“Não vê que neste mundo não tem cabaça” : espacialidades e identidades em Barra de Aroeira - TO

Tese (doutorado)-Universidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, 2011.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2011
Main Author: Dias, Luciene de Oliveira
Orientador/a: Chaves, Christiane de Alencar
Format: Tese
Language:por
Online Access:http://repositorio.unb.br/handle/10482/9934
Citação:DIAS, Luciene de Oliveira. “Não vê que neste mundo não tem cabaça” : espacialidades e identidades em Barra de Aroeira - TO. 2011. 253 f., il. Tese(Doutorado em Antropologia)-Universidade de Brasília, Brasília, 2011.
Resumo inglês:Neste trabalho apresento uma abordagem sobre Barra de Aroeira, onde vive o grupo humano herdeiro de Félix José Rodrigues que, em 1871, recebeu de Dom Pedro II um Decreto Imperial concedendo vasta extensão de terras como recompensa pelo seu bom desempenho na Guerra do Paraguai. Félix José Rodrigues escolheu para si e para seus descendentes a região do Jalapão, em um local mais próximo à atual cidade de Lagoa do Tocantins. Contudo, o processo histórico de perda territorial e a “febre braba” de 1915 contribuíram para fazer com que o grupo deixasse a condição de espalhado e se concentrasse onde estão hoje as moradias. Quando afirmam que no mundo da Barra não há cabaça, os moradores oferecem canais para que saibamos os porquês desta definição e instigam a busca por saber o que há então na Barra. Daí, ser possível a construção a partir do Brejo Grande que reúne cotidianamente mulheres e crianças do grupo para lavar roupas. O trabalho etnográfico que garantiu esta escrita se estendeu entre 2008 e 2009, tendo ainda o suporte das pesquisas documental e bibliográfica. Os movimentos e atualizações mostrados por membros do grupo sinalizam que a luta histórica é pelo resgate do documento que comprove a propriedade das terras ocupadas, uma vez que o original se perdeu em um incêndio na casa onde era guardado. O deslocamento de comitiva até a Capital Federal ainda na década de 1950; as articulações políticas contra a instituição de novos municípios após a criação do estado do Tocantins em 1988; as ações da Associação para garantir cidadania desde 2004; as interações que conduziram ao reconhecimento como quilombola em 2006 e todas as demais ações de afirmação do grupo contribuem para a construção deste espaço identitário que prevê significações específicas de gênero, étnicas e sociais. São estas significações que busco aqui apreender, destacando que a atualização das interações conduz também à liberdade de dizer do elevado grau de afeição entre os agentes que constroem esta história. ______________________________________________________________________________ ABSTRACT
In this thesis, I present an approach of Barra de Aroeira, where in this place lives a Rodrigues' descendant human group. In 1871, this group received an Imperial Decree from Dom Pedro II and it was given a large portion of land as a reward for the great performance in the Paraguayan War. Félix José Rodrigues chose for himself and his descendants a location near to Lagoa do Tocantins city, in Jalapão region. However, the historical process of territorial loss and a strong fever, in 1915, prompted to the group to leave from a condition of widespread to a concentration where the houses are now. When residents say there is no gourds in the Barra´s world, they provide channels for us to know the whys of this definition and instigate the quest to know what's the Barra. Hence, it is possible to build this argument from the Brejo Grande which brings together women and children of the group to wash clothes, every day. The ethnographic work that ensured this writing was extended between 2008 and 2009 based with documentary and bibliographic research. The movements and updates shown through the group members indicate that the fight is for the historical document’s rescue proving ownership of land, because the original was lost by fire into a house where it was kept. The displacement of a delegation to the Federal Capital in the decade of 1950, the joint policy against the creation of new towns after the creation of Tocantins state in 1988, the actions of the Association to secure citizenship since 2004, the interactions that led to the recognition in 2006 and all remaining shares of affirmation of the group contribute to the construction of this identity space which provides specific meanings of gender, ethnic and social. These are the meanings that I seek to grasp here, highlighting that the update of the interactions also lead to the freedom to say the high degree of affection between the agents who build this story.