O greenwashing e a visão econômica sobre a regulação da divulgação de aspectos ESG em fundos de investimento
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://hdl.handle.net/10438/35103 |
Resumo: | Nos últimos anos, o crescimento exponencial da demanda por investimentos sustentáveis fez surgir uma oferta cada vez maior de fundos de investimento que buscam introduzir aspectos Ambientais, Sociais e/ou de Governança (Environmental, Social and Governance – ESG) na seleção dos ativos de sua carteira. A velocidade com que se desenvolveu a indústria de investimentos sustentáveis e a ausência de definições e metodologias claras e consistentes nas práticas de mercado fizeram surgir preocupações com a forma com que esses fundos divulgam a utilização de aspectos ESG para angariar investidores. Promessas ou afirmações extremamente otimistas ou descoladas da realidade – greenwashing – viraram pauta regulatória dos diferentes mercados de capitais ao redor do mundo. Nesse sentido, o presente estudo analisa a necessidade (ou não) de regulação das práticas de greenwashing por gestores de fundos de investimento no Brasil. A partir de avaliação empírica de dados e pesquisas nacionais, este estudo conclui que (i) investidores brasileiros que deixam de considerar aspectos ESG em suas tomadas de decisão o fazem por problemas de assimetria informacional com os emissores (incluindo os fundos de investimentos); e (ii) gestores podem estar sujeitos ao risco de uma seleção adversa que beneficie participantes pouco engajados com a agenda ESG, o que pode sugerir a existência de falhas de mercado decorrentes de assimetrias de informação que mereçam algum tratamento regulatório. A partir dessa conclusão parcial, realiza-se um estudo comparado acerca de duas estratégias regulatórias adotadas em regiões diferentes do planeta para mitigar o problema do greenwashing: (i) regulação mais liberal focada nas restrições sobre o nome dos fundos e no enforcement de regras tradicionais subjetivas aplicadas inicialmente nos Estados Unidos; e (ii) a abordagem prescritiva por comando e controle na divulgação de aspectos ESG adotada na União Europeia. Os achados preliminares dos dados empíricos coletados nesses sistemas jurídicos demonstram que as regras prescritivas europeias tiveram como efeito uma grande reclassificação de fundos de investimento sobre o grau de aplicação de aspectos ESG em seus investimentos, sem que isso resultasse em uma diminuição do crescimento dessa indústria na região. Alguns indicadores também apontam para uma maior aderência dos fundos sustentáveis europeus às metodologias de avaliação ESG positivas quando comparadas a fundos sustentáveis norte-americanos, o que sugere uma maior eficácia no combate ao greenwashing. No Brasil, a adoção de mecanismos de autorregulação inspirados em parte dos modelos europeu e norte-americano pode ter gerado regras que impõem demasiados custos regulatórios aos gestores e impactado no desenvolvimento eficiente de uma indústria que não apresenta tantos riscos de greenwashing, quando comparada a outros mercados mais desenvolvidos. Conclui-se que uma flexibilização e simplificação de parte das exigências do modelo de divulgação previstas na autorregulação pode gerar efeitos positivos para o mercado brasileiro, sem prejudicar a confiança e a comparabilidade de informações esperadas pelos investidores. |
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Gama, Frederico Calmon Nogueira daEscolas::DIREITO RIORagazzo, Carlos Emmanuel JoppertMenezes, Mauricio Moreira Mendonça deRenteria, Pablo WaldemarSampaio, Rômulo Silveira da RochaSampaio, Rômulo Silveira da Rocha2024-03-27T20:05:25Z2024-03-27T20:05:25Z2024-02-05https://hdl.handle.net/10438/35103Nos últimos anos, o crescimento exponencial da demanda por investimentos sustentáveis fez surgir uma oferta cada vez maior de fundos de investimento que buscam introduzir aspectos Ambientais, Sociais e/ou de Governança (Environmental, Social and Governance – ESG) na seleção dos ativos de sua carteira. A velocidade com que se desenvolveu a indústria de investimentos sustentáveis e a ausência de definições e metodologias claras e consistentes nas práticas de mercado fizeram surgir preocupações com a forma com que esses fundos divulgam a utilização de aspectos ESG para angariar investidores. Promessas ou afirmações extremamente otimistas ou descoladas da realidade – greenwashing – viraram pauta regulatória dos diferentes mercados de capitais ao redor do mundo. Nesse sentido, o presente estudo analisa a necessidade (ou não) de regulação das práticas de greenwashing por gestores de fundos de investimento no Brasil. A partir de avaliação empírica de dados e pesquisas nacionais, este estudo conclui que (i) investidores brasileiros que deixam de considerar aspectos ESG em suas tomadas de decisão o fazem por problemas de assimetria informacional com os emissores (incluindo os fundos de investimentos); e (ii) gestores podem estar sujeitos ao risco de uma seleção adversa que beneficie participantes pouco engajados com a agenda ESG, o que pode sugerir a existência de falhas de mercado decorrentes de assimetrias de informação que mereçam algum tratamento regulatório. A partir dessa conclusão parcial, realiza-se um estudo comparado acerca de duas estratégias regulatórias adotadas em regiões diferentes do planeta para mitigar o problema do greenwashing: (i) regulação mais liberal focada nas restrições sobre o nome dos fundos e no enforcement de regras tradicionais subjetivas aplicadas inicialmente nos Estados Unidos; e (ii) a abordagem prescritiva por comando e controle na divulgação de aspectos ESG adotada na União Europeia. Os achados preliminares dos dados empíricos coletados nesses sistemas jurídicos demonstram que as regras prescritivas europeias tiveram como efeito uma grande reclassificação de fundos de investimento sobre o grau de aplicação de aspectos ESG em seus investimentos, sem que isso resultasse em uma diminuição do crescimento dessa indústria na região. Alguns indicadores também apontam para uma maior aderência dos fundos sustentáveis europeus às metodologias de avaliação ESG positivas quando comparadas a fundos sustentáveis norte-americanos, o que sugere uma maior eficácia no combate ao greenwashing. No Brasil, a adoção de mecanismos de autorregulação inspirados em parte dos modelos europeu e norte-americano pode ter gerado regras que impõem demasiados custos regulatórios aos gestores e impactado no desenvolvimento eficiente de uma indústria que não apresenta tantos riscos de greenwashing, quando comparada a outros mercados mais desenvolvidos. Conclui-se que uma flexibilização e simplificação de parte das exigências do modelo de divulgação previstas na autorregulação pode gerar efeitos positivos para o mercado brasileiro, sem prejudicar a confiança e a comparabilidade de informações esperadas pelos investidores.In recent years, the exponential growth in demand for sustainable investments has given rise to an ever-increasing offer of investment funds seeking to introduce ESG aspects in their portfolio selection. The speed of its development and some still incipient aspects of the sustainable investment industry have raised concerns about the way in which these funds disclose the use of ESG aspects to attract investors. Promises or statements that are extremely optimistic or detached from reality – greenwashing – have become the regulatory agenda of different capital markets around the world. In this sense, this study analyzes the need (or not) for greenwashing regulation on investment fund managers in Brazil. Based on an empirical evaluation of national data and research, this study concludes that (i) Brazilian investors who fail to consider ESG aspects in their decision-making process do so due to problems of information asymmetry with issuers (including investment funds); and (ii) managers may be subject to the risk of adverse selection that benefits participants who are not very engaged with the ESG agenda, potentially suggesting the existence of market failures arising from information asymmetry that deserve some regulatory intervention. Based on this partial conclusions, a comparative study is carried out on two regulatory strategies adopted in different regions to mitigate the greenwashing problem: (i) the liberal approach focused on restrictions to the name of the funds and on the enforcement of traditional rules initially applied in the United States; and (ii) the command-and-control prescriptive approach to disclosing ESG aspects adopted in the European Union. Preliminary findings from empirical data collected in these jurisdictions demonstrate that European prescriptive rules had the effect of a major reclassification of investment funds on the degree of application of ESG aspects in their investments, with no following decrease of this industry development in the region. Some indicators also point to a greater adherence of European sustainable funds to positive ESG assessment methodologies when compared to North American sustainable funds, which suggests greater effectiveness in combating greenwashing. In Brazil, the adoption of self-regulation mechanisms inspired by parts of the European and North American models may have generated rules that impose too many regulatory costs on funds’ managers and impact the efficient development of an industry that does not present as many risks of greenwashing when compared to other more developed markets. It is concluded that a waiver and simplification of the disclosure requirements model provided for in self-regulation can generate positive effects for the Brazilian market without harming the confidence and comparability of information expected by investors.porIndução de investidores a erroGestão de recursosAnálise Econômica do DireitoAssimetria informacionalRegulaçãoFundos de investimento - BrasilDireito regulatório - BrasilInvestidores (Finanças) - BrasilSustentabilidadeGreenwashingO greenwashing e a visão econômica sobre a regulação da divulgação de aspectos ESG em fundos de investimentoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional do FGV (FGV Repositório Digital)instname:Fundação Getulio Vargas (FGV)instacron:FGVLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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Indução de investidores a erro Gestão de recursos Análise Econômica do Direito Assimetria informacional Regulação |
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Indução de investidores a erro Gestão de recursos Análise Econômica do Direito Assimetria informacional Regulação Fundos de investimento - Brasil Direito regulatório - Brasil Investidores (Finanças) - Brasil Sustentabilidade Greenwashing |
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Fundos de investimento - Brasil Direito regulatório - Brasil Investidores (Finanças) - Brasil Sustentabilidade |
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Greenwashing |
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Nos últimos anos, o crescimento exponencial da demanda por investimentos sustentáveis fez surgir uma oferta cada vez maior de fundos de investimento que buscam introduzir aspectos Ambientais, Sociais e/ou de Governança (Environmental, Social and Governance – ESG) na seleção dos ativos de sua carteira. A velocidade com que se desenvolveu a indústria de investimentos sustentáveis e a ausência de definições e metodologias claras e consistentes nas práticas de mercado fizeram surgir preocupações com a forma com que esses fundos divulgam a utilização de aspectos ESG para angariar investidores. Promessas ou afirmações extremamente otimistas ou descoladas da realidade – greenwashing – viraram pauta regulatória dos diferentes mercados de capitais ao redor do mundo. Nesse sentido, o presente estudo analisa a necessidade (ou não) de regulação das práticas de greenwashing por gestores de fundos de investimento no Brasil. A partir de avaliação empírica de dados e pesquisas nacionais, este estudo conclui que (i) investidores brasileiros que deixam de considerar aspectos ESG em suas tomadas de decisão o fazem por problemas de assimetria informacional com os emissores (incluindo os fundos de investimentos); e (ii) gestores podem estar sujeitos ao risco de uma seleção adversa que beneficie participantes pouco engajados com a agenda ESG, o que pode sugerir a existência de falhas de mercado decorrentes de assimetrias de informação que mereçam algum tratamento regulatório. A partir dessa conclusão parcial, realiza-se um estudo comparado acerca de duas estratégias regulatórias adotadas em regiões diferentes do planeta para mitigar o problema do greenwashing: (i) regulação mais liberal focada nas restrições sobre o nome dos fundos e no enforcement de regras tradicionais subjetivas aplicadas inicialmente nos Estados Unidos; e (ii) a abordagem prescritiva por comando e controle na divulgação de aspectos ESG adotada na União Europeia. Os achados preliminares dos dados empíricos coletados nesses sistemas jurídicos demonstram que as regras prescritivas europeias tiveram como efeito uma grande reclassificação de fundos de investimento sobre o grau de aplicação de aspectos ESG em seus investimentos, sem que isso resultasse em uma diminuição do crescimento dessa indústria na região. Alguns indicadores também apontam para uma maior aderência dos fundos sustentáveis europeus às metodologias de avaliação ESG positivas quando comparadas a fundos sustentáveis norte-americanos, o que sugere uma maior eficácia no combate ao greenwashing. No Brasil, a adoção de mecanismos de autorregulação inspirados em parte dos modelos europeu e norte-americano pode ter gerado regras que impõem demasiados custos regulatórios aos gestores e impactado no desenvolvimento eficiente de uma indústria que não apresenta tantos riscos de greenwashing, quando comparada a outros mercados mais desenvolvidos. Conclui-se que uma flexibilização e simplificação de parte das exigências do modelo de divulgação previstas na autorregulação pode gerar efeitos positivos para o mercado brasileiro, sem prejudicar a confiança e a comparabilidade de informações esperadas pelos investidores. |
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2024 |
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