Mari Errê Arrá: manifestações religiosas afro-brasileiras e a simbologia poética de afirmação do ser negro.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: COSTA, Benedito Lelio Caldas Costa. lattes
Orientador(a): PINHO, Vilma Aparecida de. lattes, CARVALHO, Elanir França. lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Programa de Pós-Graduação: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E CULTURA
Departamento: Campus Universitário do Tocantins/Cametá
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42386
Resumo: Todo texto deveria ser uma espécie de conversa (poética ou não) entre o escritor e o sujeito que se dispor a lê-lo. Este texto é conversa-poética tecida – pós-pesquisa de campo de cunho etnográfico – de rituais, cantos, batuques e corpos que dançam ao ritmo afro-brasileiro do Marierrê, manifestação cultural-religiosa do povo negro habitante da Vila de Carapajó, município de Cametá, região do Baixo-Tocantins- PA, corpos que, no exercício mórfico de sua religiosidade e cultura, produzem uma simbologia ímpar, rica em subjetividade, ternura, comunhão, beleza e teor de afirmação étnica e comunitária, como polo oposto de uma sociedade preconceituosa, estigmatizadora, racista que busca homogeneizar, no Brasil, tudo o que é cultural, religioso e étnico pelo prisma eurocêntrico branco e cristão. O intuito maior é mostrar como O Marierrê e sua linguagem simbólica, ritualística e poética se tornou entre lugar mórfico de afirmação de homens e mulheres negras, em Carapajó, Cametá-Pa. Por isso, o problema em torno do qual este texto caminha é responder ao seguinte questionamento: como sujeitos negros, superaram estigmas, preconceitos e passaram a esculpir para si um existir afirmativo, a partir do ritual Marierrê? Os objetivos que nortearam nossa pesquisa, nos ajudaram a ter uma visão mais bem definida de nosso objeto, tais seja: descrever os símbolos gerados pelo Marierrê que, confrontados com os símbolos cristãos, agem no sentido da afirmação e de um novo jeito do ser negro quilombola; descortinar o que há de simbólico, poético e político no rito cultural afro-religioso Marierrê, bem como esse rito se manifesta no sentido da afirmação social do povo quilombola; fundamentar nossa compreensão sobre as teorias por trás do racismo no mundo e no Brasil, para afinar nossa conversa poética no intuito da desconstrução do discurso científico, hegemônico e etnocêntrico sobre as raças/etnias humanas, que deu origem ao racismo, principalmente contra o povo negro, e ao mito da superioridade do povo branco; depois, entender como o Marierrê reflete o empoderamento de comunidades negras em um ritual que reflete a beleza, a inteligência, a coragem e a importância de homens e mulheres afro-brasileiras para a história de resistência social, cultural e religiosa deste país. Para tal fim, o caminho percorrido foi o da etnografia, no bojo da qual fomos vislumbrar, ouvir, sentir – no rito, no canto, na dança, no tocar dos instrumentos – o acontecer das poéticas quilombolas, da simbologia do Marierrê e como elas produzem afirmação de novos homens e mulheres negras. No campo de pesquisa, em nome da mais fina etnografia e da construção do mais plausível rizoma, nos deixamos (re) contaminar por cantos, ritmos, danças e ritos que rementem ao que há de mais sagrado na vida: a libertação das correntes do não ser e a afirmação do ser humano. As análises realizadas são do tipo histórico e dialético, as quais buscam enxergar a raiz e a importância dessa manifestação afro-cultural religiosa para a afirmação do novo ser negro na comunidade quilombola de Carapajó, no âmbito da memória, da ancestralidade, da resistência, da afirmação da história e da cultura afro-brasileira, antes sufocadas pela ação do estado. Para esta conversa contribuíram importantes teóricos das relações étnico-raciais como Todorov (1993), Skidmore (1976), Neuza Santos (1983), Frantz Fanon (2008) e Paul Gilroy (2001); celebres autores da Literatura Negra e do campo poético como Sergio Alberto Alves (2008), Edison Carneiro (1964), Castro Alves e Ana Maria Gonçalves (2006); e como aporte teórico-metodológico, nos ancoramos em Camarrof (2010) e Angrosino (2009); autores que nos guiaram pelos caminhos da etnografia. Constatou-se que o Marierrê, na comunidade quilombola observada, produz uma poética que subverte ideologias racistas, ritos religiosos e concepções sobre o ser negro que pode reverberar dali e ressoar na sociedade atual, em uma estratégia de resistência e afirmação na qual a inteligência é o símbolo central.
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Este texto é conversa-poética tecida – pós-pesquisa de campo de cunho etnográfico – de rituais, cantos, batuques e corpos que dançam ao ritmo afro-brasileiro do Marierrê, manifestação cultural-religiosa do povo negro habitante da Vila de Carapajó, município de Cametá, região do Baixo-Tocantins- PA, corpos que, no exercício mórfico de sua religiosidade e cultura, produzem uma simbologia ímpar, rica em subjetividade, ternura, comunhão, beleza e teor de afirmação étnica e comunitária, como polo oposto de uma sociedade preconceituosa, estigmatizadora, racista que busca homogeneizar, no Brasil, tudo o que é cultural, religioso e étnico pelo prisma eurocêntrico branco e cristão. O intuito maior é mostrar como O Marierrê e sua linguagem simbólica, ritualística e poética se tornou entre lugar mórfico de afirmação de homens e mulheres negras, em Carapajó, Cametá-Pa. Por isso, o problema em torno do qual este texto caminha é responder ao seguinte questionamento: como sujeitos negros, superaram estigmas, preconceitos e passaram a esculpir para si um existir afirmativo, a partir do ritual Marierrê? Os objetivos que nortearam nossa pesquisa, nos ajudaram a ter uma visão mais bem definida de nosso objeto, tais seja: descrever os símbolos gerados pelo Marierrê que, confrontados com os símbolos cristãos, agem no sentido da afirmação e de um novo jeito do ser negro quilombola; descortinar o que há de simbólico, poético e político no rito cultural afro-religioso Marierrê, bem como esse rito se manifesta no sentido da afirmação social do povo quilombola; fundamentar nossa compreensão sobre as teorias por trás do racismo no mundo e no Brasil, para afinar nossa conversa poética no intuito da desconstrução do discurso científico, hegemônico e etnocêntrico sobre as raças/etnias humanas, que deu origem ao racismo, principalmente contra o povo negro, e ao mito da superioridade do povo branco; depois, entender como o Marierrê reflete o empoderamento de comunidades negras em um ritual que reflete a beleza, a inteligência, a coragem e a importância de homens e mulheres afro-brasileiras para a história de resistência social, cultural e religiosa deste país. 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Para esta conversa contribuíram importantes teóricos das relações étnico-raciais como Todorov (1993), Skidmore (1976), Neuza Santos (1983), Frantz Fanon (2008) e Paul Gilroy (2001); celebres autores da Literatura Negra e do campo poético como Sergio Alberto Alves (2008), Edison Carneiro (1964), Castro Alves e Ana Maria Gonçalves (2006); e como aporte teórico-metodológico, nos ancoramos em Camarrof (2010) e Angrosino (2009); autores que nos guiaram pelos caminhos da etnografia. Constatou-se que o Marierrê, na comunidade quilombola observada, produz uma poética que subverte ideologias racistas, ritos religiosos e concepções sobre o ser negro que pode reverberar dali e ressoar na sociedade atual, em uma estratégia de resistência e afirmação na qual a inteligência é o símbolo central.Every text should be a kind of conversation (poetic or not) between the writer and the subject who is willing to read it. This text is woven conversation-poetics - post-research of an ethnographic field - of rites, chants, drummings and bodies that dance to the Afro-Brazilian rhythm of Marierrê, cultural religious manifestation of the black people living in the village of Carapajó, municipality of Cametá, region of Baixo-Tocantins- Pa, bodies that, in the morbid exercise of their religiosity and culture, produce a unique symbology, rich in subjectivity, tenderness, communion, beauty and content of ethnic and community affirmation , as the opposite pole of a prejudiced, stigmatizing, racist society that seeks to homogenize, in Brazil, all that is cultural, religious and ethnic through the white and Christian Eurocentric prism. The main purpose is to show how The Marierrê and its symbolic, ritualistic and poetic language became between-morbid place of affirmation of black men and women, in Carapajó, Cametá-Pa. Therefore, the problem around which this text walks is to answer the following question: how did black subjects overcome stigmas, prejudices and began to carve out for themselves an affirmative existence, from the Marierrê ritual? The objectives that guided our research helped us to have a better defined view of our object, such as: to describe oral, gestural, symbolic/poetic musical languages that are developed during the Marierrê ritual, in the sense of a new way of being quilombola black; to reveal what is symbolic, poetic and political in the Afro-religious cultural rite Marierrê, as well as this rite manifests itself in the sense of the social affirmation of the Quilombola people; to base our understanding on the theories behind racism in the world and in Brazil, to fine tune our poetic conversation in order to deconstruct scientific, hegemonic and ethnocentric discourse on human races/ethnicities, which gave rise to racism, especially against black people, and the myth of the superiority of the white people, understand how Marierrê reflects the empowerment of black communities in a ritual that reflects the beauty, intelligence, courage and importance of Afro-Brazilian men and women for the history of social, cultural and religious resistance of this country. To this end, the path taken was that of ethnography, in the bulge from which we were to glimpse, hear, feel – in the rite, in the singing, in the dance, in the playing of the instruments – the happening of the quilombola poetics, the symbology of marierrê and how they produce affirmation of new black men and women. In the field of research, in the name of the finest ethnography and the construction of the most plausible rhizome, we allow ourselves to (re)contaminate ourselves by songs, rhythms, dances and rites that re-praise the most sacred in life: the liberation of the currents of non-being and the affirmation of the human being. The analyses performed are of the historical and dialectical type, which seek to see the root and importance of this Afro-cultural-religious manifestation for the affirmation of the new black being in the quilombola community of Carapajó, in the context of memory, ancestry, resistance, the affirmation of Afro-Brazilian history and culture, previously suffocated by the action of the state. Important theorists of ethnic-racial relations contributed to this conversation, such as Todorov (1993), Skidmore (1976), Neuza Santos (1983), Frantz Fanon (2008) and Paul Gilroy (2001); celebrated authors of Black Literature and the poetic field such as Sergio Alberto Alves (2008), Edison Carneiro (1964), Castro Alves and Ana Maria Gonçalves (2006); and as a theoretical-methodological contribution, we anchored ourselves in Camarrof (2010) and Angrosino (2009); authors who guided us along the paths of ethnography. It was found that the Marierrê, in the observed quilombola community, produces a poetics that subverts racist ideologies, religious rites and conceptions about the black being that can reverberate from there and resonate in today's society, in a strategy of resistance and affirmation in which intelligence is the central symbol.Submitted by ANDRESA COSTA (andresapires04@gmail.com) on 2025-07-04T18:06:24Z No. of bitstreams: 1 BENEDITO LELIO CALDAS COSTA - DISSERTAÇÃO NORTE UFPA 1 PPG EDUCAÇÃO E CULTURA 2020.pdf: 2289282 bytes, checksum: 87f7d2cbee8cfcb6dd7755393cd24dc3 (MD5)Made available in DSpace on 2025-07-04T18:06:24Z (GMT). No. of bitstreams: 1 BENEDITO LELIO CALDAS COSTA - DISSERTAÇÃO NORTE UFPA 1 PPG EDUCAÇÃO E CULTURA 2020.pdf: 2289282 bytes, checksum: 87f7d2cbee8cfcb6dd7755393cd24dc3 (MD5) Previous issue date: 2020Universidade Federal do ParáPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E CULTURAUFPABrasilCampus Universitário do Tocantins/CametáEducação.Religiões afro-brasileirasManifestações afro-brasileirasSer negro - afirmaçãoIdentidade negraReligiosidade negraMarierrê do RosárioEtnografiaMulheres negrasComunidade Quilombola de Carapajó - Cametá - PAPesquisa etnográficaQuilombolas - afirmação socialComunidade tradicionalHomens negros quilombolas - Cametá - PACarapajó - Cametá - PAUniversidade Federal do Pará - DissertaçãoAfro-Brazilian religionsAfro-Brazilian manifestationsBeing black - affirmationBlack identityBlack religiosityMarierrê do RosárioEthnographyBlack womenQuilombola Community of Carapajó - Cametá - PAEthnographic researchQuilombolas - social affirmationTraditional communityBlack quilombola men - Cametá - PACarapajó - Cametá - PAFederal University of Pará - DissertationMari Errê Arrá: manifestações religiosas afro-brasileiras e a simbologia poética de afirmação do ser negro.Mari Errê Arrá: Afro-Brazilian religious manifestations and the poetic symbolism of affirmation of the black being.20202025-07-04T18:06:24Z2025-07-042025-07-04T18:06:24Zhttps://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42386COSTA, Benedito Lelio Caldas. Mari Errê Arrá: manifestações religiosas afro-brasileiras e a simbologia poética de afirmação do ser negro. 2020. 152f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura. Universidade Federal do Pará, Cametá - PA - Brasil, 2020.info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisporinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCGinstname:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)instacron:UFCGTEXTBENEDITO LELIO CALDAS COSTA - DISSERTAÇÃO NORTE UFPA 1 PPG EDUCAÇÃO E CULTURA 2020.pdf.txtBENEDITO LELIO CALDAS COSTA - DISSERTAÇÃO NORTE UFPA 1 PPG EDUCAÇÃO E CULTURA 2020.pdf.txttext/plain423352https://dspace.sti.ufcg.edu.br/bitstream/riufcg/42386/3/BENEDITO+LELIO+CALDAS+COSTA+-+DISSERTA%C3%87%C3%83O+NORTE+UFPA+1+PPG+EDUCA%C3%87%C3%83O+E+CULTURA+2020.pdf.txt56ed38d6d0803d22a641f410f4e8c809MD53LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81748https://dspace.sti.ufcg.edu.br/bitstream/riufcg/42386/2/license.txt8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD52ORIGINALBENEDITO LELIO CALDAS COSTA - DISSERTAÇÃO NORTE UFPA 1 PPG EDUCAÇÃO E CULTURA 2020.pdfBENEDITO LELIO CALDAS COSTA - DISSERTAÇÃO NORTE UFPA 1 PPG EDUCAÇÃO E CULTURA 2020.pdfapplication/pdf2289282https://dspace.sti.ufcg.edu.br/bitstream/riufcg/42386/1/BENEDITO+LELIO+CALDAS+COSTA+-+DISSERTA%C3%87%C3%83O+NORTE+UFPA+1+PPG+EDUCA%C3%87%C3%83O+E+CULTURA+2020.pdf87f7d2cbee8cfcb6dd7755393cd24dc3MD51riufcg/423862025-07-24 08:49:37.32oai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/42386Tk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://bdtd.ufcg.edu.br/PUBhttp://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/oai/requestbdtd@setor.ufcg.edu.br || bdtd@setor.ufcg.edu.bropendoar:48512025-07-24T11:49:37Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)false
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Universidade Federal do Pará - Dissertação
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Carapajó - Cametá - PA
Federal University of Pará - Dissertation
description Todo texto deveria ser uma espécie de conversa (poética ou não) entre o escritor e o sujeito que se dispor a lê-lo. Este texto é conversa-poética tecida – pós-pesquisa de campo de cunho etnográfico – de rituais, cantos, batuques e corpos que dançam ao ritmo afro-brasileiro do Marierrê, manifestação cultural-religiosa do povo negro habitante da Vila de Carapajó, município de Cametá, região do Baixo-Tocantins- PA, corpos que, no exercício mórfico de sua religiosidade e cultura, produzem uma simbologia ímpar, rica em subjetividade, ternura, comunhão, beleza e teor de afirmação étnica e comunitária, como polo oposto de uma sociedade preconceituosa, estigmatizadora, racista que busca homogeneizar, no Brasil, tudo o que é cultural, religioso e étnico pelo prisma eurocêntrico branco e cristão. O intuito maior é mostrar como O Marierrê e sua linguagem simbólica, ritualística e poética se tornou entre lugar mórfico de afirmação de homens e mulheres negras, em Carapajó, Cametá-Pa. Por isso, o problema em torno do qual este texto caminha é responder ao seguinte questionamento: como sujeitos negros, superaram estigmas, preconceitos e passaram a esculpir para si um existir afirmativo, a partir do ritual Marierrê? Os objetivos que nortearam nossa pesquisa, nos ajudaram a ter uma visão mais bem definida de nosso objeto, tais seja: descrever os símbolos gerados pelo Marierrê que, confrontados com os símbolos cristãos, agem no sentido da afirmação e de um novo jeito do ser negro quilombola; descortinar o que há de simbólico, poético e político no rito cultural afro-religioso Marierrê, bem como esse rito se manifesta no sentido da afirmação social do povo quilombola; fundamentar nossa compreensão sobre as teorias por trás do racismo no mundo e no Brasil, para afinar nossa conversa poética no intuito da desconstrução do discurso científico, hegemônico e etnocêntrico sobre as raças/etnias humanas, que deu origem ao racismo, principalmente contra o povo negro, e ao mito da superioridade do povo branco; depois, entender como o Marierrê reflete o empoderamento de comunidades negras em um ritual que reflete a beleza, a inteligência, a coragem e a importância de homens e mulheres afro-brasileiras para a história de resistência social, cultural e religiosa deste país. Para tal fim, o caminho percorrido foi o da etnografia, no bojo da qual fomos vislumbrar, ouvir, sentir – no rito, no canto, na dança, no tocar dos instrumentos – o acontecer das poéticas quilombolas, da simbologia do Marierrê e como elas produzem afirmação de novos homens e mulheres negras. No campo de pesquisa, em nome da mais fina etnografia e da construção do mais plausível rizoma, nos deixamos (re) contaminar por cantos, ritmos, danças e ritos que rementem ao que há de mais sagrado na vida: a libertação das correntes do não ser e a afirmação do ser humano. As análises realizadas são do tipo histórico e dialético, as quais buscam enxergar a raiz e a importância dessa manifestação afro-cultural religiosa para a afirmação do novo ser negro na comunidade quilombola de Carapajó, no âmbito da memória, da ancestralidade, da resistência, da afirmação da história e da cultura afro-brasileira, antes sufocadas pela ação do estado. Para esta conversa contribuíram importantes teóricos das relações étnico-raciais como Todorov (1993), Skidmore (1976), Neuza Santos (1983), Frantz Fanon (2008) e Paul Gilroy (2001); celebres autores da Literatura Negra e do campo poético como Sergio Alberto Alves (2008), Edison Carneiro (1964), Castro Alves e Ana Maria Gonçalves (2006); e como aporte teórico-metodológico, nos ancoramos em Camarrof (2010) e Angrosino (2009); autores que nos guiaram pelos caminhos da etnografia. Constatou-se que o Marierrê, na comunidade quilombola observada, produz uma poética que subverte ideologias racistas, ritos religiosos e concepções sobre o ser negro que pode reverberar dali e ressoar na sociedade atual, em uma estratégia de resistência e afirmação na qual a inteligência é o símbolo central.
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