Uso de homeopatia em rebanhos leiteiros

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas, Florianópolis, 2016.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2016
Main Author: Marostega, Ana Paula Lazzaretti
Orientador/a: Kazama, Daniele Cristina da Silva
Co-advisor: Ribeiro, Deise Helena Baggio
Format: Dissertação
Language:por
Online Access:https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/175309
Resumo Português:A mastite bovina na forma clínica e /ou subclínica é um dos grandes entraves da produção de leite, tanto no Brasil como no mundo, por ser uma das principais doenças que afeta a saúde da vaca, podendo ser causada por reação inflamatória de origem infecciosa (frequentemente tem origem bacteriana), traumática ou tóxica. Dentre os micro-organismos que podem causar mastite, os do gênero Staphylococcus são bastante agressivos e relatados como um dos micro-organismos mais comumente encontrado colonizando o úbere. No tratamento convencional de animais acometidos pela mastite, o uso inadequado de antibiótico em muitas propriedades faz com que os micro-organismos desenvolvam resistência, além de apresentar um custo com o tratamento maior se comparado ao uso de homeopáticos, como demonstrado em alguns estudos. Além disso, a busca por produtos orgânicos vem crescendo no mundo nos últimos anos e, neste tipo de produção a sanidade animal deve ser controlada por meio de homeopatia e fitoterapia como determinado em legislações. Contudo, o tratamento homeopático é pouco utilizado pela carência de informações e evidências científicas deste método. No presente projeto, buscou-se avaliar o tratamento homeopático no controle da mastite como alternativa ao uso de antibióticos. O estudo foi realizado em duas propriedades rurais do Sul de Santa Catarina, nas cidades de Forquilhinha com 30 animais em lactação e Nova Veneza com 32 animais em lactação. Durante seis meses de acompanhamento, os animais que apresentaram mastite foram submetidos ao tratamento homeopático e avaliados até que as amostras de leite apresentassem negativas ao teste california mastitis test (CMT). O critério para o início do tratamento na primeira visita foi teste positivo no CMT e a partir da segunda visita, CMT positivo e contagem de células somáticas (CCS) acima de 400.000 cel/mL. O método homeopático avaliado foi a homeopatia Unicista com a forma repertorial em Gênio Epidêmico através da anamnese do rebanho para a escolha do melhor medicamento simillimum, sendo na propriedade 1 o medicamento utilizado foi Pulsatilla nigricans e na propriedade 2 o Phosphorus. O leite dos animais foi coletado antes do início do tratamento e durante o tratamento com um intervalo entre as coletas variando entre 13 e 21 dias. Os parâmetros avaliados foram: CCS e demais constituintes (gordura, proteína, lactose, sólidos totais) por animal. Foram tratados 17animais de um total de 30 na propriedade 1 e 15 de 32 na propriedade 2. Na propriedade 1 a incidência de mastite permaneceu constante antes e após o uso da homeopatia (39% no início e 38% ao final do período acompanhado), porém, reduziu a média de CCS dos animais tratados (de 790,86 x 1000 cél/mL para 260,17 x 1000 cél/mL) de forma significativa (p<0,02). Já na propriedade 2, a incidência de mastite no rebanho foi de 55% inicialmente para 24% ao final do período acompanhado, porém, a redução na média de CCS não foi significativa nos animais tratados. Não houve diferença significativa quanto aos componentes do leite (gordura, proteína, lactose e sólios totais) dos animais ao longo do tratamento, e os valores dos mesmos estão de acordo com a instrução vigente Considerando os resultados divergentes do presente trabalho, no qual houve redução dos valores de CCS, mas não da incidência de mastite, na propriedade 1, e redução da incidência de mastite, porém sem variação nos valores de CCS na propriedade 2, são sugeridos novos estudos com a utilização da homeopatia unicista através do método gênio epidêmico no controle da mastite bovina.<br>
Resumo inglês:Abstract : Bovine clinical and subclinical mastitis is one of the obstacles for milk production in Brazil and in the world, it is one of the main diseases affecting cattle health and it may be caused by an inflammatory reaction of infectious (frequently bacterial origin), traumatic or toxic origin. Among micro-organisms causing mastitis, the genera Staphylococcus are highly aggressive and studied as one of the most commonly micro-organisms found colonizing the udder. Inappropriate use of antibiotics in several farms, as the conventional treatment of animals with mastitis, promotes development of resistant micro-organisms, besides presenting higher costs when compared to homeopathic medicines use, as demonstrated by some studies. In addition, seek for organic products has been growing in the world over the last years and, among this sort of production, animals? sanity must be controlled through homeopathy and phytotherapy, as determined by legislations. However, homeopathic treatment is not commonly used due to lack of information and scientific evidence concerning this method. This study aimed to evaluate homeopathic treatment for mastitis control as an alternative to antibiotics use. This study was conducted in two rural properties in the South of Santa Catarina, in Forquilhinha with 30 lactating cows and Nova Veneza with 32 lactating cows. During six months follow-up, animals presenting mastitis were submitted to homeopathic treatment and evaluated until milk samples presented negative results for California Mastitis Test (CMT). Criteria used for treatment onset in the first visit was the positive result for CMT and from the second visit on, was the CMT positive and somatic cell count (SCC) higher than 400,000 cell/mL. The homeopathic method evaluated was unicist homeopathy with repertory in Genus Epidemicus through anamnesis of the herd in order to choose the best simillimum remedy; the remedy used in the property 1 was Pulsatilla nigricans and in the property 2 was Phosphorus. Milk was collected from animals before the beginning of the treatment and during the treatment with intervals between collections varying between 13 and 21 days. Parameters evaluated were: SCC and other components (fat, protein, lactose, total solids) per animal. Seventeen (17) animals out of 30 in the property 1 and fifteen (15) out of 32 in the property 2 were treated. In the property 1 mastitis incidence remained constant before and after homeopathy use (39% in the beginning and 38% in the end of the follow-up period), however, it significantly reduced (p<0,02) the average of SCC among treatedanimals (from 790,86 x 1000 cell/mL to 260,17 x 1000 cell/mL). In the property 2, mastitis incidence was initially from 55% to 24% in the end of the follow-up period; however, SCC average reduction was not significant among treated animals. There was no significant difference regarding milk components (fat, protein, lactose and total solids) of animals throughout treatment, and their values are in agreement with current instructions. Considering divergent results of this study, which found SCC values reduction, although, mastitis incidence remained constant in the property 1, and reduction of mastitis incidence, although, SCC values remained equal in the property 2; further studies using unicist homeopathy through Genus Epidemicus method to control bovine mastitis are suggested.