Influência da musicoterapia no comportamento de animais em desenvolvimento

Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências Médicas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, 2015.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Sampaio, Waneli Cristine Morais
Orientador/a: Ferreira, Vania Maria Moraes
Format: Dissertação
Language:por
Online Access:http://repositorio.unb.br/handle/10482/18865
http://dx.doi.org/10.26512/2015.05.D.18865
Citação:SAMPAIO, Waneli Cristine Morais. Influência da musicoterapia no comportamento de animais em desenvolvimento. 2015. 74 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.
Resumo inglês:A depressão, a ansiedade e os prejuízos cognitivos são encontrados com frequência em pacientes com diversas patologias. Existem várias intervenções terapêuticas disponíveis como, por exemplo, a música, que pode ser utilizada como ferramenta na reabilitação de pacientes com alguns desses tipos de manifestações clínicas. A Musicoterapia utiliza o som para alcançar propriedades terapêuticas, psicoprofiláticas e/ou de reabilitação. O uso da música, por meio desta técnica, tem demonstrado melhorias na atenção, motivação, relaxamento e vocalização. Desta maneira, considerando o poder restaurador da música, esta pesquisa foi conduzida para investigar a influência da Musicoterapia no comportamento de ratos, em diferentes fases de desenvolvimento. Para tal, foram utilizados ratos Wistar machos (n=10) e fêmeas (n=10), em condições padronizadas de laboratório. Os procedimentos foram realizados quando os animais estavam com cerca de 1 mês de idade e repetidos quando eles completaram 2, 3 e 4 meses, sendo divididos em dois grupos: 1) Controle, e 2) Musicoterapia. Para este último grupo, a Sonata de Mozart para 2 Pianos foi tocada em um intensidade de som de 65 decibéis durante quatro horas por dia, sendo duas horas pela manhã e duas horas pela tarde (intervalo de aproximadamente 12 horas, por 4 dias), quando os animais atingiram cada idade. Os testes experimentais utilizados foram: Campo Aberto (locomoção), Labirinto em Cruz Elevado - LCE (ansiedade), Nado Forçado (depressão/estresse) e Esquiva Inibitória (memória). Foi observado no teste do Campo Aberto, que quanto maior eram as idades dos ratos machos, menores eram as suas medidas de locomoção. Nesse caso, os ratos com quatro meses locomoveram-se significantemente menos do que nas demais idades. No LCE, os ratos fêmeas que receberam música com 1, 2 e 3 meses de idade aumentaram o percentual de tempo nos braços abertos do labirinto, enquanto que os ratos machos com 1 mês de idade reduziram esse parâmetro. No Nado Forçado as diferenças estatísticas foram observadas somente com 1 mês de idade para ambos os sexos, onde as fêmeas aumentaram o tempo de imobilidade no tanque, enquanto os machos reduziram esse parâmetro após a Sonata de Mozart. Por fim, na Esquiva Inibitória, observou-se uma melhora da memória de forma dependente da idade. Com base nestes resultados, sugere-se que a Musicoterapia baseada na Sonata de Mozart pode produzir efeito ansiolítico (em ratos fêmeas) ou ansiogênico (em ratos machos). Em contrapartida, os comportamentos relacionados ao nível de estresse/depressão foram observados somente nos animais com 1 mês de idade, para ambos os sexos, visto que os machos tenderam a ter maior nível de estresse, enquanto as fêmeas ficaram mais apáticas e imóveis. No que diz respeito aos aspectos cognitivos dos animais, o aumento no tempo de permanência na plataforma, pode ter sido em decorrência do processo adaptativo decorrente das sucessivas repetições dos testes, não em decorrência da terapia com a Sonata de Mozart. Desta maneira, sugere-se que a música, na maioria das vezes, tem poder de intervir de forma positiva a minimizar as alterações comportamentais relacionadas principalmente com a ansiedade e a depressão.