Significados atribuídos ao surfe por crianças da Barra da Lagoa em Florianópolis

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Klen, Juliana Araujo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/33523/001300000vk99
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/23045
Resumo: Esta pesquisa foi proposta para dar voz às crianças que surfam, acreditando que os significados atribuídos ao surfe por elas são singulares e complexos, os quais poderão contribuir para reafirmá-las como portadoras do direito de serem respeitadas em sua historicidade e cultura. O objetivo geral foi interpretar os significados do surfe para crianças frequentadoras de uma Escola de Surfe na Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC); e os objetivos específicos foram: a) identificar a dinâmica das aulas de surfe; b) verificar os aspectos relacionados ao brincar das crianças durante as aulas de surfe; c) verificar os aspectos relacionados à competição durante as aulas de surfe; d) interpretar as histórias, relacionadas ao surfe, das crianças da escola; e) identificar as sensações e emoções expressas pelas crianças durante as aulas de surfe. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, pois confere importância ao estudo das relações sociais com a finalidade de analisar aquilo que não é possível de ser mensurado. A produção do conhecimento e a investigação tiveram como base elementos da etnografia, cujo trabalho é o de possibilitar, como fazem a arte e a história, narrativas e enredos para redirecionar nossa atenção, no sentido de desviar para o que é importante. Participaram deste estudo 15 crianças, alunas de uma escola de surfe, localizada na praia da Barra da Lagoa em Florianópolis (SC) com idade entre 3 a 12 anos. Também participaram do estudo os professores de surfe da escola em questão, bem como pais e/ou responsáveis das crianças. Os instrumentos utilizados foram roteiros de observação participante e entrevistas semipadronizadas, fotografias, filmagens, e para registro das anotações foram utilizadas notas de campo em um diário. Os dados foram organizados e analisados utilizando-se os procedimentos de descrição densa, a qual foi constituída a partir do entrelaçamento denso dos dados por meio de descrição com vistas a conferir o significado social, a compreensão e a representação do problema de pesquisa. As crianças utilizaram elementos da natureza para suas brincadeiras de faz-de-conta permitindo expandir a imaginação. Os aspectos competitivos não extinguiram o brincar, pelo contrário, incentivaram a superação e a colaboração coletiva, bem como sensações de felicidade, adrenalina, diversão, satisfação e auto realização. O medo foi observado como sentimento atrelado ao brincar por provocar a vivência de fortes sensações e emoções despertadas durante a prática. As interações sociais foram observadas entre as crianças por meio de brincadeiras em grupo, mas, também, individualmente, por meio do autocuidado, entre as crianças e seus pais e professores por meio do incentivo, como conversas e apoio físico e emocional. O cuidado com a natureza foi percebido nas tentativas de preservação e da preocupação para com esta. As crianças investigadas desenvolveram brincadeiras específicas, por terem o mar como fonte de inspiração, aprimorando a criatividade e o companheirismo. Esta pesquisa contribuiu para a compreensão dos significados que o surfe pode ter na vida de crianças, em particular, frequentadoras de uma escola especializada na Barra a Lagoa, permitindo conhecer suas maneiras de lidar com o esporte, com o brincar, com o sentir medo, com a competição, entre outros. Por sua vez, o melhor conhecê-las reverbera no como melhor lidar com elas, podendo potencializar os aprendizados.
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