Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República
| Ano de defesa: | 2015 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais::Faculdade de Direito BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Direito |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Não Informado pela instituição
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/9706 |
Resumo: | O presente trabalho tem o objetivo geral de estudar a permanência do positivismo criminológico no Brasil e sua parcela de contribuição para a naturalização da desigualdade característica da seletividade de nosso sistema de controle social. Tendo como pano de fundo a hegemônica ideologia da democracia racial , a pesquisa pretende afastar ocultações de harmonia racial e demonstrar como, a despeito delas, a incorporação da criminologia positivista carregou a reificação da distinção racializada no olhar para a questão criminal , se enraizando no sistema penal. Partindo de um problema presente o componente racista da seleção preferencial do sistema penal brasileiro a pesquisa busca na recuperação histórica a leitura das traduções realizadas pelos intelectuais brasileiros que, problematizando a nacionalidade e a cidadania no momento de transição representado pela Primeira República, construíram ideias sobre o crime , o criminoso e a defesa social a partir de critérios de distinção ancorados em visões racializadas , gerais e individualizantes. Para tanto, coloca-se em questão a inserção do positivismo na polícia, dentro do contexto das reformas policiais do início do século XX. Chama-se a atenção para o papel de determinados tradutores traidores do positivismo chamados de intelectuais de polícia no campo policial , assim como para a forma de introdução dessa criminologia, usando-se a ideia de luta simbólica pela mudança da prática policial. Pretendendo, desse modo, contribuir com o estudo da questão criminal e com a compreensão do sistema penal brasileiro a partir do diálogo entre criminologia, história e sociologia, as conclusões do trabalho apontam para a oportunidade da abordagem da polícia como um campo social dotado de um habitus específico. Essa visão possibilita, por um lado, a interpretação das pretensões modernizantes dos intelectuais de polícia alinhadas com o pensamento positivista como pressões sobre as estruturas desse campo, passíveis de rejeição e de retradução no interior desse mundo social específico . De outro, admitindo-se a possibilidade de tensionamento e reestruturação do habitus policial como resultado dessas demandas externas , pode-se encontrar nessas disposições duráveis elementos da permanência do positivismo que imprimiram na prática policial as desigualdades ocultadas pelo mito da democracia racial . |
| id |
UERJ_14e4164f8494f5c2ec77617050dd0f79 |
|---|---|
| oai_identifier_str |
oai:www.bdtd.uerj.br:1/9706 |
| network_acronym_str |
UERJ |
| network_name_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| repository_id_str |
|
| spelling |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira RepúblicaTranslations of inequality: criminological thought and police field in Rio de Janeiro during First RepublicCriminologyHistoryOld RepublicRio de JaneiroPolice fieldRacismCriminologiaHistóriaRepública VelhaRio de JaneiroCampo policialRacismoCNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITO::DIREITO PUBLICO::DIREITO PENALO presente trabalho tem o objetivo geral de estudar a permanência do positivismo criminológico no Brasil e sua parcela de contribuição para a naturalização da desigualdade característica da seletividade de nosso sistema de controle social. Tendo como pano de fundo a hegemônica ideologia da democracia racial , a pesquisa pretende afastar ocultações de harmonia racial e demonstrar como, a despeito delas, a incorporação da criminologia positivista carregou a reificação da distinção racializada no olhar para a questão criminal , se enraizando no sistema penal. Partindo de um problema presente o componente racista da seleção preferencial do sistema penal brasileiro a pesquisa busca na recuperação histórica a leitura das traduções realizadas pelos intelectuais brasileiros que, problematizando a nacionalidade e a cidadania no momento de transição representado pela Primeira República, construíram ideias sobre o crime , o criminoso e a defesa social a partir de critérios de distinção ancorados em visões racializadas , gerais e individualizantes. Para tanto, coloca-se em questão a inserção do positivismo na polícia, dentro do contexto das reformas policiais do início do século XX. Chama-se a atenção para o papel de determinados tradutores traidores do positivismo chamados de intelectuais de polícia no campo policial , assim como para a forma de introdução dessa criminologia, usando-se a ideia de luta simbólica pela mudança da prática policial. Pretendendo, desse modo, contribuir com o estudo da questão criminal e com a compreensão do sistema penal brasileiro a partir do diálogo entre criminologia, história e sociologia, as conclusões do trabalho apontam para a oportunidade da abordagem da polícia como um campo social dotado de um habitus específico. Essa visão possibilita, por um lado, a interpretação das pretensões modernizantes dos intelectuais de polícia alinhadas com o pensamento positivista como pressões sobre as estruturas desse campo, passíveis de rejeição e de retradução no interior desse mundo social específico . De outro, admitindo-se a possibilidade de tensionamento e reestruturação do habitus policial como resultado dessas demandas externas , pode-se encontrar nessas disposições duráveis elementos da permanência do positivismo que imprimiram na prática policial as desigualdades ocultadas pelo mito da democracia racial .This work has, as a general goal, to study the criminological positivism s permanence in Brazil and its share of contribution to the naturalization of inequality in our Social Control System s selectivity. Taking as a background the hegemonic ideology of racial democracy , the research intends to remove the occultation that racial harmony has built, and to show how the positivist criminology s incorporation carried the reification of a racial distinction under the view of the criminal question , rooting it in the Criminal System. Starting from an actual problem the racism in the Brazilian Criminal System s selectivity the research seeks, by the historical retrieval, to understand the translations that the Brazilian intellectuals has made by questioning the nationality and the citizenship in the transitions of First Republic to build ideas about crime , criminals , and social defense , using distinction criteria based on general and individualizing racialized visions. Therefore, we call into question the positivism s insertion in the police under the context of police reforms in the beginning of the 20th century. We draw attention to the roles that the translators traitors of positivism who we call police intellectuals had in the police field by using the idea of a symbolic struggle for changing the police practice. In order to contribute to the study of the criminal question and to the comprehension of the Brazilian Criminal System through the dialogue between criminology, history and sociology, this work conclusions point that the approach to the police as a social field provided with an specific habitus is an interesting opportunity. This point of view makes it possible to read the police intellectuals modernizing claims next to the positivist thought as pressures on this field s structures, which may be rejected or translated inside this specific social world . On the other hand, if we admit that the police habitus can be tensioned and restructured by external demands, we can find in those durable dispositions some elements of the positivism s permanence that has printed in the police practice the inequalities hidden by the racial democracy myth .Universidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Ciências Sociais::Faculdade de DireitoBRUERJPrograma de Pós-Graduação em DireitoTangerino, Davi de Paiva Costahttp://lattes.cnpq.br/7136590305836808Siqueira, Gustavo Silveirahttp://lattes.cnpq.br/8049000852873871Batista, Vera Malaguti de Souza Weglinskihttp://lattes.cnpq.br/0351270029983184Sozzo, Máximo EmilianoSilva, Rodrigo Fernandes da2021-01-05T21:19:49Z2016-04-122015-08-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfSILVA, Rodrigo Fernandes da. Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República. 2015. 219 f. Dissertação (Mestrado em Direito Civil Constitucional; Direito da Cidade; Direito Internacional e Integração Econômica; Direi) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/9706porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-02-27T17:17:50Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/9706Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-02-27T17:17:50Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false |
| dc.title.none.fl_str_mv |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República Translations of inequality: criminological thought and police field in Rio de Janeiro during First Republic |
| title |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República |
| spellingShingle |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República Silva, Rodrigo Fernandes da Criminology History Old Republic Rio de Janeiro Police field Racism Criminologia História República Velha Rio de Janeiro Campo policial Racismo CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITO::DIREITO PUBLICO::DIREITO PENAL |
| title_short |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República |
| title_full |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República |
| title_fullStr |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República |
| title_full_unstemmed |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República |
| title_sort |
Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República |
| author |
Silva, Rodrigo Fernandes da |
| author_facet |
Silva, Rodrigo Fernandes da |
| author_role |
author |
| dc.contributor.none.fl_str_mv |
Tangerino, Davi de Paiva Costa http://lattes.cnpq.br/7136590305836808 Siqueira, Gustavo Silveira http://lattes.cnpq.br/8049000852873871 Batista, Vera Malaguti de Souza Weglinski http://lattes.cnpq.br/0351270029983184 Sozzo, Máximo Emiliano |
| dc.contributor.author.fl_str_mv |
Silva, Rodrigo Fernandes da |
| dc.subject.por.fl_str_mv |
Criminology History Old Republic Rio de Janeiro Police field Racism Criminologia História República Velha Rio de Janeiro Campo policial Racismo CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITO::DIREITO PUBLICO::DIREITO PENAL |
| topic |
Criminology History Old Republic Rio de Janeiro Police field Racism Criminologia História República Velha Rio de Janeiro Campo policial Racismo CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITO::DIREITO PUBLICO::DIREITO PENAL |
| description |
O presente trabalho tem o objetivo geral de estudar a permanência do positivismo criminológico no Brasil e sua parcela de contribuição para a naturalização da desigualdade característica da seletividade de nosso sistema de controle social. Tendo como pano de fundo a hegemônica ideologia da democracia racial , a pesquisa pretende afastar ocultações de harmonia racial e demonstrar como, a despeito delas, a incorporação da criminologia positivista carregou a reificação da distinção racializada no olhar para a questão criminal , se enraizando no sistema penal. Partindo de um problema presente o componente racista da seleção preferencial do sistema penal brasileiro a pesquisa busca na recuperação histórica a leitura das traduções realizadas pelos intelectuais brasileiros que, problematizando a nacionalidade e a cidadania no momento de transição representado pela Primeira República, construíram ideias sobre o crime , o criminoso e a defesa social a partir de critérios de distinção ancorados em visões racializadas , gerais e individualizantes. Para tanto, coloca-se em questão a inserção do positivismo na polícia, dentro do contexto das reformas policiais do início do século XX. Chama-se a atenção para o papel de determinados tradutores traidores do positivismo chamados de intelectuais de polícia no campo policial , assim como para a forma de introdução dessa criminologia, usando-se a ideia de luta simbólica pela mudança da prática policial. Pretendendo, desse modo, contribuir com o estudo da questão criminal e com a compreensão do sistema penal brasileiro a partir do diálogo entre criminologia, história e sociologia, as conclusões do trabalho apontam para a oportunidade da abordagem da polícia como um campo social dotado de um habitus específico. Essa visão possibilita, por um lado, a interpretação das pretensões modernizantes dos intelectuais de polícia alinhadas com o pensamento positivista como pressões sobre as estruturas desse campo, passíveis de rejeição e de retradução no interior desse mundo social específico . De outro, admitindo-se a possibilidade de tensionamento e reestruturação do habitus policial como resultado dessas demandas externas , pode-se encontrar nessas disposições duráveis elementos da permanência do positivismo que imprimiram na prática policial as desigualdades ocultadas pelo mito da democracia racial . |
| publishDate |
2015 |
| dc.date.none.fl_str_mv |
2015-08-25 2016-04-12 2021-01-05T21:19:49Z |
| dc.type.status.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/publishedVersion |
| dc.type.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/masterThesis |
| format |
masterThesis |
| status_str |
publishedVersion |
| dc.identifier.uri.fl_str_mv |
SILVA, Rodrigo Fernandes da. Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República. 2015. 219 f. Dissertação (Mestrado em Direito Civil Constitucional; Direito da Cidade; Direito Internacional e Integração Econômica; Direi) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/9706 |
| identifier_str_mv |
SILVA, Rodrigo Fernandes da. Traduções da desigualdade: pensamento criminológico e campo policial no Rio de Janeiro da Primeira República. 2015. 219 f. Dissertação (Mestrado em Direito Civil Constitucional; Direito da Cidade; Direito Internacional e Integração Econômica; Direi) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. |
| url |
http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/9706 |
| dc.language.iso.fl_str_mv |
por |
| language |
por |
| dc.rights.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/openAccess |
| eu_rights_str_mv |
openAccess |
| dc.format.none.fl_str_mv |
application/pdf |
| dc.publisher.none.fl_str_mv |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Ciências Sociais::Faculdade de Direito BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Direito |
| publisher.none.fl_str_mv |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Ciências Sociais::Faculdade de Direito BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Direito |
| dc.source.none.fl_str_mv |
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ instname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) instacron:UERJ |
| instname_str |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) |
| instacron_str |
UERJ |
| institution |
UERJ |
| reponame_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| collection |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| repository.name.fl_str_mv |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) |
| repository.mail.fl_str_mv |
bdtd.suporte@uerj.br |
| _version_ |
1829133585802592256 |