Lazer na área de drogas: construção coletiva de crítica e de práticas emancipatórias

Introdução: O objeto desta tese é a potencialidade educativa do lazer para gerar crítica sobre a ideologia do consumo problemático de drogas. Revisão bibliográfica sobre o lazer em unidades de saúde mostrou que ele é reconhecido como espaço para recreação ou como atividade que ocupa o tempo. A maior...

Nível de Acesso:openAccess
Data de Defesa:2017
Autor/a: Heitor Martins Pasquim
Orientador/a: Cassia Baldini Soares
Banca: Rubens de Camargo Ferreira Adorno, Lino Castellani Filho, Lucia Yasuko Izumi Nichiata, Nildo Silva Viana
Tipo Documento: Tese
Idioma:por
Instituição de Defesa: Universidade de São Paulo
Programa: Enfermagem
Assuntos em Portugês:
Assuntos em Inglês:
Download Texto Completo:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7141/tde-28062017-083922/
Resumo Português:Introdução: O objeto desta tese é a potencialidade educativa do lazer para gerar crítica sobre a ideologia do consumo problemático de drogas. Revisão bibliográfica sobre o lazer em unidades de saúde mostrou que ele é reconhecido como espaço para recreação ou como atividade que ocupa o tempo. A maior parte dos artigos científicos relatava objetivos funcionalistas para o lazer, o que remete ao lazer viciado, conceito cunhado para designar a forma hegemônica do lazer capitalista na área de drogas. Os aplicativos para dispositivos móveis e os jogos educativos sobre drogas analisados não incentivavam a discussão do processo de produção de drogas lícitas e ilícitas, tampouco abordavam o consumo problemático de drogas como consequência de relações sociais alienadas e do mal-estar contemporâneo. Apesar da potencialidade educativa que os jogos e os aplicativos oferecem, as finalidades detectadas reiteravam posições amplamente criticadas no campo da saúde, filiadas ao proibicionismo e à guerra às drogas. Objetivo: Construir arcabouço teórico-metodológico para uma proposta crítica ao lazer viciado da área de drogas. Parte-se da perspectiva da saúde coletiva para compreender os problemas relacionados ao consumo de drogas como determinados socialmente e por isso, intimamente, ligados à totalidade social, expressando-se como sintomas de conflitos, que indivíduos e grupos sociais enfrentam no cotidiano. Método: Realizou-se pesquisa-ação com trabalhadores da saúde mental, por meio de oficinas emancipatórias, coerentes com a epistemologia materialista histórico-dialética. Resultados: As oficinas emancipatórias permitiram transformação de representações cotidianas, assim como, identificação de convicções de trabalhadores da saúde mental. Entre estas estavam: a concepção enraizada da dependência química, da educação sobre drogas como prevenção ao uso e do lazer como atividade terapêutica. São representações ilusórias que tomam o consumo de drogas como doença. Os resultados afirmam a necessidade de construção de práticas críticas à ideologia da doença mental e comportamental do consumo de drogas. Conclusões: Fundamentado na perspectiva da saúde coletiva, o arcabouço teórico-metodológico concebido nesta pesquisa propõe a realização de oficinas emancipatórias de lazer em serviços de saúde e intersetorialmente nos serviços de educação, entre outros, que trabalham com a temática do consumo de drogas, mantida a coerência com o referencial teórico, que propõe a crítica a relações sociais alienadas. Essa estratégia pode se valer de conteúdos lúdicos, esportivos, culturais, entre outros. Advoga-se que o processo educativo tem potencial emancipatório se for radicalmente participativo; e que as formas contemporâneas de vivenciar o tempo de não trabalho, que compõem as estratégias de alívio do mal-estar social na atualidade, podem ser problematizadas. Tal problematização deve iluminar o embate entre projetos de hegemonia no capitalismo, o que é potencialmente fortalecedor para os participantes, na medida em que desnaturaliza a alienação que produz desentendimentos e frustrações. Sugere-se ainda, como material de apoio educativo, o jogo Cidade Dorme: representações cotidianas sobre drogas, legitimado coletivamente nesta pesquisa.
Resumo inglês:Introduction: The object of this thesis is the educational potential of leisure to develop a critical understanding of the ideology around substance/drug use/consumption. A literature review in the context of health services showed that leisure and the playful are perceived as recreation, as well as an activity to fill-in time such. However, most of scientific articles listed functionalist objectives for leisure, which is associated to hooked leisure, concept coined to designate the hegemonic form of capitalist leisure in the area of drugs. Applications for mobile devices and educational games about drugs do not promote discussion about the legal and illegal drug production process; neither approaches the problematic consumption of drugs as a consequence of alienated social relations and the contemporary malaise. Despite the educational potential that games and apps offer, their purposes reinforced conceptions widely criticized in the health area, being associated with prohibitions and war on drugs. Objective: To develop a theoretical and methodological critical proposal to hooked leisure practices in the field of drugs. The Collective Health approach was adopted to understand the problems related to drug consumption as socially determined; as so they are intimately connected to the social totality, expressing themselves as symptoms of conflicts that individuals and social groups face in their daily lives. Method: An action research was carried out with mental health workers through emancipatory workshops, aligned with the epistemology of historical-dialectical materialism. Results: Emancipatory workshops promoted the transformation of everyday representations, as much as it has promoted the identification of the convictions of mental health workers. Among them there were: a traditional conception of chemical addiction, drug education as prevention of drug use and leisure as a therapeutic activity. Those are illusory representations which presume that all drug consumption is a disease. The results indicate the need to create critical practices that challenge the ideology of drug consumption as mental and behavioral sickness. Conclusions: Based on the perspective of Collective Health, the theoretical and methodological framework for leisure articulated in this research proposes the implementation of emancipatory workshops of leisure in health as well as education services, among others that work with the drug consumption theme as a cross-disciplinary approach, as long as it maintains consistency with the theoretical framework that proposes the critique on alienation. This strategy can use play, sports and cultural contents, among others. These features place leisure activities aligned with the purpose of emancipatory educational processes. It is argued that the educational process has emancipatory potential if it is radically participatory; and that the contemporary ways of experiencing nonworking time, which compose the strategies for alleviating contemporary malaise, can be debated. Such debate will certainly bring light to the battle among hegemonic projects in the capital system, which can be potentially strengthening to participants, as it denatures alienation that produce disagreements and frustrations. It is also suggested, as an educational support material, the game Cidade Dorme: representações cotidianas sobre drogas (City Sleeps: everyday representations on drugs), collectively legitimized in this research.