Limites e possibilidades no acolhimento com classificação de risco de um pronto socorro pediátrico no DF

Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Enfermagem, Programa de Pós Graduaçao em Enfermagem, 2012.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2012
Main Author: Martins, Alexandra Daniela Marion
Orientador/a: Pinho, Diana Lúcia Moura
Format: Dissertação
Language:por
Online Access:http://repositorio.unb.br/handle/10482/11524
Citação:Martins, Alexandra Daniela Marion. Limites e possibilidades no acolhimento com classificação de risco de um pronto socorro pediátrico no DF. 2012. 82 f., il. Dissertação (Mestrado em Enfermagem)—Universidade de Brasília, Brasília, 2012.
Resumo inglês:O serviço de emergência é uma das alternativas de acesso ao Sistema Único de Saúde. Diferente de outras entradas de acesso ao sistema público de saúde, no Pronto Socorro, a superlotação é um panorama frequente que causa inúmeros transtornos ao serviço e ao usuário. Como forma de organização do atendimento por abordagem mais humanizada, a Política Nacional de Humanização recomenda o uso da tecnologia de Acolhimento com Classificação de Risco. Dentre outros benefícios, tal tecnologia possibilita espaço para escuta qualificada que resulta em classificação do usuário segundo sua necessidade de atendimento e resolutividade. Apesar de se observar a implantação do Acolhimento com Classificação de Risco no pronto socorro de hospitais no Distrito Federal, até o momento não se encontrou informações suficientes para se pensar o planejamento e organização deste serviço. Deste modo, o presente estudo teve como objetivo analisar o processo do Acolhimento com Classificação de Risco no Pronto Socorro pediátrico do Hospital Regional de Ceilândia, no período de setembro de 2009 a agosto de 2010 e a percepção dos enfermeiros sobre o processo. Trata-se de delineamento com métodos misto sequencial. Inicialmente, utilizou-se a estrutura exploratória e qualitativa, para se descrever o fluxo de acesso pelo usuário. Na sequencia, a estratégia quantitativa com enfoque retrospectivo, para o levantamento longitudinal de dados secundários obtidos de registros do próprio serviço. Por fim, entrevistas para apreender a percepção dos enfermeiros envolvidos no processo de acolhimento. Dois pontos críticos foram evidenciados no fluxograma de acesso ao serviço pelo usuário, o primeiro antes do Acolhimento com Classificação de Risco e o segundo antes da avaliação médica, responsáveis pelo aumento do tempo de espera. O perfil de usuários no período estudado foi caracterizado por predominância de crianças do sexo masculino (53%), lactentes (46,9%), classificados principalmente nas categorias verde (53,7%) e amarela (36,1%), residentes em Ceilândia (76%) e pertencentes à abrangência dos Centros de Saúde número 8 (13,2%), 9 (12,5%) e 11 (10,9%). Encontrou-se uma diversidade de 343 queixas, sendo que 45% não constavam no protocolo usado para classificar. As queixas mais frequentes, independente do nível de classificação de risco foram febre, tosse e vômito, permanecendo com alta incidência em todos os meses estudados. Quanto ao discurso dos enfermeiros, se percebeu alta aceitação e identificação de importância do trabalho de priorização do atendimento. Foram relatadas dificuldades para o atendimento das classificações não urgentes e dificuldade de contra-referenciar os usuários. Conclui-se que o Acolhimento com Classificação de Risco no Pronto Socorro pediátrico do Hospital Regional de Ceilândia funciona com uma alta demanda de usuários não urgentes constatou-se que várias queixas dos usuários não constam no protocolo vigente. A implantação do Acolhimento com Classificação de Risco contribuiu para a organização da demanda no Pronto Socorro Pediátrico do HRC, entretanto ainda não estabelece comunicação com outros níveis do Sistema Único de Saúde, colocando em evidência a fragilidade do sistema de referencia e contra-referencia dificultando o acesso dos usuários ao sistema de saúde. Por fim, considera-se que as informações acumuladas com dois anos de funcionamento do acolhimento, podem orientar um protocolo mais adequado para a realidade de saúde local e promover aprimoramento no uso desta tecnologia. ______________________________________________________________________________ ABSTRACT
The emergency department is an alternative access to the Brazilian Health System. Unlike other entrances to the public health system overcrowding is a common scenario that causes numerous disorders to the service and the user. As a way of organizing care for a more humane approach, the National Humanization Policy recommends the User Embracement with Risk Rating technology. Among other benefits, this technology allows space for qualified hearing that results in a user classification according to his need for attention and solution. While observing the User Embracement with Risk Rating implementation in the emergency department of the Federal District hospitals, no information was found to support this service planning and organization. Thus, this study aimed to analise the User Embracement with Risk Rating process in the Pediatric Emergency of Ceilândia Regional Hospital, between September 2009 and August 2010 and its nurses perception. It is a sequential mixed method. It was used qualitative exploratory structure by observing the service to describe the user access flow. A longitudinal quantitative analysis of a year data was used on an exploratory retrospective study with both descriptive and analytical approach. Also a qualitative analysis was used to assess the nurses perceptions regarding the use the studied technology. Secondary data were obtained from the service records and primary data were collected from the user access observation to the Emergency Department and interviews with nurses. Two narrowed access were observed in the flow chart, one before the User Embracement with Risk Rating and another before the medical evaluation. It was responsible for users long waiting periods. The users profile during the study period was characterized by male children (53%), infants (46.9%), mainly in the green (53.7%) and yellow category (36.1%), residents in Ceilândia (76%) and near of the Health Centers number 8 (13.2%), 9 (12.5%) and 11 (10.9%). It was found a range of 343 user complaints, of which 45% were not included in the triage protocol. The most common were fever, cough and vomiting, with a high incidence in all the studied months. The nurses reported high acceptance of the triage system and identified the prioritization work important. The difficulties were to attend the non urgent users and to counter-reference users. It is concluded that the User Embracement with Risk Rating in the Pediatric Emergency of Ceilândia Regional Hospital works with a high users demand having several non-urgent complaints that are not included in the triage protocol. It was also noted that this service does not establish communication with other Brazilian Health System units. Finally, it is considered that the information gathered with two years the user embracement operation, can guide a best suited protocol to the reality of local health, and promote improvements in this technology use.