Exportação de água virtual e estresse hidráulico no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santos, Marco Antônio Arroyo
Orientador(a): Branchi, Bruna Angela
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/xmlui/handle/123456789/19554
Resumo: O estudo aborda os efeitos da expansão da fronteira agroexportadora brasileira, que se baseia em uma inserção internacional fortemente dependente da exportação de produtos de alta intensidade hídrica. Essa estratégia tem gerado crescentes tensões entre desenvolvimento econômico, conservação dos recursos hídricos e justiça socioambiental, em um cenário de aumento da demanda global por commodities. O Brasil se consolida como um dos principais exportadores líquidos de água virtual no mundo, com destaque para os volumes incorporados em produtos agropecuários como soja, carne bovina, milho, cana-de-açúcar e algodão. Essa dinâmica, no entanto, tem ocorrido em detrimento da sustentabilidade hídrica de algumas regiões produtoras, afetando negativamente comunidades vulneráveis, contribuindo para o agravamento das desigualdades territoriais e exigindo o alinhamento entre políticas de comércio exterior e sustentabilidade ambiental. O objetivo geral da pesquisa é analisar o modelo de inserção do Brasil no comércio internacional a partir da relação entre a exportação de produtos de alta intensidade hídrica e a conservação dos recursos hídricos nacionais, com enfoque nos aspectos econômicos, ambientais e sociais. A metodologia empregada é qualitativa e exploratória, composta por revisão sistemática da literatura e pesquisa documental. Foram selecionados e analisados 38 documentos provenientes de bases científicas internacionais e nacionais, utilizando-se técnicas adaptadas de análise de conteúdo. A pesquisa documental incluiu a consulta a fontes oficiais, bases de dados acadêmicas e documentos institucionais, especialmente aqueles relacionados aos instrumentos de incentivo e às políticas comerciais voltadas ao agronegócio. Os resultados da revisão sistemática e da pesquisa documental apontam que a exportação de produtos agropecuários de elevado consumo hídrico impacta fortemente regiões como o Cerrado, MATOPIBA, Oeste Baiano e Amazônia. Nessas áreas, observam-se escassez hídrica, degradação dos sistemas de bacias hidrográficas e conflitos pelo uso da água, em um contexto marcado pela falta de articulação entre as políticas comerciais e a governança hídrica, com impactos sociais negativos sobre comunidades vulneráveis. Além disso, identificou-se que essas cadeias produtivas concentram o acesso a crédito subsidiado, isenções fiscais e investimentos em infraestrutura, frequentemente sem contrapartidas ambientais relevantes, o que contribui para a perpetuação de um padrão exportador intensivo em água e para a externalização dos custos ambientais e sociais. A conclusão é a de que o modelo brasileiro de inserção internacional compromete a sustentabilidade dos recursos hídricos, aprofunda desigualdades socioambientais e impõe custos não internalizados às regiões produtoras. Recomenda-se, portanto, a incorporação da variável hídrica nas avaliações de impacto comercial; a vinculação de incentivos públicos à adoção de tecnologias sustentáveis; e o alinhamento efetivo entre as políticas de comércio exterior e a Política Nacional de Recursos Hídricos, como caminhos para promover um desenvolvimento ambientalmente mais responsável.
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Essa dinâmica, no entanto, tem ocorrido em detrimento da sustentabilidade hídrica de algumas regiões produtoras, afetando negativamente comunidades vulneráveis, contribuindo para o agravamento das desigualdades territoriais e exigindo o alinhamento entre políticas de comércio exterior e sustentabilidade ambiental. O objetivo geral da pesquisa é analisar o modelo de inserção do Brasil no comércio internacional a partir da relação entre a exportação de produtos de alta intensidade hídrica e a conservação dos recursos hídricos nacionais, com enfoque nos aspectos econômicos, ambientais e sociais. A metodologia empregada é qualitativa e exploratória, composta por revisão sistemática da literatura e pesquisa documental. Foram selecionados e analisados 38 documentos provenientes de bases científicas internacionais e nacionais, utilizando-se técnicas adaptadas de análise de conteúdo. A pesquisa documental incluiu a consulta a fontes oficiais, bases de dados acadêmicas e documentos institucionais, especialmente aqueles relacionados aos instrumentos de incentivo e às políticas comerciais voltadas ao agronegócio. Os resultados da revisão sistemática e da pesquisa documental apontam que a exportação de produtos agropecuários de elevado consumo hídrico impacta fortemente regiões como o Cerrado, MATOPIBA, Oeste Baiano e Amazônia. Nessas áreas, observam-se escassez hídrica, degradação dos sistemas de bacias hidrográficas e conflitos pelo uso da água, em um contexto marcado pela falta de articulação entre as políticas comerciais e a governança hídrica, com impactos sociais negativos sobre comunidades vulneráveis. Além disso, identificou-se que essas cadeias produtivas concentram o acesso a crédito subsidiado, isenções fiscais e investimentos em infraestrutura, frequentemente sem contrapartidas ambientais relevantes, o que contribui para a perpetuação de um padrão exportador intensivo em água e para a externalização dos custos ambientais e sociais. A conclusão é a de que o modelo brasileiro de inserção internacional compromete a sustentabilidade dos recursos hídricos, aprofunda desigualdades socioambientais e impõe custos não internalizados às regiões produtoras. Recomenda-se, portanto, a incorporação da variável hídrica nas avaliações de impacto comercial; a vinculação de incentivos públicos à adoção de tecnologias sustentáveis; e o alinhamento efetivo entre as políticas de comércio exterior e a Política Nacional de Recursos Hídricos, como caminhos para promover um desenvolvimento ambientalmente mais responsável.The study addresses the effects of the expansion of the Brazilian agro-export frontier, which is based on an international insertion strongly dependent on the export of high water-intensity products. This strategy has generated increasing tensions among economic development, water resource conservation, and socio-environmental justice, amid growing global demand for commodities. Brazil has established itself as one of the world’s leading net exporters of virtual water, especially through the volumes embedded in agricultural products such as soybeans, beef, corn, sugarcane, and cotton. This dynamic, however, has taken place to the detriment of water sustainability in certain producing regions, negatively affecting vulnerable communities, deepening territorial inequalities, and demanding alignment between foreign trade policies and environmental sustainability. The general objective of the research is to analyze Brazil’s model of integration into international trade, focusing on the relationship between the export of high water-intensity products and the conservation of national water resources, with an emphasis on economic, environmental, and social dimensions. The methodology used is qualitative and exploratory, comprising a systematic literature review and a documentary research. A total of thirty-eight documents from international and national scientific databases were selected and analyzed, using adapted content analysis techniques. The documentary research included consultation of official sources, academic databases, and institutional documents, especially those related to incentive instruments and commercial policies targeting agribusiness. The results of the systematic review and documentary research indicate that the export of water intensive agricultural products strongly impacts regions such as the Cerrado, MATOPIBA, Western Bahia, and the Amazon. In these areas, there is evidence of water scarcity, degradation of river basin systems, and conflicts over water use, within a context marked by a lack of coordination between trade policies and water governance, with negative social impacts on vulnerable communities. Furthermore, the study identified that these production chains concentrate access to subsidized credit, tax exemptions, and infrastructure investments, often without significant environmental counterparts, which contributes to perpetuating a water intensive export pattern and the externalization of environmental and social costs. The conclusion is that the Brazilian model of international integration undermines the sustainability of water resources, deepens socio-environmental inequalities, and imposes unaccounted costs on producing regions. It is therefore recommended to incorporate the water variable into trade impact assessments; to link public incentives to the adoption of sustainable technologies; and to pursue effective alignment between foreign trade policies and the National Water Resources Policy, as pathways to promote a more environmentally responsible development model.Não recebi financiamentoporPontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)Comércio internacionalÁgua virtualSustentabilidade hídricaAgronegócio brasileiroPolíticas públicasInternational tradeVirtual waterWater sustainabilityBrazilian agribusinessPublic policiesExportação de água virtual e estresse hidráulico no Brasilinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional PUC-Campinasinstname:Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMPINAS)instacron:PUC_CAMP4242876569143258Branchi, Bruna AngelaFerreira, Denise Helena LombardoCorazza, Rosana Icassatti424287656914325853091896875771285790124540138007Escola de Economia e NegóciosSustentabilidadeOnlineNão se aplicaLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-80http://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/xmlui/bitstream/123456789/19554/2/license.txtd41d8cd98f00b204e9800998ecf8427eMD52ORIGINALecon_ppgsust_dissertação_santos_maa_null SILVA.pdfecon_ppgsust_dissertação_santos_maa_null SILVA.pdfapplication/pdf1005869http://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/xmlui/bitstream/123456789/19554/1/econ_ppgsust_disserta%c3%a7%c3%a3o_santos_maa_null%20SILVA.pdf18d110bb172b4965e9ba7002fc3161b7MD51123456789/195542025-11-10 16:51:48.194oai:repositorio.sis.puc-campinas.edu.br:123456789/19554Repositório InstitucionalPRIhttps://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/oai/requestsbi.bibliotecadigital@puc-campinas.edu.bropendoar:2025-11-10T18:51:48Repositório Institucional PUC-Campinas - Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMPINAS)false
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