Nas águas da memória: o rio como metáfora em Dois irmãos e Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
| Ano de defesa: | 2013 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Letras BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Letras |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6090 |
Resumo: | As narrativas Dois irmãos e Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum, estão cercadas pelo ambiente dos rios, espaço fluido, aquoso, profundo, que representa o limite entre a vida e a morte. O rio, cenário mítico, simbólico para o material ficcional das narrativas, metaforicamente também pode ser entendido como o lugar mais íntimo e profundo do ser, onde os personagens são levados a uma imersão, um voltar-se para si mesmo. Espaço de transcendência, permitida pelo mergulho na memória, que, assim como os rios, é dinâmica, instável, fluida. Temos nos livros de Hatoum narradores em primeira pessoa que se dedicam a recompor os fios dos tempos através de relatos, num processo solitário, por vias da memória. Eles fazem um mergulho no íntimo do homem e descobrem sua condição humana, frágil. Num trabalho de catarse e de autorreflexão, alimentado pela memória, eles se descobrem estranhos a si mesmos, uma vez que, ao reconstruir a própria história, o sujeito está calcado no momento presente. O eixo temporal da narração é, desse modo, presente-passado. Nesse sentido, há importância em compreendermos que a memorização exige estratégias. Os contos, os ritos, os mitos, as fábulas fazem parte desse conjunto de estratégias, que, através de imagens e símbolos, transmitem, de geração em geração, a realidade de um povo, em tempo e espaço diferentes. É verdade que os narradores de Dois irmãos e Órfãos do Eldorado contam histórias particulares, mas eles o fazem se valendo dos elementos de que a memória individual e coletiva dispõem, memórias estas permeadas pelo ambiente em que estão inseridos. Entendemos, portanto, que estudar a memória é estudar a cultura e a história vivida de cada sujeito e de seus grupos. Quando se entende que a memória de um indivíduo é também a de sua região e dos grupos de que faz parte, considera-se o processo memorialístico como uma construção coletiva. Isso significa que a memória individual é parte da memória coletiva. Desse modo, nos textos estudados, é pelo viés da memória que se entrelaçam espaços e tempos num lugar em que o rio se coloca entre os mundos narrados |
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Nas águas da memória: o rio como metáfora em Dois irmãos e Órfãos do Eldorado, de Milton HatoumIn the waters of memory: the river as a metaphor in The brothers and Orphans of Eldorado by Milton HatoumMemoryMithRiverMemóriaMitoRioÓrfãos do EldoradoDois irmãosHatoum Milton, 1952- - Crítica e interpretaçãoHatoum, Milton, 1952-. Dois irmãosHatoum, Milton, 1952-. Órfãos do EldoradoMemória na literaturaMito na literaturaCNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::LITERATURA COMPARADAAs narrativas Dois irmãos e Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum, estão cercadas pelo ambiente dos rios, espaço fluido, aquoso, profundo, que representa o limite entre a vida e a morte. O rio, cenário mítico, simbólico para o material ficcional das narrativas, metaforicamente também pode ser entendido como o lugar mais íntimo e profundo do ser, onde os personagens são levados a uma imersão, um voltar-se para si mesmo. Espaço de transcendência, permitida pelo mergulho na memória, que, assim como os rios, é dinâmica, instável, fluida. Temos nos livros de Hatoum narradores em primeira pessoa que se dedicam a recompor os fios dos tempos através de relatos, num processo solitário, por vias da memória. Eles fazem um mergulho no íntimo do homem e descobrem sua condição humana, frágil. Num trabalho de catarse e de autorreflexão, alimentado pela memória, eles se descobrem estranhos a si mesmos, uma vez que, ao reconstruir a própria história, o sujeito está calcado no momento presente. O eixo temporal da narração é, desse modo, presente-passado. Nesse sentido, há importância em compreendermos que a memorização exige estratégias. Os contos, os ritos, os mitos, as fábulas fazem parte desse conjunto de estratégias, que, através de imagens e símbolos, transmitem, de geração em geração, a realidade de um povo, em tempo e espaço diferentes. É verdade que os narradores de Dois irmãos e Órfãos do Eldorado contam histórias particulares, mas eles o fazem se valendo dos elementos de que a memória individual e coletiva dispõem, memórias estas permeadas pelo ambiente em que estão inseridos. Entendemos, portanto, que estudar a memória é estudar a cultura e a história vivida de cada sujeito e de seus grupos. Quando se entende que a memória de um indivíduo é também a de sua região e dos grupos de que faz parte, considera-se o processo memorialístico como uma construção coletiva. Isso significa que a memória individual é parte da memória coletiva. Desse modo, nos textos estudados, é pelo viés da memória que se entrelaçam espaços e tempos num lugar em que o rio se coloca entre os mundos narradosThe narratives Dois irmãos and Órfãos do Eldorado, by Milton Hatoum, are surrounded by the river ambience, a fluid, deep and watery space which represents the limit between life and death. The river, mythical scenery, turned symbolic to the fictional plot of the narratives, can also be understood metaphorically as the most intimate and profound of the human being, where the characters are taken to an immersion, into a look at themselves. Therefore, this space is made of transcendence, allowed by a jogging into someone s memory, which is dynamic, instable and fluid as the rivers. On the books of Hatoum, we have first person narrators who are dedicated to recompose the timeline through the reporting facts, creating a lonesome process about the memory. They make a search into the man s inner self and they discover their fragile human condition. On a cathartic work and by a way of self-reflection brought by the memory, they found themselves as strangers because on this reconstruction of their own history, the subject is based on the present tense. Due to this, the time axis of the narration is present-past. On this way, it is important to comprehend that memorization requires strategies. The tales, ritual acts, myths, fables, all of them make part of this group of strategies which transmit from a generation to the next one the reality of the people throughout images and symbols in different space and time. It is clear the narrators of Dois irmãos and Órfãos do Eldorado tell personal stories, but they do through the elements around the individual and collective memory, all of them permeated by the ambience where they are in. Therefore, we understand that studying the memory is to study the culture and the lived history of each subject and each group they are in. When it is plausible that the memory of an individual is also the memory of his/her region and the memory of the groups they are an essential part, it is substantial to consider the memory process as a collective construction. It means the individual memory is a part of a collective memory. Thereby, on the texts which are analyzed, it is throughout the memory tissue which space and time put it together, on a place a river is between two narrated worldsUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Educação e Humanidades::Instituto de LetrasBRUERJPrograma de Pós-Graduação em LetrasCarneiro, Flávio Martinshttp://lattes.cnpq.br/5109172355214946Viegas, Ana Claudia Coutinhohttp://lattes.cnpq.br/4499593984804965Souza, Roberto Acízelo Quelha deAlmeida, Lenivaldo Gomes dehttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4785082Z5Lima Neto, Manoel Ricardo dehttp://lattes.cnpq.br/2235218288589782Silva, Marcos Vinicius Medeiros da2021-01-05T14:51:06Z2013-12-032013-11-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfSILVA, Marcos Vinicius Medeiros da. Nas águas da memória: o rio como metáfora em Dois irmãos e Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum. 2013. 159 f. 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