Caracterização de novas ferramentas diagnósticas em imunologia de transplantes para avaliação de candidatos à transplante renal

Introdução: Atualmente, a região sul é a segunda região do Brasil em número de transplantes renais (1276 transplantes em 2017). Diversos tipos de complicações podem encurtar a sobrevida de pacientes e enxertos, entre essas situam-se as rejeições celulares e as mediadas por anticorpos. As provas cruz...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2018
Main Author: Abud, Jamile
Orientador/a: Manfro, Roberto Ceratti
Format: Tese
Language:por
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Online Access:http://hdl.handle.net/10183/193137
Resumo Português:Introdução: Atualmente, a região sul é a segunda região do Brasil em número de transplantes renais (1276 transplantes em 2017). Diversos tipos de complicações podem encurtar a sobrevida de pacientes e enxertos, entre essas situam-se as rejeições celulares e as mediadas por anticorpos. As provas cruzadas identificam anticorpos que podem ocasionar as rejeições, são elas: Citotoxicidade Dependente de Complemento (CDCXM) e prova cruzada por Citometria de Fluxo (CFXM). O advento do teste de fase sólida Single Antigen Beads, permitiu a realização da prova cruzada virtual (VXM) a partir de 2003. Objetivos: O objetivo geral do estudo foi avaliar clínica e laboratorialmente os novos protocolos para a avaliação imunológica pré-transplante renal. Os objetivos específicos foram avaliar a correlação laboratorial entre os métodos (CDCXM, CFXM e VXM) e realizar a validação clínica da utilização do teste CFCXM como teste único no pré-transplante. Metodologia: Um estudo diagnóstico retrospectivo foi realizado para a correlação laboratorial das provas cruzadas. Foram coletados os resultados das provas cruzadas do Laboratório de Imunologia de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre do ano de 2010. A validação clínica foi realizada estabelecendo duas coortes: uma coorte prospectiva de pacientes transplantados renais selecionados com CFXM (teste) e uma coorte retrospectiva de pacientes transplantados renais selecionados com o CDCXM (controle). Foram avaliados desfechos laboratoriais clínicos coletados nos laboratórios da Santa Casa de Porto Alegre e nos prontuários eletrônicos dos pacientes. Resultados: Em 78 doadores falecidos foram analisadas 713 provas cruzadas no ano de 2010 contemplando os três métodos em uma média de 6,74 ± 3,38 pacientes por doador. Dos 486 (68,2%) testes CDCXM negativos, 62 (12,8%) foram positivos na CFXM e destes, 13(1,82%) não tinham anticorpo anti-HLA doador-específico conhecido. Na avaliação dos desfechos clínicos, 97 pacientes transplantados renais com CFXM e 98 pacientes transplantados renais na coorte controle foram acompanhados por 1 ano. Todos os transplantes foram realizados com órgãos de doadores falecidos e todas as provas cruzadas na coorte controle foram negativas. Um paciente da coorte CFXM foi positivo para linfócitos B. Em um ano de acompanhamento, não houve diferença significativa na sobrevida dos pacientes (p=0,591) e na sobrevida dos enxertos (p=0,692) entre os grupos. Conclusões: A correlação entre CDCXM e CFXM foi satisfatória e pela semelhança de sensibilidade, concluímos ser adequada a utilização da CFXM e VXM na avaliação pré-transplante. Além disso a frequência de resultados falsos positivos na CFXM foi considerada baixa. Quando comparamos a sobrevida dos pacientes e dos enxertos entre as coortes controle e CFXM não encontramos diferença significativa. A partir destes achados concluímos que a utilização da CFXM como teste único não modificou os desfechos clínicos em um ano de acompanhamento, sugerindo segurança na sua utilização em conjunto com a VXM.
Resumo inglês:Background: Currently Brazil’s southern region is the second in number of kidney transplants in the country (1276 transplants in 2017). However, several types of complications can shorten the survival of patients and grafts, among which are the antibody-mediated rejections. Crossmatching tests identify antibodies that can cause rejection, such as Complement Dependent Cytotoxicity (CDCXM) and flow cytometric crossmatch (FCXM) test. Single Antigen Beads solid phase assay allowed the virtual crossmatch (VXM) to be performed starting in 2003. Aim: The main purpose of the study was evaluate and validate the new crossmatching protocols for kidney pre-transplantation. The first specific aim was to evaluate laboratory correlation between the methods (CDCXM, FCXM and VXM). We analyzed accuracy and the percentage of false-positive tests. The clinical validation of the use of the FCXM test as a single test in the pre-transplantation (second specific aim) was performed in patients that underwent kidney transplantation. Methods: A retrospective diagnostic study was performed for the laboratory correlation of the crossmatches tests; we collected the results of these tests in the Transplant Immunology Laboratory, at Santa Casa of Porto Alegre of the year 2010. The clinical validation was performed by establishing two cohorts: a prospective study cohort of kidney transplant patients evaluated by FCXM and a retrospective cohort of kidney transplant patients evaluated by CDCXM (control). Clinical and laboratory outcomes were evaluated. Data were collected in medical charts in the Santa Casa de Porto Alegre. Results: In 78 deceased donors, 713 crossmatches were analyzed in the year 2010, considering the three methods in an average of 6.74 ± 3.38 patients per donor. Of the 486 (68.2%) CDCXM negative tests, 62 (12.8%) were positive in FCXM and of these, 13 (1.82%) had no known anti-HLA donor antibody. In the test cohort, 97 patients transplanted with FCXM and 98 patients kidney transplants in the control cohort, were followed for 1 year. All transplants were performed with deceased donors organs and all crossmatches in the control cohort were negative. One patient in the cohort FCXM was positive for B lymphocytes. At one year follow-up, there was no significant difference in patient survival (p = 0.591) and graft survival (p = 0.692) between groups. Conclusions: The correlation between CDCXM and FCXM was satisfactory and due to the similarly of sensitivity, we concluded that the use of FCXM and VXM in the pre-transplantation evaluation was adequate. When we compared the survival of patients and grafts between the CDCXM and FCXM cohorts, we did not find a significant difference. Therefore, the use of FCXM as a single test did not modify the clinical outcomes at one year of follow-up, suggesting that this test, along with the VXM, ensures safe kidney transplantation.