Semiose: O interpretante e a inferência de Charles Sanders Peirce

Esta pesquisa tem como objeto de estudo a relação entre o interpretante e a inferência na teoria semiótica do pensador estadunidense Charles Sanders Peirce, e como método de trabalho se utilizou a pesquisa bibliográfica e interpretação dos conceitos citados (isto é, o interpretante e a inferência),...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2016
Main Author: Lafuente, Luis Antonio Mopi lattes
Orientador/a: Araújo, Ana Lêda de lattes
Co-orientador/a: Junior, Expedito Ferraz
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade Federal da Paraíba
Programa: Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Department: Filosofia
Assuntos em Português:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/11562
Resumo Português:Esta pesquisa tem como objeto de estudo a relação entre o interpretante e a inferência na teoria semiótica do pensador estadunidense Charles Sanders Peirce, e como método de trabalho se utilizou a pesquisa bibliográfica e interpretação dos conceitos citados (isto é, o interpretante e a inferência), além da análise de alguns exemplos onde se pudesse observar de forma “empírica” a atuação desses conceitos. Entre os principais resultados se pode citar o fato de que estudar a relação entre a inferência e o interpretante no pensamento de Peirce significa analisar como o signo nasce, cresce e se autocorrige seguindo uma intenção ou norma contida num tipo específico de interpretante (o interpretante final), que pode ser sintetizada na tendência do signo de representar o seu objeto em todos os aspectos possíveis. Sendo assim, verificou-se também que as bases lógicas do interpretante residem no conceito de causação lógica, já que o interpretante é o resultado mediato da ação do objeto por meio do signo; daí que a representação seja considerada como a forma ordenada de um processo lógico que acontece entre os três elementos do signo peirceano (representamem-objetointerpretante). É nesse sentido que se pode afirmar que uma das primeiras funções do interpretante é propiciar a inferência “tal signo representa tal objeto”, ponto de origem de qualquer signo e , portanto, de qualquer linguagem, e sobre o qual se fundamenta qualquer interpretação posterior. De fato, a origem inferencial do signo é um dos fundamentos da epistemologia anticartesiana de Peirce, o qual nega as bases intuitivas da ciência e do pensamento da sua época; para Peirce não há cognição imediata (intuição) do objeto conhecido, pois todo e qualquer conhecimento é mediado pelo signo e por conhecimentos anteriores. As bases inferenciais da epistemologia peirceana se sustentam no conceito matemático do continuum, ideia que no quadro geral da filosofia evolucionária de Peirce se conhece sob o nome de teoria do sinequismo. Desse modo, a cognição como processo inferencial pressupõe como logicamente possível uma regressão ao infinito em direção ao objeto, pois o significado de um signo é outro signo, e uma progressão ao infinito em direção ao interpretante final, pois todo signo é interpretado em outro signo subsequente. É nessas bases teóricas que se pode concluir que o ser do signo consiste em existir como um ente lógico.
This research has as object of study the relation between interpretant and inference in the semiotic theory of the American thinker Charles Sanders Peirce, and as method of working it was used the bibliographic research and interpretation of the concepts of interpretant and inference, in addition of the analysis of some examples where one can observe in an “empirical” way the action of those concepts. Among the main results we can mention the fact that to study the relation between inference and interpretant in Peirce‟s thought means analyzing how the sign arises, grows, and corrects itself following an intention or norm contained in a specific kind of interpretant (the final interpretant), intention or norm that one can resume in the sign‟s tendency to represent its object in all possible aspects. It was also found that the logical foundations of the interpretant reside in the concept of logical causation, since the interpretant is the mediate result of the object‟s action through sign; that is the reason why the representation is considered as the orderly form of a logical process that occurs among the three elements of Peirce‟s sign (representamen-object-interpretant). That is why it can say that one of the first functions of the interpretant is to provide the inference “such sign represents such object”, point of origin of any sign, and therefore of any language, and over which any posterior interpretation is based. In fact, the sign‟s inferential origin is one of the foundations of Peirce‟s anti-Cartesian epistemology, which denies the intuitive bases of the science and thought of his time; for Peirce there is no immediate cognition (intuition) of the object because any knowledge is mediated by the sign and previous knowledge. The inferential bases of the Percean epistemology stand in the mathematical concept of continuum, idea that in the general framework of Peirce‟s evolutionary philosophy is known under the name of synechism theory. Thereby the cognition as inferential process presupposes as logically possible a regression to infinity toward the object since the meaning of a sign is another sign, and a progression to infinity toward the final interpretant, since any sign is interpreted in a subsequent sign. On these theoretical bases one can conclude that the being of the sign consists in to exist as a logical entity.