Avaliação do quadril de crianças com síndrome da Zika congênita:estudo prospectivo observacional
| Ano de defesa: | 2023 |
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Resumo: | Resumo: A Síndrome da Zika Congênita (SZC), diagnosticada em crianças infectadas pelo vírus Zika (ZIKV) durante o período fetal, é caracterizada por uma série de malformações incluindo microcefalia, anormalidades oculares e contraturas musculares. As deformidades musculoesqueléticas presentes na SZC não estão relacionadas diretamente ao efeito nocivo do ZIKV na articulação, e sim ao neurotropismo do vírus, que acarreta a redução da mobilidade fetal por acinesia, principalmente nas infecções que ocorrem no período gestacional mais precoce, mais comumente no primeiro trimestre de gestação. Dentre as deformidades articulares, a espasticidade dos músculos do quadril com limitação da abdução ocorre com frequência elevada, o que pode ocasionar displasia no desenvolvimento do quadril, levando a quadros de subluxação e luxação. Na articulação do quadril, o exame físico ortopédico, por si só, não é suficiente para detectar as alterações morfoestruturais desta articulação, sendo a radiografia da bacia fundamental para tal diagnóstico. Métodos: Trata-se de um estudo prospectivo observacional, de crianças portadoras de SZC, conduzido no Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (HUAP-UFF), acompanhadas entre novembro de 2018 e março de 2020, com a finalidade de descrever as alterações encontradas na articulação do quadril, à admissão no estudo e durante a evolução, pela análise da radiografia panorâmica da bacia através da porcentagem migratória (PM). Resultados: Das 30 crianças estudadas, 15 (50%) apresentavam exame radiográfico da bacia sem alteração no exame de admissão; destas, cinco (33,3%) desenvolveram subluxação do quadril durante o acompanhamento, evidenciada no segundo exame radiográfico, uma vez que o primeiro exame se encontrava normal. Quinze (50%) de 30 crianças apresentavam exame radiográfico alterado na admissão, sendo seis (40%) luxação do quadril e nove (60%) subluxação. Assim sendo, 20 (66,7%) das 30 crianças foram diagnosticadas com subluxação e/ou luxação do quadril durante o estudo e 10 (33,3%) crianças se mantiveram com exame radiográfico sem alteração. Ao compararmos os quadris quanto ao lado acometido (30 à direita e 30 à esquerda) observamos que 13 (43,3%) de 30 quadris à direita e 9 (30,0%) de 30 à esquerda com subluxação tiveram progressão da PM, com média da piora da PM de 12,4% à direita e 8,7% à esquerda. Mantiveram-se sem progressão da alteração (incluindo quadris luxados, subluxados e normais) durante o acompanhamento 17 (56,7%) dos 30 quadris direitos e 21 (70%) dos 30 esquerdos. Após regressão logística, verificou-se que espasticidade (p=0,0033; RC=15,9) e alteração oftalmológica (p=0,0163; RC=16,9) foram associadas com luxação do quadril. Conclusão: O exame radiográfico do quadril em todos os pacientes com SZC se faz necessário para complementar o diagnóstico clínico e acompanhar a evolução das alterações encontradas nesta articulação. |
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Avaliação do quadril de crianças com síndrome da Zika congênita:estudo prospectivo observacionalQuadrilLuxação do quadrilSíndrome da Zika congênitaQuadrilLuxação congênita de quadrilZika virusCriançaHipHip dislocationCongenital Zika syndromeResumo: A Síndrome da Zika Congênita (SZC), diagnosticada em crianças infectadas pelo vírus Zika (ZIKV) durante o período fetal, é caracterizada por uma série de malformações incluindo microcefalia, anormalidades oculares e contraturas musculares. As deformidades musculoesqueléticas presentes na SZC não estão relacionadas diretamente ao efeito nocivo do ZIKV na articulação, e sim ao neurotropismo do vírus, que acarreta a redução da mobilidade fetal por acinesia, principalmente nas infecções que ocorrem no período gestacional mais precoce, mais comumente no primeiro trimestre de gestação. Dentre as deformidades articulares, a espasticidade dos músculos do quadril com limitação da abdução ocorre com frequência elevada, o que pode ocasionar displasia no desenvolvimento do quadril, levando a quadros de subluxação e luxação. Na articulação do quadril, o exame físico ortopédico, por si só, não é suficiente para detectar as alterações morfoestruturais desta articulação, sendo a radiografia da bacia fundamental para tal diagnóstico. Métodos: Trata-se de um estudo prospectivo observacional, de crianças portadoras de SZC, conduzido no Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (HUAP-UFF), acompanhadas entre novembro de 2018 e março de 2020, com a finalidade de descrever as alterações encontradas na articulação do quadril, à admissão no estudo e durante a evolução, pela análise da radiografia panorâmica da bacia através da porcentagem migratória (PM). Resultados: Das 30 crianças estudadas, 15 (50%) apresentavam exame radiográfico da bacia sem alteração no exame de admissão; destas, cinco (33,3%) desenvolveram subluxação do quadril durante o acompanhamento, evidenciada no segundo exame radiográfico, uma vez que o primeiro exame se encontrava normal. Quinze (50%) de 30 crianças apresentavam exame radiográfico alterado na admissão, sendo seis (40%) luxação do quadril e nove (60%) subluxação. Assim sendo, 20 (66,7%) das 30 crianças foram diagnosticadas com subluxação e/ou luxação do quadril durante o estudo e 10 (33,3%) crianças se mantiveram com exame radiográfico sem alteração. Ao compararmos os quadris quanto ao lado acometido (30 à direita e 30 à esquerda) observamos que 13 (43,3%) de 30 quadris à direita e 9 (30,0%) de 30 à esquerda com subluxação tiveram progressão da PM, com média da piora da PM de 12,4% à direita e 8,7% à esquerda. Mantiveram-se sem progressão da alteração (incluindo quadris luxados, subluxados e normais) durante o acompanhamento 17 (56,7%) dos 30 quadris direitos e 21 (70%) dos 30 esquerdos. Após regressão logística, verificou-se que espasticidade (p=0,0033; RC=15,9) e alteração oftalmológica (p=0,0163; RC=16,9) foram associadas com luxação do quadril. Conclusão: O exame radiográfico do quadril em todos os pacientes com SZC se faz necessário para complementar o diagnóstico clínico e acompanhar a evolução das alterações encontradas nesta articulação.Abstract: Congenital Zika Syndrome (CZS), diagnosed in children exposed to Zika virus (ZIKV) during the fetal period, is characterized by a series of malformations including microcephaly, ocular abnormalities and muscle contractures. The musculoskeletal deformities present in CZS are not directly related to the harmful effect of ZIKV on the joint, but to the neurotropism of the virus, which leads to reduced fetal mobility due to akinesia, especially in infections that occur in the earlier gestational period mainly in the first trimester of gestation. Among the joint deformities, spasticity of the hip muscles with limited abduction occurs with high frequency, which can cause dysplasia in the development of the hip, leading to subluxation and dislocation. In the hip joint, the orthopedic physical examination alone is not sufficient to detect the morphostructural alterations of this joint, and the pelvic radiograph is essential for such a diagnosis. Methods: This is a prospective observational study of children with CZS, conducted at the Hospital Universitário Antônio Pedro, Universidade Federal Fluminense (HUAP-UFF), followed up between November 2018 and March 2020, with the purpose of describing the changes found in the hip joint, at admission and in the evolution, by the analysis of the panoramic radiography of the pelvis through the migratory percentage (MP). Results: Of the 30 children studied, 15 (50%) had radiographic examination of the pelvis with no change in the admission examination; of these, five (33.3%) developed hip subluxation during follow-up, which was evidenced in the second radiographic examination, since the first examination was normal. Fiveteen (50%) of 30 children had an abnormal radiographic examination on admission, six (40%) having hip dislocation and nine (60%) subluxation. Therefore, 20 (66.7%) of the 30 children were diagnosed with hip subluxation and/or dislocation during the study and 10 (33.3%) children remained with radiographic examination without alteration. When comparing the hips in terms of the affected side (30 on the right and 30 on the left), we observed that 13 (43.3%) of 30 hips on the right and 9 (30.0%) of 30 on the left with subluxation had MP progression, with a mean worsening of MP of 12.4% on the right and 8.7% on the left. Seventeen (56.7%) of the 30 right hips and 21 (70%) of the 30 left hips remained without progression (including dislocated, subluxated and normal hips) during follow-up. After logistic regression, it was found that spasticity (p=0.0033; OR=15.9) and ophthalmologic alteration (p=0.0163; OR=16.9) were associated with hip dislocation. Conclusion: The radiographic examination of the hip in all patients with CZS is necessary to complement the clinical diagnosis and follow the evolution of the alterations found in this joint.54 f.Gameiro, Vinicius Schotthttp://lattes.cnpq.br/9223810891927650Cardoso, Claudete Aparecida Araújohttp://lattes.cnpq.br/2674509595570040Oliveira, Solange Artimos dehttp://lattes.cnpq.br/2547414793690711Babinski, Marcio Antoniohttp://lattes.cnpq.br/7985386665524107Barretto, João Mauriciohttp://lattes.cnpq.br/0657192617348551Albuquerque, Rodrigo Sattamini Pires ehttp://lattes.cnpq.br/0315167303669866http://lattes.cnpq.br/1236172458730461Fonseca, Jakeline Oliveira da2023-04-06T13:25:43Z2023-04-06T13:25:43Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfFONSECA, Jakeline Oliveira da. Avaliação do quadril de crianças com síndrome da Zika congênita:estudo prospectivo observacional. 2022. 54 f. 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