeamento dos recursos musicais aplicáveis à saúde de crianças e adolescentes, apresentando suas especificidades, atividades possíveis de serem desenvolvidas, e benefícios resultantes de sua aplicação terapêutica, em consonância com os pressupostos das teorias da Musicoterapia. Por ser parte da cultura humana e estar ligada a atividades prazerosas e significativas, a música é familiar à criança/adolescente, que já faz uso dela, adaptando-a às suas capacidades psicomotoras, mesmo prejudicadas pela doença. Nesta pesquisa, ela é aceita a priori pela criança/adolescente e por seu cuidador. Apresentando-se no imaginário destes como uma chance de melhorar o ambiente de saúde, ela insere-se facilmente em suas rotinas. Por sua diversidade de formas, a música é acessível a crianças/adolescentes com comprometimentos de saúde diversos, se adequa às suas condições físicas e mentais, lhes oferece experiências de sucesso e lhes estimula desenvolvimento psicomotor. Seduzindo cuidadores e técnicos, a música cria uma rede prazerosa de participação que enriquece o ambiente de saúde e estimula a criança/adolescente a dedicar-se ao seu processo de saúde. A observação sistemática dos recursos musicais em sua aplicação ao processo de saúde de crianças e adolescentes mostra que a especificidade de cada um deles tem muito a oferecer aos pacientes. Os jogos e brincadeiras musicais tiram as crianças/adolescentes da letargia, tornam-nas alertas e participativas, e lhes oferecem conhecimentos e o compartilhamento de momentos prazerosos com o outro. A apreciação musical lhes dá acesso à expressão de diferentes tempos, espaços e visões de mundo, e à evocação e reelaboração de suas próprias vivências, emoções e fantasias. O poder narrativo e mnemônico do canto lhes ajuda a seguir seqüências complexas e memorizar informações, lhes propicia o aprimoramento da fala e a adoção de uma linguagem expressiva, lhes ajuda a afirmar sua individualidade acima da doença. O efeito tônico dos instrumentos musicais impulsiona as crianças/adolescentes ao movimento organizado, à construção elaborada e à participação prazerosa em conjuntos instrumentais. A criação musical lhes faculta a construção de uma identidade positiva, o afloramento de uma criatividade inesperada em meio a suas dificuldades psicomotoras, e uma via adequada e valorizada de expressão de seus sentimentos e idéias. A dança os leva a enriquecer sua imagem corporal e a aprimorar suas habilidades ambulatórias. Os ensaios e apresentações musicais lhes possibilitam apresentar-se diante do outro de forma positiva, mostrando sua força, sua alegria e suas capacidades. Tendo como sujeitos crianças e adolescentes sem autonomia, muito dependentes de seu cuidador e em alguns aspectos parecendo formar uma unidade com ele, esta investigação teve sua atenção chamada para o intenso grau de adesão do cuidador às práticas musicais, tanto para melhor direcioná-las à sua criança/adolescente, como para deleite próprio. Isto é extremamente importante quando se sabe que a adesão do cuidador ao tratamento da criança/adolescente sem autonomia é determinante de seu sucesso. Atuando em conjunto com técnicos de outras áreas da saúde, esta pesquisa notou também o envolvimento do técnico não-musicista, adotando rapidamente o oferecimento dos recursos musicais ao seu paciente, e fazendo música como fruição pessoal. Isto mostra a possibilidade de que também ele, sujeito ao trabalho estressante em ambientes pautados pela doença, use os recursos musicais em benefício próprio e se sinta seguro em explorá-los em seu trabalho. Embora a presença de um musicoterapeuta coordenando o oferecimento das atividades musicais no ambiente de saúde garanta maior riqueza musical e melhor direcionamento dos recursos musicais aos objetivos de saúde de cada paciente, como a música é uma prática comum à maioria das pessoas, e é acessível a não-musicistas, as atividades musicais mostraram-se possíveis de desenvolver-se entre pacientes, cuidadores e técnicos, dentro de suas possibilidades, com práticas musicais acessíveis aos seus conhecimentos, sugeridas por eles e valorizando suas histórias de vida, resultando em ganhos para todos.
INTRODUCTION: This thesis presents an investigation about the therapeutic potential of seven musical resources that are found in activities practiced in Western society: musical games, musical appreciation, singing, musical instruments, creation in music, dance andmusical presentation. METHODOLOGY: The exploratory-descriptive study of the application of these resources to 60 children and adolescents between 1 and 20 years old, through systematic observation and open interviews with their carers and technicians, identified alterations of behaviour perceived in their contact with the music. The mapping ofthe musical resources shows their specificities, possible activities of being developed, and resulting benefits of their therapeutic use, in agreeance with the theories of Music Therapy. The variety of ages and diagnosis of the children and adolescents established the access andbenefits of the musical resources to patients with different capacities of affective, motor and cognitive response. The variety of health spaces (the Music Therapy offices of the Music Therapy Association of Minas Gerais, child medication room of the Borges da Costa Hospital and the Occupational Therapy Isle of the Bias Fortes Hospital) recognized the different forms of the musical practices that are offered in different therapeutic ambiances, without compromising their own dynamics. RESULTS: The musical games make the children/adolescents alert and participating, and give them knowledge and sharing of meaningful moments with others. Musical appreciation gives them access to the expression of different times, spaces and visions of the world, reminding and remaking their own lives, emotions and fantasies. The narrative and mnemonic power of singing help them follow complex sequences and learn information by heart, appeasing them to better their speech andtheir expressive language, and helping them to affirm their individuality beyond their illness. The tonic effect of the musical instruments impulses the child/adolescent to organized movement, elaborated construction and joyful participation in instrumental ensembles. Musical creation opens the way to the construction of a positive identity, the emerging of anunexpected creativity in midst of the psychomotor difficulties, and an adequate and valued way of expressing their feelings and ideas. Dancing enriches their body image and betters their abilities to move. Rehearsals and musical presentations make it possible for them to present themselves in front of the others in a positive form, showing their strength, happiness and capabilities. CONCLUSIONS: Since it is part of human culture, music is familiar to the 12 child/adolescent, to their carers and to health technicians, and stimulates the positive participation of all, focusing on people obscured by the illness. Having children andadolescents with no autonomy as subjects, this investigation was led to realize the enormous participation of the carer and health professional in musical practice, not only to involve the patient, but also for their own appreciation. Their involvement, beyond being a determinantfactor to the success of the treatment of the dependent child/adolescent, benefit this populations forgotten by the health area. Although the coordination of a music therapist would guarantee a better use of the musical resources in relation to the needs of each patient, since music is a common practice to most people and is accessible to non-musicians, the musical activities are easily developed among the patients, their carers and technicians, with positive results for all.