O problema da percepção na psicanálise de Freud a Lacan

Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Departamento de Psicologia Clínica e Cultura, Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura, 2016.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2016
Main Author: Lagoas, Juliano Moreira
Orientador/a: Chatelard, Daniela Scheinkman
Format: Tese
Language:por
Online Access:http://repositorio.unb.br/handle/10482/19964
http://dx.doi.org/10.26512/2016.02.T.19964
Citação:LAGOAS, Juliano Moreira. O problema da percepção na psicanálise de Freud a Lacan. 2016. 193 f., il. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.
Resumo inglês:Esta tese procura investigar o sentido do problema da percepção na psicanálise de Freud a Lacan. Partimos da constatação de que a abordagem dos fenômenos perceptivos encontra-se inicialmente circunscrita, em Freud, pela necessidade do estabelecimento de um “sistema percepção-consciência” que forneça um modelo explicativo das relações do aparelho psíquico com a realidade externa. Mas à luz da “hipótese do inconsciente”, a formulação desse sistema impõe esforços de conceitualização que exigirão de Freud o forçamento dos modelos epistemológicos que a física, a biologia e a psicologia de sua época lhe forneciam. O principal objetivo deste trabalho é mostrar que os obstáculos à construção de uma teoria psicanalítica da percepção são correlativos dos efeitos subversivos promovidos pela hipótese do inconsciente no campo da racionalidade psicológica. Nesse sentido, o trabalho se estrutura a partir de dois eixos principais: (i) acompanhar e evidenciar a deformação das concepções clássicas da percepção no interior do regime conceitual freudiano; (ii) extrair as consequências das teorias lacanianas do “significante” e do “objeto a” para o problema das relações entre consciência e percepção. O primeiro eixo, freudiano, começa com o ciframento do “enigma” da consciência perceptiva através da “hipótese do inconsciente”. Em seguida, a estrutura temporal da percepção é descortinada na realização alucinatória do desejo. Mais adiante, a noção de das Ding reposiciona o “fato” da percepção no campo da verdade. E, finalmente, encontra-se o conceito de “denegação” (Verneinung) como operador lógico da deformação das concepções clássicas da percepção. O segundo eixo, lacaniano, inicia-se com o desmembramento da “síntese do eu” por meio da teoria do “estádio do espelho”, revelando o estatuto imaginário da “consciência perceptiva”. Em seguida, a dissensão tópica do “sistema percepção-consciência” é literalizada pela interpolação da estrutura significante entre a consciência e a percepção, fazendo, assim, o sujeito da percepção surgir como efeito de linguagem, e o percebido, como discurso. E, por fim, o conceito de objeto a, desenvolvido aqui a partir da experiência do “olhar”, demonstra que ordem do perceptivo não se reduz nem ao “imaginário” da consciência perceptiva, nem ao “simbólico” do sujeito da percepção, mas implica uma ordem de causalidade. O entrecruzamento dos dois eixos do trabalho se dá no ponto de junção entre a deformação do conceito de percepção e a emergência da causa real do percebido.