A interação humano-animal e o uso de homeopatia em bovinos de leite

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Agrárias. Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2006
Main Author: Honorato, Luciana Aparecida
Orientador/a: Hötzel, Maria José
Co-advisor: Karam, Karen Follador
Format: Dissertação
Language:por
Published: Florianópolis, SC
Online Access:http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/89256
Resumo Português:Um fator importante para o bem-estar de animais de produção é a forte interação humano-animal decorrente do processo de produção, que por sua vez, é norteada pelas atitudes dos humanos em relação aos animais. O objetivo deste trabalho foi estudar aspectos da interação humano-animal que possam ser influenciados pelo uso de homeopatia em bovinos de leite, a sua influência sobre a saúde e bem-estar animal e as motivações dos agricultores para adotar ou não a homeopatia. Para este estudo foram escolhidos 20 estabelecimentos de agricultores familiares envolvidos na atividade leiteira nos municípios de Antonio Prado e Ipê- RS, sendo que 9 desses produtores usavam medicamentos homeopáticos no seu rebanho e 11 não usavam. A metodologia adotada envolveu observações do comportamento humano (nomear e falar com os animais, contatos positivos e negativos com os mesmos, uso de maneias na ordenha e uso de objetos e de cachorro na condução dos animais), entrevistas com 27 manejadores dos animais para verificar suas atitudes em relação aos animais, e observações do comportamento (teste de docilidade e distância de fuga das vacas em lactação) e exames clínicos dos animais. As condições de saúde dos animais estavam semelhantes nos dois grupos; porém, pôde-se verificar diferenças comportamentais nos animais: a distância de fuga média dos rebanhos sob uso de homeopatia foi de 0,94 metros e do rebanho convencional foi de 1,94 metros (p=0,04). Houve também uma tendência à maior docilidade nos animais sob uso de homeopatia, onde o escore médio foi de 1,33, e de 1,69 para os que não usavam homeopatia (p=0,08). Uma das possíveis explicações para a diferença encontrada seria que, com o uso de medicamentos homeopáticos na alimentação, o que exige uma menor movimentação para fins tratamentos veterinários e procedimentos dolorosos e de contenção, as interações negativas dos tratadores com os animais seriam reduzidas, evitando assim o estresse dos animais. Houve uma tendência (p=0,13) a haver menos comportamentos negativos dos manejadores que usavam homeopatia do que os que não usavam. Além disso, os medicamentos homeopáticos, apesar de administrados visando o combate de doenças específicas, podem ter agido também no comportamento dos animais. Não houve diferença estatística entre os dois grupos quanto às atitudes dos entrevistados com relação aos animais nem correlação entre as atitudes e os comportamentos dos mesmos. Porém, na análise de conteúdo, algumas opiniões sobre características positivas das vacas tiveram correspondência com comportamentos positivos dos manejadores. A partir destes resultados é possível sugerir que a omeopatia, por sua aplicação menos aversiva e seu efeito terapêutico, em combinação com o comportamento dos manejadores, tenham atuado sobre o bem-estar dos animais reduzindo o estresse, num processo de retroalimentação positiva.