Casa do Patrão & Quartinho da Empregada: as interseccionalidades de raça, gênero e classe sobre o trabalho doméstico na webcomic "Confinada" (2020-2021)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silveira, Gustavo Machado da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/23454
Resumo: Este trabalho analisa as relações sociais e de trabalho doméstico vivenciadas no contexto da Pandemia da Covid-19 e observadas a partir da sua representação feita na webcomic “Confinada”, uma história em quadrinhos publicada na rede social Instagram entre 2020 e 2021 e que foi produzida por Leandro Assis e Triscila Oliveira. Considera-se que o trabalho doméstico é atravessado pela interseccionalidade de raça, gênero e classe enquanto marcador social que coloca as mulheres negras e pobres como principais alvos das múltiplas opressões que perpassam a sociedade. Também é levado em consideração as raízes escravocratas que perpassam esse tipo de trabalho, enfatizando esta prática enquanto modo de dominação e subalternização do Outro. Assim sendo, explora as violências contra as trabalhadoras no período pandêmico ao mesmo tempo que reforça as condições degradantes as quais elas estavam expostas anteriormente – destacando a continuidade de um passado que não passa (Rousso, 2016). A narrativa da webcomic aborda questões político-sociais da realidade brasileira por meio das relações vividas entre duas personagens: Juliana Pereira (empregada doméstica, negra e pobre) e Franciele Clemente (influenciadora digital, branca e rica). Busca-se compreender como as relações entre as personagens, exploradas a partir do cotidiano delas durante a Pandemia da Covid-19, são representações que tematizam questões a respeito do trabalho doméstico e permitem a reflexão sobre a desigualdade social brasileira – assuntos estes que se fazem presentes além do recorte temporal, estabelecendo conexões com o passado escravista. Neste sentido, analisa-se as representações contidas na obra enquanto estratégia para denunciar: o racismo enquanto uma herança da escravidão e a Pandemia como um “acontecimento-monstro” (Dosse, 2013), que foi catalisador das desigualdades naquele período. Como resultado percebeu-se que a webcomic pode ser lida como um produto cultural historicamente datado, cujo conteúdo é um testemunho acerca do período estudado, causando reflexões sobre as violências às quais as trabalhadoras domésticas estavam submetidas – destacando a presença da interseccionalidade de raça, gênero e classe como marcadores que acentuam as violências. Em síntese, as representações evidenciaram a presença do racismo estrutural (Almeida, 2019) e da branquitude (Bento, 2022) como elementos que contribuíram para a dominação e subalternização das trabalhadoras domésticas ao longo da história, bem como aumentaram as vulnerabilidades as quais elas estavam submetidas durante a Pandemia da Covid-19. Para realizar esta análise foram articulados aportes teóricos da História do Tempo Presente, as discussões sobre representação, através de Chartier (1990; 2010) também se fazem presentes, bem como os estudos de Gênero com ênfase na interseccionalidade cujas principais contribuições podem ser retiradas das produções de Collins e Bilge (2021), Akotirene (2022) e Crenshaw (1989).
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