Transgeneridade e escrita em si: trajetórias discursivas e construção de subjetividades

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Cunha, Adriana Maria
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens
Brasil
CEFET-MG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.cefetmg.br//handle/123456789/1416
Resumo: Esta pesquisa se baseia na análise da escrita de si de sujeitos transexuais, compreendida enquanto estética de si e tecnologia de resistência em relação à ordem cisheteronormativa que incide sobre corpos e subjetividades. Analisamos a escrita de si empreendida por quatro sujeitos transexuais no livro “Vidas Trans: a coragem de existir”: Amara Moira, Márcia Rocha, João W. Nery e T. Brant. A partir das reflexões de Foucault sobre escrita de si; governamentalidade; biopolítica; regimes de verdade; objetivação e subjetivação, em diálogo com a Teoria Queer e com a Teoria Feminista e Transfeminista, buscamos compreender como estes sujeitos constroem suas subjetividades e afirmam suas identidades transgêneras. Recorremos aos trabalhos de Judith Butler (2010, 2011, 2016, 2017, 2018); Letícia Nascimento (2021); Guacira Lopes Louro (1997, 2020), Jota Mombaça (2017); Preciado (2011, 2022), dentre outros, para pensarmos o fenômeno da transgeneridade e a constituição de sujeitos trans na sociedade. Utilizamos, também, a Teoria Semiolinguística, de Patrick Charaudeau (2004, 2006, 2008, 2008b, 2017), com os conceitos de situação e contrato comunicacional, modos de organização do discurso (descritivo, narrativo e enunciativo) e imaginários sociodiscursivos, para realizar as análises de temáticas discursivizadas por esses sujeitos, além de operacionalizar interpretações das narrativas baseados nos imaginários sociodiscursivos, na observação de ethé, segundo Ruth Amossy (2005), e dimensões patêmicas. Observamos, como a escrita de si, ocorrendo a partir de uma situação de comunicação, recorre aos modos de organização do discurso, a partir dos quais percebemos certos imaginários sociodiscursivos relacionados a essas identidades transgêneras. O que nos leva a compreender que a construção e afirmação das identidades de gênero não é estável, como propõe a lógica binária. O gênero é constituído, também, por atos performativos, sendo algo que se torna e não algo com que se nasce. Por outro lado, sendo essa uma identidade compósita, o gênero é apenas parte da constituição da subjetividade. As narrativas trazem processos de autodescoberta e autoaceitação dos(as) autores(as), configurando, nessa escrita de si, uma parte da subjetivação dos sujeitos, projetando ethé, relacionados a um antes e a um depois do processo transicional, e dimensões patêmicas, como o medo, que passa à alegria, à potência de vida e liberdade com seus processos de transição. Os Modos de Organização do discurso são mobilizados para a realização dos projetos de fala, ressaltando-se o comportamento elocutivo, no Modo Enunciativo, que traz os pontos de vista e visões de mundo dos enunciadores. A pesquisa realizada, assim, mostra não apenas questões relacionadas às identidades trans e sua construção no e pelo discurso, mas, também, o debate, hoje visto, sobre a liberdade de gênero enquanto um direito cidadão. Debate para o qual a Análise do Discurso de linha francesa traz a sua contribuição.
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Recorremos aos trabalhos de Judith Butler (2010, 2011, 2016, 2017, 2018); Letícia Nascimento (2021); Guacira Lopes Louro (1997, 2020), Jota Mombaça (2017); Preciado (2011, 2022), dentre outros, para pensarmos o fenômeno da transgeneridade e a constituição de sujeitos trans na sociedade. Utilizamos, também, a Teoria Semiolinguística, de Patrick Charaudeau (2004, 2006, 2008, 2008b, 2017), com os conceitos de situação e contrato comunicacional, modos de organização do discurso (descritivo, narrativo e enunciativo) e imaginários sociodiscursivos, para realizar as análises de temáticas discursivizadas por esses sujeitos, além de operacionalizar interpretações das narrativas baseados nos imaginários sociodiscursivos, na observação de ethé, segundo Ruth Amossy (2005), e dimensões patêmicas. Observamos, como a escrita de si, ocorrendo a partir de uma situação de comunicação, recorre aos modos de organização do discurso, a partir dos quais percebemos certos imaginários sociodiscursivos relacionados a essas identidades transgêneras. O que nos leva a compreender que a construção e afirmação das identidades de gênero não é estável, como propõe a lógica binária. O gênero é constituído, também, por atos performativos, sendo algo que se torna e não algo com que se nasce. Por outro lado, sendo essa uma identidade compósita, o gênero é apenas parte da constituição da subjetividade. As narrativas trazem processos de autodescoberta e autoaceitação dos(as) autores(as), configurando, nessa escrita de si, uma parte da subjetivação dos sujeitos, projetando ethé, relacionados a um antes e a um depois do processo transicional, e dimensões patêmicas, como o medo, que passa à alegria, à potência de vida e liberdade com seus processos de transição. Os Modos de Organização do discurso são mobilizados para a realização dos projetos de fala, ressaltando-se o comportamento elocutivo, no Modo Enunciativo, que traz os pontos de vista e visões de mundo dos enunciadores. A pesquisa realizada, assim, mostra não apenas questões relacionadas às identidades trans e sua construção no e pelo discurso, mas, também, o debate, hoje visto, sobre a liberdade de gênero enquanto um direito cidadão. Debate para o qual a Análise do Discurso de linha francesa traz a sua contribuição.This research is based on the analysis of the self-writing of transsexuals, understood as an aesthetic of the self and a technology of resistance in relation to the cisheteronormative order that affects bodies and subjectivities. We analyzed the writing of the self undertaken by four transsexuals in the book “Vidas Trans: the courage to exist”: Amara Moira, Márcia Rocha, João W. Nery and T. Brant. We are based on Foucault's reflections about self-care and writing; governmentality; biopolitics; truth regimes; objectification and subjectivation, in dialogue with Queer Theory and Feminist and Transfeminist Theory, we seek to understand how these subjects construct their subjectivities and affirm their transgender identities. We resorted to the works of Judith Butler (2010, 2011, 2016, 2017, 2018); Letícia Nascimento (2021); Guacira Lopes Louro (1997, 2020), Jota Mombaça (2017); Preciado (2011, 2022), among others, to think about the phenomenon of transgendericity and the constitution of trans subjects in society. We also used the Semiolinguistic Theory by Patrick Charaudeau (2004, 2006, 2008, 2008b, 2017), with the concepts of situation and communicational contract, modes of discourse organization (descriptive, narrative and enunciative) and socio-discursive imaginaries, to carry out the analyzes of themes discussed by these subjects, in addition to operationalizing interpretations of the narratives based on socio-discursive imaginaries, on the observation of the ethé, according to Ruth Amossy (2005), and pathemic dimensions. We observe how self-writing, occurring from a communication situation, resorts to the modes of discourse organization, from which we perceive certain socio-discursive imaginaries related to these transgender identities. Which leads us to understand that the construction and affirmation of gender identities is not stable, as proposed by a binary logic. The gender is also constituted by performative acts, being something you become and not something you are born with. On the other hand, this being a composite identity, gender is only part of the constitution of the subjectivity. The narratives bring processes of self-discovery and self-acceptance of the authors, configuring, in this self-writing, a part of the subjectivation of the subjects, projecting ethé, related to a before and an after of the transitional process, and pathemic dimensions, like fear, which passes to joy, to the power of life and freedom with its transition processes. The Discourse Organization Modes are mobilized to carry out the speech projects, emphasizing the elocutionary behavior, in the Enunciative Mode, which brings the enunciators' points of view and worldviews. The research carried out, thus, shows not only issues related to trans identities and their construction in and through discourse, but also the debate, seen today, about gender freedom as a citizen's right. Debate to which the Discourse Analysis of Frech line brings its contribution.Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas GeraisPrograma de Pós-Graduação em Estudos de LinguagensBrasilCEFET-MGLessa, Cláudio Humbertohttp://lattes.cnpq.br/0878316792233407http://lattes.cnpq.br/8152824355342015Coelho, Tamires FerreiraXavier, Mariana Ramalho ProcópioAzeredo, Luciana Aparecida Silva deCunha, Adriana Maria2025-05-12T11:37:23Z2023-08-282025-05-12T11:37:23Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://repositorio.cefetmg.br//handle/123456789/1416porreponame:Repositório Institucional do CEFET-MGinstname:Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)instacron:CEFETinfo:eu-repo/semantics/openAccess2025-05-12T18:00:32Zoai:repositorio.cefetmg.br:123456789/1416Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.cefetmg.br/server/oai/requestrepositorio@cefetmg.bropendoar:2025-05-12T18:00:32Repositório Institucional do CEFET-MG - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)false
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