Subjetividade e identidade na poesia topofílica de Zeca Preto

A grande diversidade cultural e a exuberância da natureza fazem de Roraima uma fonte de inspiração para os artistas locais, despertando neles a necessidade de cantar o seu lugar, a partir dos elementos que, na sua concepção, singularizam Roraima. Na década de 1980, a partir do Roraimeira, o uso dos...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2014
Main Author: Cleo Amorim Nascimento lattes
Orientador/a: Cátia Monteiro Wankler lattes
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade Federal de Roraima
Programa: Programa de Pós-Graduação em Letras - PPGL
Assuntos em Português:
Spanish Subjects:
Áreas de Conhecimento:
Online Access:http://www.bdtd.ufrr.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=183
Resumo Português:A grande diversidade cultural e a exuberância da natureza fazem de Roraima uma fonte de inspiração para os artistas locais, despertando neles a necessidade de cantar o seu lugar, a partir dos elementos que, na sua concepção, singularizam Roraima. Na década de 1980, a partir do Roraimeira, o uso dos elementos considerados caracterizadores da paisagem local nas artes tornou-se quase um estatuto, preocupado em reafirmar uma identidade: o ser de Roraima. Como dizem os versos da canção Boca da Mata, do compositor Neuber Uchôa, é Buriti com farinha na veia. Este ser de Roraima pode ser compreendido a partir do conceito de topofilia, utilizado por Yi-Fu Tuan (1980) para caracterizar os sentimentos de um grupo social ou cultural em relação ao lugar. Estes sentimentos topofílicos balizam, de certa forma, a poesia de Roraima, pois nela o lugar se apresenta como tecido da experiência humana, e não apenas como uma simples localização geográfica. Para as discussões acerca da constituição de uma identidade a partir das experiências com o lugar destacamos a poesia do Movimento Roraimeira, associada ao estabelecimento de uma identidade cultural roraimense, e ao qual se vincula Zeca Preto, cuja obra se constitui em nosso objeto de pesquisa. Esse cantor, compositor e poeta paraense vive em Roraima há mais de 30 anos e é um dos grandes nomes da poesia roraimense. Embora não seja nascido em Roraima, sua poesia demonstra fortes sentimentos topofílicos em relação a este lugar que ele reivindica como seu. Na produção de Zeca Preto, observa-se uma vinculação exacerbada dos textos aos elementos do cotidiano e da paisagem local, o que aponta para uma discussão acerca da busca da constituição e/ou afirmação de uma identidade cultural através da apresentação desta paisagem pelo(s) sujeito(s) poético(s). Diante disso, questionamo-nos como a expressão subjetiva se relaciona com a constituição de uma identidade roraimense na poesia topofílica de Zeca Preto, questão da qual trataremos no decorrer desta dissertação.