Curso clínico de uma coorte de pacientes pediátricos submetidos ao transplante renal: uma análise de sobrevida

O transplante renal é considerado o tratamento de escolha para doença renal crônica terminal na infância. Neste estudo, avaliamos retrospectivamente 64 pacientes submetidos a 66 transplantes renais entre 2000 e 2011, no Hospital das Clínicas da UFMG. A idade média destas crianças foi de 10,5 ± 3,9an...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2012
Main Author: Mariana Guerra Duarte
Orientador/a: Eleonora Moreira Lima
Co-orientador/a: Ana Cristina Simoes e Silva
Banca: Clotilde Druck Garcia, Marcelo de Sousa Tavares
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade Federal de Minas Gerais
Assuntos em Português:
Online Access:http://hdl.handle.net/1843/BUOS-9USML4
Resumo Português:O transplante renal é considerado o tratamento de escolha para doença renal crônica terminal na infância. Neste estudo, avaliamos retrospectivamente 64 pacientes submetidos a 66 transplantes renais entre 2000 e 2011, no Hospital das Clínicas da UFMG. A idade média destas crianças foi de 10,5 ± 3,9anos (2,6 16,7 anos). A principal etiologia da DRC foram as nefro-uropatias hereditárias (32,8%) e em 10,8% dos casos não foi possível estabelecer o diagnóstico da doença de base. Foram realizados 6 transplantes preemptivos (9,1%) e o tempo médio de diálise antes do transplante foi de 36,5± 25,5 meses (2-116 meses). Em 57,6% dos casos foram utilizados doadores falecidos e o tempo médio de isquemia fria foi de 22,2 ± 6,3 horas (13-41 horas). Ocorreu função retardada do enxerto em 22,7% dos transplantes (15/66). Identificamos uma melhora do peso, estatura e índice de massa corporal no primeiro ano pós-transplante (p<0,05) e apenas da estatura do primeiro para o quinto ano (p=0,007). Foi diagnosticada hipertensão arterial em 65,6% dos pacientes, com bom controle com uso de anti-hipertensivos em 93,1%. Os valores médios de creatinina aumentaram significativamente entre o primeiro, o quinto e o décimo ano (p<0,05). A TFG estimada não apresentou diferença estatística entre o primeiro e quinto ano, mas houve redução significativa no décimo ano após o transplante. Doze pacientes perderam o enxerto (19,7%). A sobrevida média do enxerto renal foi estimada em 9,2 anos, sendo a sobrevida com 1, 5 e 10 anos, 91,7%, 81,2% e 75,6% respectivamente. A sobrevida média dos pacientes com 1, 5 e 10 anos foi de 98,3%, 95,8% e 92,8%. Não encontramos diferença estatisticamente significativa na sobrevida do enxerto em relação ao tipo de doador: vivo vs falecido (p=0,56), à faixa etária do receptor (p=0,48), presença de hipertensão arterial (p=0,63), presença de mais que 3 incompatibilidades do HLA vs menos que 3 (p=0,89) e do transplante preemptivovs precedido por diálise (p=0,97). Foi identificada associação negativa entre a sobrevida do enxerto e os seguintes fatores (teste de log-rank): tempo de isquemia fria superior a 24 horas (p=0,042), presença de função retardada do enxerto (p=0,028), presença de rejeição aguda precoce (p=0,05) ou tardia (p=0,046) e creatinina sérica superior a 1mg/dl ao término do primeiro ano de transplante (p<0,001). Encontramos ainda como variáveis associadas à progressão para DRC estádio 3 a presença de rejeição aguda, a necessidade de diálise no pós-transplante e o tempo de isquemia fria superior a 24 horas. Concluímos então que a sobrevida do enxerto e das crianças transplantadas foi semelhante ao descrito na literatura embora haja necessidade da atuação da equipe ransplantadora para reduzir o tempo de isquemia fria minimizando a função retardada do enxerto, ações que podem melhorar a sobrevida do enxerto.
z Renal transplantation is the treatment of choice for children with end-stage renal disease (ESRD). In this study, we retrospectively analyzed data of 64 pediatric patients undergoing 66 kidney transplants between 2000 and 2011, at Hospital das Clínicas UFMG. The mean age at transplantation was 10,5±3,9 years (2,6-16,7 yrs). The most common etiology of ESRD was hereditary nephrouropathies (32,8%) and the etiology was unknown in 10,8%. Six patients (9,1%) were transplanted preemptively and the mean duration of dialysis before transplantation was 36,5±25,5 months (2-116 months). Of all transplants, 57,6% were from deceased donors and mean cold ischemia time was 22,2±6,3 hours (13-41 hrs). Delayed graft function occured in 22,7% of the transplants (15/66). We identified an improvement of weight, height and body mass índex within the first year after transplantation (p<0,05) and only of height from the first to the fifth year (p=0,007). Hypertension was diagnosed in 65,6% of patients with good control with the use of antihypertensive drugs in 93,1%. The mean values of creatinine increased significantly between the first, fifth and tenth year (p<0,05). The estimated GFR showed no statistical difference between the first and fifth years, but significant reduction was observed in the tenth year after transplantation. Twelve patients lost their grafts (19,7%). The estimated median graft survival was 9,2 years and graft survivals at 1,5 and 10 years were 91,7%, 81,2% and 75,6%, respectively. Overall 1, 5 and 10 years patient survival was 98,3%, 95,8% and 92,8%. We found no statistically significant difference in graft survival in relation to the type of donor - live vs deceased (p=0,56), to the age of the recipient (p=0,48), to the presence of hypertension (p=0,63), to the presence of more than three HLA mismatches (p=0,89) and to preemptive vs post- dialysis transplant (0,97). Poorer graft survival was observed with cold ischemia time exceeding 24 hours (p=0,042), delayed graft function (p=0,028), early and late acute rejection (p=0,05 and p=0,046) and serum creatinine greater than 1mg/dl at the end of first year of transplantation (p<0,001). We also found as variables associated with progression to CKD stage 3 the presence of acute rejection, the need for post-transplant dialysis and cold ischemia time superior to 24 hours. We conclude that graft and patients survival were similarto that published in the literature although there is a need for the transplant team to make an extra effort in order to reduce cold ischemia time, minimizing delayed graft function, actions that can improve graft survival.