Avaliação da atividade antinociceptiva do veneno da serpente Bothrops moojeni

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Rebouça Júnior, José Pereira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=64203
Resumo: Estudos têm sido desenvolvidos visando a busca de novas substâncias analgésicas que proporcionem um tratamento eficaz no alívio das dores intensas. Assim, o objetivo desse trabalho foi estudar a atividade antinociceptiva do veneno bruto da serpente Bothrops moojeni em modelos experimentais. O efeito antinociceptivo central e periférico do veneno bruto foi avaliado em quatro ensaios farmacológicos: teste de contorções abdominais induzidas por ácido acético, teste da formalina, teste da retirada da cauda (tail-flick) e teste da placa quente. Esse efeito foi comparado com o do analgésico clássico morfina e o envolvimento do sistema opióide foi verificado através do uso da naloxona, antagonista opióide clássico. Em todos os testes realizados foram utilizados camundongos swiss (Mus musculus) (n = 6) e tanto o veneno bruto de Bothrops moojeni como a morfina foram administrados por via intraperitoneal. No teste de contorções abdominais, o veneno bruto apresentou atividade analgésica periférica nas doses de 0,025 mg/Kg (24,00 ± 2,77 ); 0,05 mg/Kg (12,38 ± 2,61); 0,1 mg/Kg (8,50 ± 1,21) e 0,2 mg/Kg (4,40 ± 0,60) em relação ao controle negativo (35,38 ± 2,37). A dose de 0,2 mg/Kg inibiu as contorções abdominais em aproximadamente 87,5% e foi significativamente diferente das doses de 0,025 mg/Kg (32,1%); 0,05 mg/Kg (65,0%) e 0,1 mg/Kg (76,0%). No teste da formalina, fase 1, o veneno bruto inibiu, de forma significativa, o tempo de lambida na pata injuriada apresentando atividade antinociceptiva de origem neurogênica nas doses de 0,1 mg/Kg (70,00 ± 6,09) e 0,2 mg/Kg (51,86 ± 5,14) em relação ao controle negativo (111,40 ± 5,08). As doses de 0,2 mg/Kg e 0,1 mg/Kg inibiram o tempo de lambida em aproximadamente 37,0% e 53,5%, respectivamente. Na fase 2 do teste da formalina, o veneno bruto apresentou atividade antinociceptiva nas doses de 0,025 mg/Kg (156,3 ± 6,22); 0,0 5mg/Kg (88,14 ± 11,96), 0,1 mg/Kg (63,71 ± 7,09) e 0,2 mg/Kg (42,45 ± 5,25) em relação ao controle negativo (222,70 ± 17,75), demonstrando atividade analgésica de origem inflamatória. A dose de 0,2 mg/Kg inibiu o tempo de lambida em aproximadamente 81,0% e foi significativamente diferente das doses de 0,025 mg/Kg (30,0%); 0,05 mg/Kg (60,5%) e 0,1 mg/Kg (71,5%). No teste da placa quente e da retirada da cauda, o veneno bruto não apresentou atividade antinociceptiva central-cerebral e medular, respectivamente, em nenhuma das doses testadas. Foi verificado também que a naloxona (5,0 mg/kg), intraperitoneal, não foi capaz de bloquear o efeito antinociceptivo do veneno bruto em nenhum dos testes realizados, provavelmente indicando que seu mecanismo de ação não envolve a via opióide. Conclui-se assim que o veneno bruto da serpente Bothrops moojeni apresentou atividade antinociceptiva periférica, e possui um potencial biológico para ser utilizado como ferramenta para o estudo da nocicepção, podendo servir para o desenvolvimento de novos medicamentos para tratamento da dor. Palavras-chave: Bothrops moojeni, veneno bruto, atividade antinociceptiva.
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Em todos os testes realizados foram utilizados camundongos swiss (Mus musculus) (n = 6) e tanto o veneno bruto de Bothrops moojeni como a morfina foram administrados por via intraperitoneal. No teste de contorções abdominais, o veneno bruto apresentou atividade analgésica periférica nas doses de 0,025 mg/Kg (24,00 ± 2,77 ); 0,05 mg/Kg (12,38 ± 2,61); 0,1 mg/Kg (8,50 ± 1,21) e 0,2 mg/Kg (4,40 ± 0,60) em relação ao controle negativo (35,38 ± 2,37). A dose de 0,2 mg/Kg inibiu as contorções abdominais em aproximadamente 87,5% e foi significativamente diferente das doses de 0,025 mg/Kg (32,1%); 0,05 mg/Kg (65,0%) e 0,1 mg/Kg (76,0%). No teste da formalina, fase 1, o veneno bruto inibiu, de forma significativa, o tempo de lambida na pata injuriada apresentando atividade antinociceptiva de origem neurogênica nas doses de 0,1 mg/Kg (70,00 ± 6,09) e 0,2 mg/Kg (51,86 ± 5,14) em relação ao controle negativo (111,40 ± 5,08). As doses de 0,2 mg/Kg e 0,1 mg/Kg inibiram o tempo de lambida em aproximadamente 37,0% e 53,5%, respectivamente. Na fase 2 do teste da formalina, o veneno bruto apresentou atividade antinociceptiva nas doses de 0,025 mg/Kg (156,3 ± 6,22); 0,0 5mg/Kg (88,14 ± 11,96), 0,1 mg/Kg (63,71 ± 7,09) e 0,2 mg/Kg (42,45 ± 5,25) em relação ao controle negativo (222,70 ± 17,75), demonstrando atividade analgésica de origem inflamatória. A dose de 0,2 mg/Kg inibiu o tempo de lambida em aproximadamente 81,0% e foi significativamente diferente das doses de 0,025 mg/Kg (30,0%); 0,05 mg/Kg (60,5%) e 0,1 mg/Kg (71,5%). No teste da placa quente e da retirada da cauda, o veneno bruto não apresentou atividade antinociceptiva central-cerebral e medular, respectivamente, em nenhuma das doses testadas. Foi verificado também que a naloxona (5,0 mg/kg), intraperitoneal, não foi capaz de bloquear o efeito antinociceptivo do veneno bruto em nenhum dos testes realizados, provavelmente indicando que seu mecanismo de ação não envolve a via opióide. Conclui-se assim que o veneno bruto da serpente Bothrops moojeni apresentou atividade antinociceptiva periférica, e possui um potencial biológico para ser utilizado como ferramenta para o estudo da nocicepção, podendo servir para o desenvolvimento de novos medicamentos para tratamento da dor. Palavras-chave: Bothrops moojeni, veneno bruto, atividade antinociceptiva.Studies have been developed in search of new analgesic substances that provide an effective treatment for the relief of severe pains. The objective of this study was to investigate the antinociceptive effect from the venom of Bothrops moojeni in experimental models. The central and peripheral antinociceptive effect of crude venom was evaluated in four pharmacological tests: the writhing test induced by acetic acid, the formalin test, the tail-flick test and the hot plate test. This effect was compared with the classic analgesic morphine and the involvement of the opióide system was verified through the use of naloxona, opióide antagonist classic. In all tests were used swiss mice (Mus musculus) (n = 6) and route of administration of crude venom of Bothrops moojeni and morphine was the intraperitoneal. In the writhing test, the crude venom showed peripheral analgesic activity at doses of 0,025 mg/kg (24,00 ± 2,77); 0,05 mg/kg (12,38 ± 2,61); 0,1 mg/kg (8,50 ± 1,21) and 0,2 mg/kg (4,40 ± 0,60) compared to negative control (35,38 ± 2,37). The dose of 0,2 mg/Kg inhibited the writhing in approximately 87,5% and was significantly different from doses of 0,025 mg/Kg (32,1%); 0,05 mg/Kg (65,0%) and 0,1 mg/Kg (76,0%). In the formalin test, phase 1, the crude venom inhibited significantly the time to lick the injured leg showing antinociceptive activity of neurogenic origin in doses of 0,1 mg/kg (70,00 ± 6.09) and 0,2 mg/kg (51,86 ± 5,14) compared to negative control (111,40 ± 5,08). In phase 2 of the formalin test, the crude venom showed antinociceptive activity at doses of 0,025 mg/kg (156,3 ± 6,22); 0,05 mg/kg (88,14 ± 11,96); 0,1 mg/kg (63,71 ± 7,09) and 0,2 mg/kg (42,45 ± 5,25) compared to negative control (222,70 ± 17,75), showing analgesic activity of inflammatory origin. The dose of 0,2 mg/kg inhibited the licking time in approximately 81,0% and was significantly different from doses of 0,025 mg/kg (30,0%); 0,05 mg/kg (60,5%) and 0,1 mg/kg (71,5%). In the hot plate and tail-flick, the crude venom didn´t show antinociceptive activity of central-brain and spinal cord, respectively, in any of the doses tested. It was also found that naloxone (5,0 mg/kg), intraperitoneal, was unable to block the antinociceptive effect of crude venom on any of the tests, probably indicating that its mechanism of action doesn´t involve the opioid route. It is therefore concluded that the crude venom of Bothrops moojeni showed antinociceptive activity peripherally and have a biological potential to be used as a tool for the study of nociception, which may serve to develop new drugs to treat pain. Keywords: Bothrops moojeni, crude venom, antinociceptive activityUniversidade Estadual do CearáKRISHNAMURTI DE MORAIS CARVALHORebouça Júnior, José Pereira2010-10-18T00:00:00Z2010info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=64203info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2010-10-18T00:00:00Zoai:uece.br:64203Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2010-10-18T00:00Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
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