Impactos da adoção do padrão contábil IFRS no Brasil : houve redução na percepção do risco de seleção adversa pelos credores não bancários das empresas de capital aberto brasileiras?

Dissertação (mestrado)—UnB/UFPB/UFRN, Programa MultiInstitucional e Inter-Regional de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, 2016.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2016
Main Author: Gonçalves, Afonso Arinos de Farias
Orientador/a: Fernandes, Bruno Vinícius Ramos
Format: Dissertação
Language:por
Online Access:http://repositorio.unb.br/handle/10482/20543
http://dx.doi.org/10.26512/2016.02.D.20543
Citação:GONÇALVES, Afonso Arinos de Farias. Impactos da adoção do padrão contábil IFRS no Brasil: houve redução na percepção do risco de seleção adversa pelos credores não bancários das empresas de capital aberto brasileiras?. 2016. 92 f., il. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis)—Programa Multi-institucional e Inter-Regional de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, Universidade de Brasília, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasília, 2016.
Resumo inglês:As organizações são propelidas a informar sobre si de maneira que outros interessados em suas operações também possam verificar o uso dos seus recursos financeiros por elas. O investidor deve receber informações úteis para sua tomada de decisão no momento em que decida direcionar os seus recursos financeiros. Mesmo assim, ainda existe uma desigualdade nas informações sobre os eventos econômicos e transações financeiras obtidas pelos diversos agentes com algum envolvimento com a organização. Há uma assimetria da informação entre os diversos interessados na organização e a própria e ela não é percebida igualmente entre os interessados na organização. Visando lidar com este problema, foi publicado pelo InternationalAccounting Standards Board (IASB) um novo padrão contábil, o Internacional Financial Reporting Standards ou Padrões Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS). O Brasil tornou obrigatória a publicação dos demonstrativos financeiros neste padrão em 2010. Dadas as diferentes perspectivas sobre o risco de uma empresa pelos diversos credores, espera-se que a introdução do IFRS no Brasil, tenha proporcionado uma redução maior das taxas de juros cobradas por credores não bancários que aquelas cobradas pelos bancos. O objetivo deste trabalho consistiu em verificar, a partir das informações contábeis de empresas de capital aberto bem como das taxas de juros cobradas das mesmas, a possível redução na assimetria de informação percebida pelos bancos e pelos debenturistas após a adoção do padrão contábil IFRS no Brasil em 2010. Para investigar empiricamente o objetivo acima, foram estabelecidos os objetivos específicos, que foram investigados empiricamente: i) verificou-se se a taxa de juros bancária foi significante e negativamente afetada após a introdução do padrão contábil IFRS no Brasil; ii) verificou-se se a taxa de juros das debêntures foi significante e negativamente afetada após a introdução do padrão contábil IFRS no Brasil e iii) verificou-se se as taxas de juros bancárias e as taxas de juros das debêntures foram diferentemente impactadas após a introdução do padrão contábil IFRS no Brasil. Foram utilizadas informações contábeis de uma amostra de 22 empresas com ações negociadas na BM&FBovespa ininterruptamente desde o quarto trimestre de 2003 até o quarto trimestre de 2014. O trabalho trouxe como contribuição a utilização como dados segregados das variáveis dependentes, as taxas de juros, cobradas por bancos e pagas nas debêntures, retiradas das Notas Explicativas. Os resultados indicam que houve benefícios para os debenturistas em relação ao risco de seleção adversa e redução da assimetria da informação, a introdução do padrão contábil IFRS no Brasil em 2010, tendo em vista a variável dummy utilizada para IFRS ter sido significante a 5% para a regressão com a taxa de juros das debêntures. O mesmo não aconteceu para o bancos. Além disto, também há indicações de que o efeito sobre as taxas de juros cobradas por debenturistas foi negativamente afetada pela adoção. Uma possível conclusão é que a introdução do padrão contábil IFRS implicou na redução da assimetria da informação entre os debenturistas e as empresas. Não houve como concluir que os bancos foram beneficiados. Das variáveis de controle utilizadas, apenas CDI e DOLAR foram significativas nos dois modelos. Estes, por sua vez, apresentaram pouco poder explicativo, pois observou-se baixos valores para R2 e o teste F das regressões. Para futuras pesquisas, sugere-se o aumento da amostra utilizada, bem como a utilização de outras proxies para verificar o nível de risco percebido pelos bancos e debenturistas.