Associação entre anemia falciforme e a condição de saúde bucal em crianças e adolescentes

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Brandão, Carla Figueiredo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Medicina e Saúde Humana
BAHIANA
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www7.bahiana.edu.br//jspui/handle/bahiana/2563
Resumo: Anemia Falciforme (AF) é a doença hereditária monogênica de maior prevalência no mundo. A presença de hemoglobina (Hb) S provoca alterações sistêmicas e face, causando deficiência na formação dos tecidos dentários e ósseos, que podem levar a uma maior predisposição a desenvolver lesões de cárie e outras ocorrências. Objetivo: avaliar a condição bucal de crianças e adolescentes com diagnóstico de AF. Metodologia: estudo de corte transversal com indivíduos de 5 a 18 anos de idade provenientes do ambulatório de referência em Anemia Falciforme (Grupo AF) e sem hemoglobinopatias do colégio público do estado da Bahia, Brasil (Grupo Comparação), totalizando 124 pessoas, 63 no grupo comparação e 61 no grupo doença. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública – CAAE 54637816.7.0000.5544. Para o grupo AF foram utilizados como critérios de inclusão: ser portador de AF e ter Hb S diagnosticado por eletroforese de Hb e/ou cromatografia líquida de alta performance e estar na faixa etária estabelecida. Para o grupo comparação: sem AF, aparentemente saudáveis. Estes dois grupos realizaram exame clínico bucal, anamnese, exame dos dentes, periodonto, oclusão, verificação da cronologia de erupção dentária, fluorose, avaliação da capacidade tampão e fluxo salivar, além de responder questionários sobre sua condição de saúde, história da doença, desenvolvimento puberal e dieta. Resultados: Os indivíduos com AF frequentavam mais as consultas odontológicas (p=0,040), apesar do CPO-D ter sido de 2,08 (± 2,71) maior que o grupo comparação (1,05 ±1,6) - p=0,013. O ceo-d foi de 2,3 (2,6) e 0,88 (1,2) respectivamente, com p=0,018. Foram encontradas presença de sangramento gengival e cálculo dentário, sem diferenças estatisticamente entre os grupos (p=0,984). Para fluxo salivar e capacidade tampão, não foram observadas diferenças significativas para o fluxo (p= 0,334), entretanto o grupo AF apresentou uma menor capacidade tamponante (p=0,006). As más oclusões mais encontradas foram sobressaliência maxilar, sendo 82% e 80%, desalinhamento anterior superior 36,1% e 30%, presença de diastema (31,04%) e (21,3%) para indivíduos com AF e saudáveis respectivamente, porém não houve diferenças entre os grupos ao avaliar sua prevalência e índice de necessidade de tratamento. A fluorose foi mais presente no grupo comparação (70,3%) que nos indivíduos com AF (36,1%) - (p=0,003). A cronologia de erupção dos dentes permanentes foi semelhante entre os grupos (p=0,636). Os indivíduos com AF apresentaram atraso no desenvolvimento puberal (p=0,003). Crianças e adolescentes com AF consumiram menos carboidratos na sua dieta semanal e diária e tiveram um índice de cárie mais alto (ceo-d=2,02,9; CPOD=4,25,0) – (p= 0,906; p=0,989, respectivamente) que os do grupo comparação (ceo-d=0,91,2; CPO-D=1,01,5) – (p=0,938; p=0,734, respectivamente). Conclusão: crianças e adolescentes com AF apresentaram uma condição bucal desfavorável quando comparadas as crianças e adolescentes saudáveis, apresentando maior índice de cárie tanto na dentição decídua como na permanente e menor capacidade tampão. Apesar de possuírem uma dieta menos cariogênica, frequentarem mais as consultas odontológicas de rotina em relação ao grupo comparação, estes indivíduos apresentaram a doença cárie mais prevalente, e é possível que esteja associado a outros fatores inerentes a AF como o uso de medicações contínuas.
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