A educação no “século do cérebro” : análise de interlocuções entre neurociências e educação a partir dos estudos da ciência

O desenvolvimento expressivo das Neurociências, verificado a partir dos anos 1990, tem implicado a disseminação de seus estilos de pensamento tanto para além do mundo acadêmico, na cultura popular, quanto em disciplinas científicas que, em princípio, não teriam relação com esse campo. Em decorrência...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2016
Main Author: Amaral, Jonathan Henriques do
Orientador/a: Santos, Luís Henrique Sacchi dos
Format: Tese
Language:por
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Spanish Subjects:
Online Access:http://hdl.handle.net/10183/147797
Resumo Português:O desenvolvimento expressivo das Neurociências, verificado a partir dos anos 1990, tem implicado a disseminação de seus estilos de pensamento tanto para além do mundo acadêmico, na cultura popular, quanto em disciplinas científicas que, em princípio, não teriam relação com esse campo. Em decorrência disso, áreas de pesquisa híbridas têm se constituído, tais como o campo de interlocuções entre Neurociências e Educação – foco do presente estudo. O objetivo deste trabalho foi analisar de que forma tem ocorrido a constituição dessa nova área, atentando para os estilos de pensamento que têm se formado a partir desse diálogo interdisciplinar. Para tanto, foram analisados trabalhos acadêmicos produzidos nesse novo campo de interlocuções e entrevistados pesquisadores envolvidos com a produção de conhecimento nesse campo. A análise dos dados obtidos foi desenvolvida com base no referencial dos Estudos da Ciência, levando em conta principalmente as contribuições clássicas de Ludwik Fleck, atualizadas por pesquisadores contemporâneos. A partir da pesquisa realizada, foi formulada a tese de que as interlocuções entre Educação e Neurociências não constituem um empreendimento determinista ou reducionista, como advogam alguns de seus críticos: pelo contrário, pesquisadores da área postulam que a adequada compreensão do sistema nervoso deve levar em conta as interações constantemente estabelecidas entre biologia e ambiente. Além disso, esses pesquisadores têm procurado dialogar com teorias tradicionais da Educação, além de reconhecer a necessidade de aproximação com os sujeitos envolvidos nas práticas educativas, como os professores. A aproximação da Educação às Neurociências é aqui entendida como um processo próprio do campo da pesquisa educacional, que se caracteriza pelo entrecruzamento de práticas, políticas e saberes formulados em diferentes disciplinas científicas. Contudo, foi verificado que, no campo de interlocuções entre Educação e Neurociências, ainda há dificuldades no sentido de produzir trabalhos empíricos que conjuguem teorias e metodologias de ambas as áreas: a maior parte dos trabalhos analisados é composta por estudos bibliográficos, que procuram mostrar a potencialidade da aproximação entre os campos, mas avançam pouco no sentido de produzir pesquisas efetivamente interdisciplinares. Essa dificuldade é compreendida nesta tese como sintomática da própria cisão – criticada por muitos autores analisados – entre natureza e cultura e entre Ciências Biológicas e Ciências Humanas, o que mostra que essa divisão ainda surte efeitos contundentes nos processos de produção de conhecimento de ambas as áreas.
Resumo inglês:The significant development of Neuroscience, seen from the 1990’s onward, has resulted in the dissemination of styles of thought of this field from the academic world into popular culture and into scientific areas that initially are not related to it. Thus, hybrid research areas have been constituted, such as the field of interlocutions between Neuroscience and Education – focused by this study. The goal of this thesis is to analyze how the formation of this new area has taken place, focusing on thinking styles that have developed through this interdisciplinary dialogue. For this purpose, academic papers produced in this new area were analyzed, and researchers involved in this field were interviewed. The analysis was conducted based on the references in Science Studies, especially considering the classic contributions from Ludwik Fleck, updated by contemporary researchers. Based on the conducted research, a thesis was formulated that the interlocutions between Education and Neuroscience do not constitute a deterministic or reductionist enterprise as a few critics advocate: on the contrary, researchers in the area postulate that a suitable understanding of the nervous system should take the interactions constantly established between biology and environment into account. Furthermore, these researchers have sought to engage in a dialogue with traditional theories of Education, in addition to recognizing the need for approaching subjects involved in educational practices, such as teachers. The approximation between Education and Neuroscience is understood here as a process that is unique to the branch of educational research, which is based on the knowledge formulated in different areas. However, it was noted that there are still difficulty producing empirical works at the intersection between Education and Neuroscience, uniting theories and methodologies from both fields; most analyzed works consist of bibliographical studies. The difficulty conducting empirical studies at this intersection is understood in this thesis as a symptom of the schism – criticized by many analyzed authors – between nature and culture and between Biological Sciences and Human Sciences.