Processos sociais, estratégias produtivas e mudança ambiental em assentamentos da reforma agrária na região norte do Tocantins.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: SILVA, Felipe Otávio Campelo e.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Brasil
Centro de Humanidades - CH
PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
UFCG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/1882
Resumo: O modelo agrícola implementado na região norte do Tocantins nos últimos 50 anos, a partir do projeto de expansão da fronteira agrícola na região amazônica, tem intensificado tanto o acirramento nos conflitos pela posse da terra, como causado impactos ambientais significativos. A lógica econômica homogeneizadora baseada na instalação de extensos latifúndios para a prática da pecuária extensiva do gado, nas décadas de 60 e 70, deixaram heranças ambientais, sociais, políticas, econômicas e culturais, significativas para centenas de assentamentos que se formaram na região a partir do final da década de 80. Este trabalho procura focalizar, as relações entre os processos sociais ocorridos na região norte do Tocantins nesse período, e, as influências que esses exerceram sobre as escolhas das estratégias produtivas das famílias assentadas no Projeto de Assentamento Io de Janeiro, bem como as consequências ambientais decorrentes. Identificamos que as escolhas das estratégias produtivas adotadas pelas famílias em suas trajetórias de vida no tempo anterior ao assentamento, estão atreladas em grande parte, às relações de poder estabelecidas em torno da posse da terra, marcada pelo avanço da força oligárquica rural na região. Já no tempo de assentamento, fatores econômicos, políticos e ambientais, exercerão influências determinantes nas escolhas das estratégias produtivas, através de constrangimentos que exigirão constantes modificações por parte das famílias assentadas. O processo de pecuarização da região se mantém também, na estratégia produtiva da maioria das famílias assentadas, intensificando o processo de degradação ambiental da área, tendo como elemento fomentador, à atuação do mercado, a elevada produtividade do trabalho, as heranças ambientais e de infra-estruturas, bem como, a atuação do estado com suas práticas autoritárias e atreladas às elites rurais locais. O processo de intensificação da degradação das pastagens tem levado muitas famílias a elevarem o efetivo pecuário nos lotes, para compensarem as baixas produtividades, estabelecendo um ciclo de degradação ambiental e empobrecimento econômico, que tem colocado a temática ambiental no âmbito do debate sobre a reforma agrária na região. A manutenção da lógica produtiva de diversificação de culturas agrícolas destinadas principalmente à subsistência alimentar e venda de excedentes para o mercado local, aliado a criação de pequenos animais, ainda se faz presente em grande parte das famílias assentadas, o que em determinada maneira tem contribuído na garantia do atendimento das necessidades básicas das famílias, porém as áreas de pastagens se destacam na ocupação territorial dos lotes, e tem atuado como um elemento concorrente da estratégia camponesa de manutenção do ciclo energético na propriedade. As estratégias produtivas são pensadas então, dentro de uma lógica de manutenção da capacidade reprodutiva das famílias, onde o gado se torna um elemento de "resistência" camponesa, uma alternativa de permanência sobre o lote dentro de um ambiente altamente adverso para outras estratégias, mesmo que contraditório e insustentável em médio prazo. Nesse sentido, urge a atuação em rede de setores da sociedade civil e estado, no sentido de criar alternativas sustentáveis produtivas, ações de recuperação ambiental dos assentamentos, estimulando as práticas agroecológicas e o acesso ao mercado desses produtos
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A lógica econômica homogeneizadora baseada na instalação de extensos latifúndios para a prática da pecuária extensiva do gado, nas décadas de 60 e 70, deixaram heranças ambientais, sociais, políticas, econômicas e culturais, significativas para centenas de assentamentos que se formaram na região a partir do final da década de 80. Este trabalho procura focalizar, as relações entre os processos sociais ocorridos na região norte do Tocantins nesse período, e, as influências que esses exerceram sobre as escolhas das estratégias produtivas das famílias assentadas no Projeto de Assentamento Io de Janeiro, bem como as consequências ambientais decorrentes. Identificamos que as escolhas das estratégias produtivas adotadas pelas famílias em suas trajetórias de vida no tempo anterior ao assentamento, estão atreladas em grande parte, às relações de poder estabelecidas em torno da posse da terra, marcada pelo avanço da força oligárquica rural na região. Já no tempo de assentamento, fatores econômicos, políticos e ambientais, exercerão influências determinantes nas escolhas das estratégias produtivas, através de constrangimentos que exigirão constantes modificações por parte das famílias assentadas. O processo de pecuarização da região se mantém também, na estratégia produtiva da maioria das famílias assentadas, intensificando o processo de degradação ambiental da área, tendo como elemento fomentador, à atuação do mercado, a elevada produtividade do trabalho, as heranças ambientais e de infra-estruturas, bem como, a atuação do estado com suas práticas autoritárias e atreladas às elites rurais locais. O processo de intensificação da degradação das pastagens tem levado muitas famílias a elevarem o efetivo pecuário nos lotes, para compensarem as baixas produtividades, estabelecendo um ciclo de degradação ambiental e empobrecimento econômico, que tem colocado a temática ambiental no âmbito do debate sobre a reforma agrária na região. A manutenção da lógica produtiva de diversificação de culturas agrícolas destinadas principalmente à subsistência alimentar e venda de excedentes para o mercado local, aliado a criação de pequenos animais, ainda se faz presente em grande parte das famílias assentadas, o que em determinada maneira tem contribuído na garantia do atendimento das necessidades básicas das famílias, porém as áreas de pastagens se destacam na ocupação territorial dos lotes, e tem atuado como um elemento concorrente da estratégia camponesa de manutenção do ciclo energético na propriedade. As estratégias produtivas são pensadas então, dentro de uma lógica de manutenção da capacidade reprodutiva das famílias, onde o gado se torna um elemento de "resistência" camponesa, uma alternativa de permanência sobre o lote dentro de um ambiente altamente adverso para outras estratégias, mesmo que contraditório e insustentável em médio prazo. Nesse sentido, urge a atuação em rede de setores da sociedade civil e estado, no sentido de criar alternativas sustentáveis produtivas, ações de recuperação ambiental dos assentamentos, estimulando as práticas agroecológicas e o acesso ao mercado desses produtosUniversidade Federal de Campina GrandeBrasilCentro de Humanidades - CHPÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAISUFCGGOMES, Ramonildes Alves.GOMES, R. A.http://lattes.cnpq.br/7709505914296073CUNHA, Luis Henrique Hermínio.WANDERLEY, Maria de Nazareth Baudel.SILVA, Felipe Otávio Campelo e.20082018-10-02T17:07:58Z2018-10-022018-10-02T17:07:58Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesishttp://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/1882SILVA, Felipe Otávio Campelo e. Processos sociais, estratégias produtivas e mudança ambiental em assentamentos da reforma agrária na região norte do Tocantins. 2008. 214f. 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