Sentidos da emancipação: para além da antinomia revolução versus reforma

A tradição socialista foi marcada pela antinomia revolução versus reforma do capitalismo. Contudo, tanto a orientação revolucionária quanto a reformista perseguiram a utopia da sociedade do trabalho, fundamentando seu conceito de emancipação a partir de um paradigma produtivista. Este paradigma foi...

Access Level:openAccess
Publication Date:2009
Main Author: Rurion Soares Melo
Advisor: Ricardo Ribeiro Terra
Referee: Yara Adario Frateschi, Adrian Gurza Lavalle, Marcos Severino Nobre, Denilson Luis Werle
Format: doctoralThesis
Language:por
Published: Universidade de São Paulo
Program: Filosofia
Portuguese Subjects:
English Subjects:
Online Access:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-19022010-161824/
Portuguese Abstract:A tradição socialista foi marcada pela antinomia revolução versus reforma do capitalismo. Contudo, tanto a orientação revolucionária quanto a reformista perseguiram a utopia da sociedade do trabalho, fundamentando seu conceito de emancipação a partir de um paradigma produtivista. Este paradigma foi responsável por encobrir a articulação entre emancipação e democracia radical ao reduzir o núcleo normativo da autonomia ao modelo de ação baseado no trabalho como ocorreu com a orientação revolucionária ou engessando a autodeterminação política ao domesticar a democracia com as intervenções do poder administrativo tal como ocorreu no caso da orientação reformista. Pretendemos mostrar que, além de se voltar contra as determinações impostas pelo paradigma da produção, a emergência de novos conflitos sociais e de lutas por reconhecimento não podem mais ser explicadas a partir de um único sentido de emancipação. A reconstrução da autocomprensão política de sociedades modernas a partir do projeto de uma democracia radical nos permite entender os diferentes sentidos da emancipação articulados em processos de formação política da opinião e da vontade. A utopia da sociedade do trabalho dá lugar às lutas em torno da integridade e autonomia das formas de vida, espaços de autorealização, conquistas de direitos e autodeterminação política.
English Abstract:The socialist tradition was marked by the antinomy revolution versus reform of capitalism. However, as much as the revolutionary orientation, the reformists also pursued the utopie of labor society, and grounded its concept of emancipation in a paradigm of production. This paradigm was responsable for covering the articulation between emancipation and radical democracy and reducing the normative core of the autonomy to the model of action based on labor as in the case of the revolutionary orientation or weakning the political selfdetermination and domesticating the democracy trough interventions of the administrative power as in the case of the reformist orientation. We intend to show that, beyond facing against the determinations imposed by the paradigm of production, the emergency of new social conflicts and struggles for recognition can not be explained from only one sense of emancipation. The reconstruction of the political selfunderstanding of modern societies from a project of radical democracy allow us to understand the diferent senses of emancipation articulated in political processes of opinion and will formation. The utopie of labor society gives place to the struggles for the integrity and autonomy of forms of life, spheres of selfrealization, conquests of rights, and political selfdetermination.