Características e avaliação de programas brasileiros de atendimento educacional ao superdotado

Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde, 2015.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Carneiro, Liliane Bernardes
Orientador/a: Fleith, Denise de Souza
Format: Tese
Language:por
Online Access:http://repositorio.unb.br/handle/10482/19234
http://dx.doi.org/10.26512/2015.12.T.19234
Citação:CARNEIRO, Liliane Bernardes. Características e avaliação de programas brasileiros de atendimento educacional ao superdotado. 2015. xv, 178 f., il. Tese (Doutorado em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.
Resumo inglês:As propostas para educação de superdotados visam suplementar ou complementar as necessidades educacionais do aluno, oferecendo-lhe condições favoráveis ao desenvolvimento intelectual, criativo, social e emocional. A partir dessa perspectiva, essa investigação teve como objetivo mapear e avaliar programas de atendimento educacional para superdotados no Brasil. Os dados foram coletados em três etapas. Na primeira etapa, a investigação incidiu no levantamento de programas existentes no país. A segunda etapa constou do envio e recolhimento dos protocolos de investigação a representantes, coordenadores, professores e ou responsáveis pelos atendimentos ao superdotado e teve como finalidade a caracterização dos programas brasileiros. Na terceira etapa foram realizadas entrevistas para, principalmente, averiguar a percepção de gestores e professores quanto à avaliação que fazem dos programas dos quais participam. Os dados coletados pelo protocolo de investigação foram analisados por meio de estatística descritiva e as entrevistas por meio da análise de conteúdo. Os participantes da pesquisa tinham alto nível de formação profissional e experiência na área de educação. Os resultados demonstraram que grande parte dos programas era de natureza pública, muitos deles tinham quase uma década de existência e ainda não tinham consolidado seus serviços para atender as necessidades dessa demanda escolar. O número de superdotados atendidos nos programas brasileiros é irrisório, comparado ao quantitativo de alunos matriculados na educação básica, conforme Censo Escolar 2014. As regiões Sudeste e Centro-Oeste são as que apresentaram programas mais consistentes quanto às propostas de educação do superdotado e a região Nordeste foi a mais deficitária no que se refere à implementação de serviços para atender a essa demanda escolar. O referencial teórico adotado em grande maioria dos programas é o idealizado por Joseph Renzulli. Quanto à identificação, seleção e avaliação de alunos, notou-se que os professores são os que mais participam desse processo e usam a observação como prática usual nesse procedimento. Há prevalência na identificação de meninos. Nem todos os programas tinham em sua equipe de trabalho o profissional psicólogo. Em relação à orientação e apoio socioemocional à família, os participantes assinalaram que os programas oferecem esses serviços por meio de reuniões, palestras, cursos, entre outros. De forma geral, a avaliação dos profissionais não é muito positiva no que se refere às ações do Ministério da Educação (MEC) e das secretarias estaduais e municipais de educação na área de superdotação. Mas, quando foram avaliados os serviços oferecidos pelos programas nos quais atuam, os participantes tenderam a valorizá-los. Como ponto positivo dos programas, gestores e professores assinalaram à contribuição das atividades oferecidas no atendimento para o desenvolvimento do aluno, e como pontos a serem melhorados foram citados a infraestrutura e os recursos materiais. Espera-se que os resultados deste estudo tragam subsídios para outras pesquisas, ampliem a discussão sobre a inclusão dos superdotados em programas de atendimento educacional, e fomentem a reflexão sobre como gestores potencializam ações e serviços com vistas a melhorar e expandir as oportunidades educacionais no contexto escolar.