Corredores do silêncio : territórios e territorialidades de resistência da cultura surda

Territorialidade de resistência é a denominação dada nesse trabalho para os grupos de cultura de identidade que contestam a imposição da cultura majoritária a partir da sua singularidade de grupo que tentam preservar e ampliar seus projetos políticos de expansão de suas territorialidades. Esse traba...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2015
Main Author: Silva, Claudionir Borges da
Orientador/a: Rego, Nelson
Format: Tese
Language:por
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Online Access:http://hdl.handle.net/10183/128033
Resumo Português:Territorialidade de resistência é a denominação dada nesse trabalho para os grupos de cultura de identidade que contestam a imposição da cultura majoritária a partir da sua singularidade de grupo que tentam preservar e ampliar seus projetos políticos de expansão de suas territorialidades. Esse trabalho apresenta indicativos metodológicos para a análise dessas territorialidades, cuja reflexão parte da discussão sobre a territorialidade de resistência da cultura surda com enfoque na língua brasileira de sinais (Libras) como elemento fundamental para a constituição das comunidades surdas como grupo de cultura de identidade. Para comprovar a constituição das comunidades surdas em territorialidades de resistência, são empregadas metodologias e referenciais teóricos da Nova História Cultural. Essas metodologias envolvem a análise de discurso da autobiografia entusiástica e interpelação presente nos depoimentos de surdos extraídos das obras de Strobel (2008) e Costa (2007). A seleção dos fragmentos dos depoimentos dos entrevistados apresentados pelas duas pesquisadoras citadas seguiu três critérios: utilização da língua de sinais em condições desfavoráveis como forma de resistência à vigilância ouvinte; atitudes e medidas de repressão aos surdos por usarem a língua de sinais; narrativas dos surdos que tomam a língua de sinais como principal elemento identitário. Nos depoimentos citados são destacados em negrito os fragmentos dos discursos referentes aos três critérios mencionados com o intuito de comprovar a utilização da língua de sinais como mito fundacional da cultura surda e a respectiva constituição de territorialidade de resistência. Trata-se, portanto, da análise de fontes secundárias com utilização metodológica da Nova História Cultural mediante a análise de fragmentos de discurso que expressem a interpelação, a autobiografia entusiástica e o uso da língua de sinais como mito fundador que fortalece as comunidades surdas enquanto grupo de cultura de identidade a partir da autodenominação de povo surdo.
Resumo inglês:Territoriality of resistance is the name given in this thesis for the identity culture groups that challenge the imposition of the majority culture on the basis of their group singularity, and which try to preserve and enhance their political projects of expansion of their territorialities. This study presents methodological indicatives for the analysis of these territorialities, a reflection on the basis of the discussion about territoriality of resistance of the deaf culture with a focus on the Brazilian sign language (Libras) as a fundamental element for the constitution of deaf communities as a culture and identity group. To substantiate the assertion that deaf communities are territorialities of resistance, methodologies and theoretical references from the New Cultural History are employed. These methodologies involve discourse analysis of the enthusiastic autobiography and questioning present in testimonies by deaf people extracted from the works of Strobel (2008) and Costa (2007). The selection of testimony fragments of the interviewees presented by the two authors followed three criteria: utilization of sign language in unfavorable conditions as a form of resistance to the listening vigilance; attitudes and measures of repression of deaf people for their usage of sign language; narratives of deaf people that take sign language as their main identity element. In the cited testimonies, the portions dedicated to these three criteria are in bold with the intention of substantiating the claim that the usage of sign language is the founding myth of deaf culture and the corresponding constitution of a territoriality of resistance. It is, therefore, the analysis of secondary sources with usage of New Cultural History methodologies through the analysis of discourse fragments that express questioning, enthusiastic autobiography and the usage of sign language as a founding myth that strengthens the deaf community as a culture and identity group on the basis of the self-determination of the deaf people.