Avaliação do ambiente cérvico-vaginal em mulheres infectadas pelo HTLV-1

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Firmino, Alisson de Aquino
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Medicina e Saúde Humana
BAHIANA
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www7.bahiana.edu.br//jspui/handle/bahiana/825
Resumo: Introdução: O Vírus Linfotrópico de Células T Humanas do tipo 1 (HTLV-1) é endêmico em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil. A prevalência da infecção é maior entre as mulheres e aumenta com a idade. O vírus induz a produção de citocinas inflamatórias e a carga proviral está implicada no desenvolvimento de doenças associadas ao HTLV-1. Indivíduos infectados pelo HTLV-1 podem apresentar secura das mucosas ocular, oral, além de xerodermia. Em relação ao ambiente vaginal, não está estabelecido se a infecção pelo HTLV-1 induz um ambiente inflamatório ou o ressecamento da mucosa em mulheres infectadas. Objetivo: Comparar o ambiente inflamatório cérvico-vaginal de mulheres infectadas e não infectadas pelo HTLV-1 através do perfil de citocinas, índice de lubrificação e achados citopatológicos. Métodos: Trata-se de estudo de corte transversal. Foram incluídas sequencialmente 112 mulheres, sendo 63 infectadas e 49 não infectadas pelo HTLV-1 acompanhadas no Centro de HTLV e ambulatório de ginecologia da EBMSP em Salvador. Todas as voluntárias foram submetidas a exame ginecológico para coleta de material cérvico-vaginal. A quantificação das citocinas em fluido vaginal foi realizada através do kit Cytometric Bead Array (CBA) Human Th1/Th2/Th17. A carga proviral vaginal foi mensurada pelo método de PCR (Polymerase Chain Reaction) quantitativo em tempo real e a citopatologia cérvico-vaginal por meio de microscopia óptica. A avaliação da lubrificação vaginal foi realizada através do domínio da lubrificação do questionário FSFI (Índice de Função Sexual Feminina). Resultados: Não foram observadas diferenças nas variáveis sociodemográficas entre as mulheres infectadas (HTLV+) e não infectadas (HTLV–), exceto para renda familiar que foi menor no grupo HTLV-1+ (p=0,01), e tempo de relacionamento conjugal, maior neste mesmo grupo (p=0,01). Em relação às análises citopatológicas cérvico-vaginais, não houve diferença entre os grupos. As medianas dos índices de lubrificação foram semelhantes: 4,8 (3,6 – 5,4) em HTLV+ e 4,8 (4,2 – 5,7) no grupo HTLV–. Cerca de 52,6% das mulheres HTLV+ avaliadas apresentaram carga proviral vaginal detectável, com mediana de 62 (0-2057) / 106 células (0,006%). No que se refere a quantificação das citocinas em fluido vaginal, as concentrações de IL-2 (p=0,001), TNF (p=0,001), IL-4 (p<0,001), IL-10 (p=0,002) e IL-17 (p<0,001) em fluido cérvico-vaginal foram significantemente mais elevadas em mulheres infectadas pelo HTLV-1 quando comparadas ao grupo de não infectadas. O nível de IL-6 não apresentou diferença estatística entre os grupos avaliados (p=0,1). Já o IFN-γ, teve concentração mais elevada em mulheres não infectadas por HTLV-1 (p<0,001). Conclusão: Mulheres infectadas pelo HTLV-1 apresentam um ambiente inflamatório na mucosa vaginal, caracterizado pela elevação das concentrações de citocinas Th1, Th2 e IL17 em fluido vaginal. Apesar disso, não foram encontradas diferenças na frequência e gravidade das alterações citopatológicas cérvico-vaginais ou na lubrificação vaginal entre as os grupos avaliados.
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