Poder e afeto nas narrativas bíblicas: uma análise da construção do ethos discursivo nas parábolas contadas por Jesus

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Gonçalves, João Batista Costa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Ufc
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=84073
Resumo: <div style="">Dentro de um horizonte teórico atrelado à Análise de Discurso de extração francesa, o presente estudo tem como objetivo maior analisar as formas de Jesus se representar discursivamente nas parábolas contadas nos três primeiros Evangelhos bíblicos do Novo Testamento (Mateus, Marcos e Lucas) a partir da categoria do ethos discursivo, discutida, sobretudo, por Dominique Maingueneau ao longo de toda a sua obra. Para compor a nossa base teórica, fizemos inicialmente, sob um olhar discursivo, um esgarçamento semântico do termo ethos, analisando diferentes perspectivas (filosófica, antropológica, retórica, literária, pragmática e discursiva) que exploraram o termo, bem como revelamos a relação de proximidade conceitual entre o ethos discursivo e alguns termos afins (habitus, esquematização e estilo). Em seguida, no intuito de mostrar como os sujeitos, nas práticas enunciativas em que estão envolvidos, se submetem, mas, ao mesmo tempo, resistem às coerções discursivas que procuram impingir-lhes, buscamos estudar algumas teorias lingüísticas (pragmáticas, enunciativas e discursivas) que, direta ou indiretamente, discutem uma proposta ética para as representações discursivas que os interlocutores assumem para si e para o outro nas trocas linguageiras. A seguir, propomo-nos a discutir a relação entre ethos e gênero discursivo, tomando como ponto básico as reflexões de Mikhail Bakhtin e Dominique Maingueneau, para mostrar como o gênero possibilita a criação de determinadas imagens de si e do outro a partir do caráter normativo e coercitivo que o gênero tem sobre a formação das imagens discursivas. Posteriormente, para concluir o aporte teórico em que a pesquisa se estriba, tratamos de expor, baseados em diferentes posições teóricas (Mikhail Bakhtin, Michel Pêcheux, Jacqueline Authieur-Revuz, Oswald Ducrot e Dominique Maingueneau), como o ethos depende da heterogeneidade discursiva para manifestar, na materialidade lingüística, as imagens dos sujeitos no discurso. Na análise propriamente dita, partindo de um debate teórico sobre os jogos de poder, discute-se, de maneira geral, como as relações de poder e afeto se dão dentro do universo bíblico neotestamentário, onde as parábolas são narradas por Jesus. Depois, procuramos estudar, com base na teoria das cenas enunciativas propostas por D. Maingueneau, a cena englobante em que o discurso parabólico se apóia, destacando as principais características que identificam o discurso religioso de que as parábolas fazem parte; a cena genérica para a qual as parábolas são interpeladas, para o que mostramos a configuração estrutural e discursiva do gênero parábola bíblica; e, por fim, como as cenografias suscitadas por essas historietas narradas por Jesus cooperam para legitimar a imagem que o enunciador pretende dar de si para os seus ouvintes. Aqui, antes de proceder a essa análise, firmamos os procedimentos metodológicos utilizados, para, só em seguida, buscarmos descrever, classificar e analisar os tipos de imagens que caracterizam os ethé da autoridade e da benevolência na situação comunicativa das narrativas parabólicas. Ao termo dessa investigação sobre a construção do ethos de Jesus nas parábolas, podemos chegar a, pelo menos, duas constatações: em primeiro lugar, da polivalência de imagens construídas nessa prática discursiva, é possível detectar algumas que se mostram como as mais recorrentes: a imagem de um enunciador detentor de autoridade e, ao mesmo tempo, possuidor de um caráter afetuoso e, em segundo lugar, que essas diferentes figuras que compõem o perfil de Jesus revelam como esse enunciador-narrador joga com um repertório de imagens que, muitas vezes, se entrecruzam, se complementam ou se distanciam dentro desse regime de enunciação de acordo com uma série de expedientes discursivos. Palavras-chave: poder, afeto, discurso, ethos, parábola, autoridade e benevolência.</div>
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Em seguida, no intuito de mostrar como os sujeitos, nas práticas enunciativas em que estão envolvidos, se submetem, mas, ao mesmo tempo, resistem às coerções discursivas que procuram impingir-lhes, buscamos estudar algumas teorias lingüísticas (pragmáticas, enunciativas e discursivas) que, direta ou indiretamente, discutem uma proposta ética para as representações discursivas que os interlocutores assumem para si e para o outro nas trocas linguageiras. A seguir, propomo-nos a discutir a relação entre ethos e gênero discursivo, tomando como ponto básico as reflexões de Mikhail Bakhtin e Dominique Maingueneau, para mostrar como o gênero possibilita a criação de determinadas imagens de si e do outro a partir do caráter normativo e coercitivo que o gênero tem sobre a formação das imagens discursivas. Posteriormente, para concluir o aporte teórico em que a pesquisa se estriba, tratamos de expor, baseados em diferentes posições teóricas (Mikhail Bakhtin, Michel Pêcheux, Jacqueline Authieur-Revuz, Oswald Ducrot e Dominique Maingueneau), como o ethos depende da heterogeneidade discursiva para manifestar, na materialidade lingüística, as imagens dos sujeitos no discurso. Na análise propriamente dita, partindo de um debate teórico sobre os jogos de poder, discute-se, de maneira geral, como as relações de poder e afeto se dão dentro do universo bíblico neotestamentário, onde as parábolas são narradas por Jesus. Depois, procuramos estudar, com base na teoria das cenas enunciativas propostas por D. 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Ao termo dessa investigação sobre a construção do ethos de Jesus nas parábolas, podemos chegar a, pelo menos, duas constatações: em primeiro lugar, da polivalência de imagens construídas nessa prática discursiva, é possível detectar algumas que se mostram como as mais recorrentes: a imagem de um enunciador detentor de autoridade e, ao mesmo tempo, possuidor de um caráter afetuoso e, em segundo lugar, que essas diferentes figuras que compõem o perfil de Jesus revelam como esse enunciador-narrador joga com um repertório de imagens que, muitas vezes, se entrecruzam, se complementam ou se distanciam dentro desse regime de enunciação de acordo com uma série de expedientes discursivos. Palavras-chave: poder, afeto, discurso, ethos, parábola, autoridade e benevolência.</div><div style="">Dans un horizon théorique attaché à l'Analyse de Discours d'extraction française, la présente étude a pour but plus grand celui d’analyser les formes de Jésus se représenter discursivement dans les paraboles racontées dans les trois premières Évangiles bibliques du Nouveau Testament (Mathieu, Marc et Luc) à partir de la catégorie de l’ethos discursif, discutée, surtout, par Dominique Maingueneau au long de toute son oeuvre. Pour composer notre base théorique, on a fait initialement, sous le regard discursif, l’élargissement sémantique de terme ethos, en analysant des différentes perspectives (philosophique, anthropologique, rhétorique, littéraire, pragmatique et discursive) qui ont exploré le terme, nous avons, aussi bien, révélé la rélation de proximité conceptuelle entre l’ethos discursif et quelques termes semblables (habitus, schématisation et style). Ensuite, avec l'intention de démontrer comment les sujets, dans les pratiques énonciatives dans lesquelles ils sont impliqués, ils se soumettent, mais, en même temps ils résistent aux coercitions discursives que l’on cherche à leur imposer, on essaye d’étudier quelques théories linguistiques (pragmatiques, énonciatives et discursives) que, directe ou indirectement, discutent une proposition éthique pour les représentations discursives que les interlocuteurs en prennent pour eux même et pour l'autrui dans les échanges langagiers. À la suite, nous nous proposons à discuter le rapport entre ethos et genre discursif, prennant par principe les réflexions de Mikhail Bakhtin et de Dominique Maingueneau, pour démontrer comment le genre rend possible la création de certaines images de soi et de l'autrui à partir du caractère normatif et coercitif que le genre a sur la formation des images discursives. Ultérieurement, pour conclure l’apport théorique dans lequel la recherche se tient, nous traitons d'exposer, basé aux différentes positions théoriques (Mikhail Bakhtin, Michel Pêcheux, Jacqueline Authieur-Revuz, Oswald Ducrot et Dominique Maingueneau) comment l’ethos dépend de l'hétérogénéité discursive pour manifester, dans la matérialité linguistique, les images des sujets dans le discours. Dans l'analyse proprement dite, partant d'un débat théorique sur les jeux de pouvoir, on discute, de manière générale, comment les rapports de pouvoir et d’affection se tiennent à l'intérieur de l'univers biblique néotestamentaire, où les paraboles sont dites par Jésus. Ensuite, nous cherchons étudier, fondé à la théorie des scènes énonciatives proposées par D. Maingueneau, la scène englobante dans laquelle le discours parabolique s’attache, mettant en relief les principales caractéristiques qui identifient le discours religieux dont les paraboles font partie; la scène générique pour laquelle les paraboles sont interpellées, pour ce que nous montrons la configuration structurelle et la discursive du genre parabole biblique et, finalement, nous analysons comment les scénographies suscitées par ces historiettes dites par Jésus coopèrent pour légitimer l'image que l'énonciateur prétend donner de lui pour ses auditeurs. Ici, avant de procéder à cette analyse, nous affermissons les procédures méthodologiques utilisées, pour puis après chercher décrire, classer et analyser les types d'images qui le caractérisent l'ethé de l'autorité et de la bienveillance dans la situation comunicative des récits paraboliques. Au bout de cette recherche sur la construction de l’ethos de Jésus dans les paraboles, nous pouvons arriver, au moins, à deux constatations: d’abord, de la polyvalence d'images construites dans cette pratique discursive, c'est possible détecter quelques-unes qui se montrent comme les plus récurrents: l'image d'un énonciateur détenteur d'autorité et, en même temps, le possesseur d'un caractère affectueux et, deuxièmement, que ces différentes figures qui composent le profil de Jésus révèlent comment cet énonciateur-narrateur joue avec un répertoire d'images, qui, plusieurs fois, s'entrecroisent, se complètent ou s'éloignent à l'intérieur de ce régime d'énonciation, conformément à une série d'expédients discursifs. Mots-clé: pouvoir, affection, discours, ethos, parabole, autorité et bienveillance</div>UfcNelson Barros da CostaGonçalves, João Batista Costa2019-05-13T14:36:06Z2016info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=84073info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2019-05-13T14:36:06Zoai:uece.br:84073Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2019-05-13T14:36:06Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
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