Interações entre ácaros e abelhas sem ferrão: diversidade e descrições de novas espécies

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Costa, Tairis da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Ciências da Saúde e da Vida
Brasil
PUCRS
Programa de Pós Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9208
Resumo: A maioria dos ácaros associados a abelhas são mutualísticos e/ou comensais, atuando como saprófagos e predadores nos ninhos. O objetivo deste estudo foi analisar a comunidade de ácaros associados a colônias de abelhas sem ferrão no Brasil. O estudo foi conduzido em sete localidades: Bom Princípio, Ijuí, Panambi, Porto Alegre, Rolante, Santa Maria e Venâncio Aires. Em cada localidade, avaliamos colônias de Melipona quadrifasciata quadrifasciata Lepeletier, Scaptotrigona bipunctata (Lepeletier) e Tetragonisca fiebrigi (Schwarz), totalizando 21 amostras de cada espécie, exceto para S. bipunctata da qual obtivemos 16 amostras. O procedimento de coleta direta de ácaros das colônias, com o uso de pincel embebido em álcool 70%, contemplou 1) o tubo de entrada, 2) parede interna da colmeia e 3) potes de mel. Além disso, foram coletados para exame em laboratório 4) invólucro de cerume, 5) pólen, 6) alvéolos de cria e 7) abelhas adultas. Estimamos o número total de espécies de ácaros não observadas a partir da equação de Chao. Realizamos o perfil de diversidade usando a ordem de diversidade da série de Hill, para avaliar amplamente a diversidade de ácaros nas colônias. Para testar a dissimilaridade na composição utilizamos Escalonamento Multidimensional Não-Métrico e Permanova, realizamos análise SIMPER para avaliar quais espécies contribuíram para a dissimilaridade na composição de espécies. As interações entre os ácaros e as suas respectivas abelhas hospedeiras foram analisadas utilizando a análise de rede ecológica. Do total de 1.458 ácaros coletados a maior abundância foi registrada em M. quadrifasciata (938), seguida de S. bipunctata (408) e T. fiebrigi (112). Encontramos 18 espécies/morfoespécies de ácaros associados às colônias (Chao = 22 ± 5), sendo cinco são novas espécies. As espécies mais abundantes foram Hypoaspis alfabetica Berlese (773), Melissotydeus bipunctata Da-Costa et al. (363) e Lorryia meliponarum Da-Costa et al. (127). O perfil de diversidade de Hill indicou que a riqueza de ácaros (riqueza, q = 0) é mais alta em M. quadrifasciata do que em S. bipunctata e T. fiebrigi. A composição acarina se diferenciou nas espécies de abelhas analisadas (stress = 0,0011; Permanova, F (2,87) = 14,65; R2=0,25; p < 0,001). A rede de interação apresentou especificidade e compartilhamento de algumas espécies de ácaros entre as três espécies de abelhas sem ferrão. Encontramos cinco novas espécies de ácaros, três novas espécies de Iolinidae (Proctotydaeus (Neotydeolus) sp. nova, Proctotydaeus (Oriolella) sp. nova 1 e Proctotydaeus (Oriolella) sp. nova 2) e duas de Tydeidae (Lorryia meliponarum Da-Costa et al. 2019 e Melissotydeus bipunctata Da-Costa et al. 2019). Este trabalho evidencia que as abelhas sem ferrão abrigam uma alta diversidade de ácaros e que a composição da comunidade acarina é diferente de acordo com a espécie de abelha hospedeira.
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O procedimento de coleta direta de ácaros das colônias, com o uso de pincel embebido em álcool 70%, contemplou 1) o tubo de entrada, 2) parede interna da colmeia e 3) potes de mel. Além disso, foram coletados para exame em laboratório 4) invólucro de cerume, 5) pólen, 6) alvéolos de cria e 7) abelhas adultas. Estimamos o número total de espécies de ácaros não observadas a partir da equação de Chao. Realizamos o perfil de diversidade usando a ordem de diversidade da série de Hill, para avaliar amplamente a diversidade de ácaros nas colônias. Para testar a dissimilaridade na composição utilizamos Escalonamento Multidimensional Não-Métrico e Permanova, realizamos análise SIMPER para avaliar quais espécies contribuíram para a dissimilaridade na composição de espécies. As interações entre os ácaros e as suas respectivas abelhas hospedeiras foram analisadas utilizando a análise de rede ecológica. Do total de 1.458 ácaros coletados a maior abundância foi registrada em M. quadrifasciata (938), seguida de S. bipunctata (408) e T. fiebrigi (112). Encontramos 18 espécies/morfoespécies de ácaros associados às colônias (Chao = 22 ± 5), sendo cinco são novas espécies. As espécies mais abundantes foram Hypoaspis alfabetica Berlese (773), Melissotydeus bipunctata Da-Costa et al. (363) e Lorryia meliponarum Da-Costa et al. (127). O perfil de diversidade de Hill indicou que a riqueza de ácaros (riqueza, q = 0) é mais alta em M. quadrifasciata do que em S. bipunctata e T. fiebrigi. A composição acarina se diferenciou nas espécies de abelhas analisadas (stress = 0,0011; Permanova, F (2,87) = 14,65; R2=0,25; p < 0,001). A rede de interação apresentou especificidade e compartilhamento de algumas espécies de ácaros entre as três espécies de abelhas sem ferrão. Encontramos cinco novas espécies de ácaros, três novas espécies de Iolinidae (Proctotydaeus (Neotydeolus) sp. nova, Proctotydaeus (Oriolella) sp. nova 1 e Proctotydaeus (Oriolella) sp. nova 2) e duas de Tydeidae (Lorryia meliponarum Da-Costa et al. 2019 e Melissotydeus bipunctata Da-Costa et al. 2019). Este trabalho evidencia que as abelhas sem ferrão abrigam uma alta diversidade de ácaros e que a composição da comunidade acarina é diferente de acordo com a espécie de abelha hospedeira.Most of mites associated with bees are mutualistic and/or commensal, acting as saprophagous or predator in nests. The aim of this study was analyze the mite community associated with stingless bees in Brazil. The study was conducted in seven counties: Bom Princípio, Ijuí, Panambi, Porto Alegre, Rolante, Santa Maria e Venâncio Aires. In each locality, we evaluate colonies of Melipona quadrifasciata quadrifasciata Lepeletier, Scaptotrigona bipunctata (Lepeletier) e Tetragonisca fiebrigi (Schwarz), totalizing 21 samples of each species, except for S. bipunctata, which we obtain just 16 colonies. The procedure of sampling with 70% alcohol-soaked brush included 1) inlet tube, 2) internal wall of the colonies, and 3) pots of honey. Additionally, was collected for laboratory exam 4) cerumen wrapper, 5) pollen, 6) brood cells and 7) adult bees. We estimate the total of mite species not observed from the Chao equation. We perform the Hill’s diversity profile, to broadly evaluate the mite diversity in the colonies. To test the dissimilarity in composition we used Non-Metric Multidimensional Scaling and Permanova and perform SIMPER analysis to evaluate which species contributed to the dissimilarity in species composition. The interactions between mites and their respective host bees was analyzed using ecological network analysis. Of the 1.458 mites collected, the highest abundance was recorded in M. quadrifasciata (938), followed by S. bipunctata (408) and T. fiebrigi (112). We found 18 species/morphospecies of colony-associated mites (Chao = 22 ± 5), with five new species. The most abundant species were Hypoaspis alfabetica Berlese (773), Melissotydeus bipunctata Da-Costa et al. (363) e Lorryia meliponarum Da-Costa et al. (127). Hill's diversity profile indicated that mite species diversity (richness, q = 0) is higher in M. quadrifasciata than in S. bipunctata and T. fiebrigi. The composition of mites species differs in the bees species analyzed (stress = 0.0011; Permanova, F (2,87) = 14.65; R2=0.25; p < 0.001). The interaction network showed specificity and some species of mites among the three species of stingless bees. The five new species of mites belongs to family Iolinidae (Proctotydaeus (Neotydeolus) sp. nova, Proctotydaeus (Oriolella) sp. nova 1 and Proctotydaeus (Oriolella) sp. nova 2) and two from Tydeidae (Lorryia meliponarum Da-Costa et al. 2019 and Melissotydeus bipunctata Da-Costa et al. 2019). The study evidence that stingless bees harbor a high diversity of mites and that the composition of the acarine community differs among each species of host bee.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de Ciências da Saúde e da VidaBrasilPUCRSPrograma de Pós Graduação em Ecologia e Evolução da BiodiversidadeBlochtein, BetinaFerla, Noeli JuarezCosta, Tairis da2020-08-03T13:52:11Z2020-03-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9208porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2022-08-04T15:00:17Zoai:tede2.pucrs.br:tede/9208Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2022-08-04T15:00:17Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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