Ponderação de pistas auditivas por crianças e adultos falantes nativos do português brasileiro

Este estudo investigou a mudança no desenvolvimento da ponderação de pistas auditivas para a percepção das fricativas coronais não vozeadas ([] e [s]) e das plosivas bilabial e alveolar ([b] e [d]) do português brasileiro. A principal hipótese testada foi a de que as crianças atribuem maior peso às...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2017
Main Author: Fabiana Andrade Penido
Orientador/a: Rui Rothe-neves
Banca: ADELAIDE HERCILIA PESCATORI SILVA, Larissa Cristina Berti, LUCIANA MENDONÇA ALVES, Daniel Márcio Rodrigues Silva
Format: Tese
Language:por
Published: Universidade Federal de Minas Gerais
Assuntos em Português:
Online Access:http://hdl.handle.net/1843/LETR-APLMM8
Resumo Português:Este estudo investigou a mudança no desenvolvimento da ponderação de pistas auditivas para a percepção das fricativas coronais não vozeadas ([] e [s]) e das plosivas bilabial e alveolar ([b] e [d]) do português brasileiro. A principal hipótese testada foi a de que as crianças atribuem maior peso às pistas dinâmicas do sinal acústico de fala enquanto os adultos utilizam mais a pista estática, conforme propõem Nittrouer, Manning e Meyer (1993). Metodologia: A amostra foi composta por crianças de quatro anos de idade, crianças de sete anos e adultos. Em cada grupo de idade foram testados doze sujeitos. As crianças e os adultos foram recrutados em duas instituições de ensino e em uma instituição pública de Belo Horizonte/MG. Para cada par de palavras investigado, dentre eles /apa/- /sapa/, /aba/-/saba/ e /bata/-/data/, foram produzidos dois contínuos sintetizados. Duas pistas auditivas foram manipuladas: uma pista foi manipulada de forma idêntica em ambos os continua e a outra pista foi manipulada de forma diferente nos dois continua. Foi realizada uma tarefa de classificação, em que os participantes ouviram os estímulos por meio de um fone de ouvido e tiveram que decidir qual categoria era mais coerente com o que foi apresentado dentre as possibilidades existentes. Resultados: Os dados coletados foram analisados estatisticamente por meio do modelo de análise probito, da análise de variância (ANOVA) e da análise multivariada da variância (MANOVA) para as fricativas e do teste t pareado para as plosivas. Os resultados revelaram que para os pares de palavras e pseudopalavras compostos pelas fricativas /apa/-/sapa/ e /aba/-/saba/, os adultos e as crianças de sete anos de idade ponderaram mais fortemente a pista estática de altura da frequência do ruído fricativo quando comparados com as crianças mais jovens. No entanto, nenhum dos três grupos de idade foi mais influenciado pela pista dinâmica de transição dos formantes. Além disso, verificou-se uma mudança no padrão de respostas dos grupos de idade para a classificação das palavras e das pseudopalavras, indicando um efeito do estatuto lexical. Já para o par de palavras /bata/-/data/, composto pelas plosivas, as crianças de quatro anos atribuíram menor peso à pista dinâmica de transição dos formantes do que as crianças de sete anos e os adultos. Ainda neste par, a pista estática de amplitudes do burst não foi ponderada de forma significativa por nenhuma faixa etária. Conforme esperado, em todos os pares de palavras testados, as crianças mais jovens apresentaram um padrão de respostas mais inconsistente, menos categórico, com curvas de classificação menos íngremes, na qual foi possível observar uma modificação no padrão de respostas ao longo do desenvolvimento da criança. Conclusões: A partir dos resultados pode-se concluir que nem sempre as crianças mais jovens ponderaram mais fortemente a pista dinâmica quando comparadas com os adultos. Concluiu-se também que as estratégias de ponderação de pistas parecem modificar de acordo com: a) a experiência da criança com sua língua nativa; b) o contraste fonológico testado e c) a informatividade que as pistas auditivas fornecem aos ouvintes para a classificação dos contrastes .
Objective: This study investigated the developmental changes in cue weighting for thedistinction of voiceless coronal fricatives ([] and [s]) and of bilabial and alveolar stops ([b]and [d]) in Brazilian Portuguese. The main hypothesis tested was that children weight thedynamic cues more than adults, whereas adults used more the static cues (Nittrouer,Manning & Meyer, 1993). Methodology: The sampling was constituted of children of agesfour and seven years old, as well as adults. Twelve subjects were tested in each of the threeage groups. Both children and adults were recruited from two education centers and from agovernment institution in Belo Horizonte/MG. For each words pair investigated, amongthem /apa/-/sapa/, /aba/-/saba/ and /bata/-/data/, two synthesised continua were produced.Two auditory cues were manipulated: one cue was manipulated identically in both continuaand the other cue was manipulated differently in the two continuums. The participantsperformed a classification task in which they heard the stimuli on headphones and decidedwhich category was the most coherent to what had been presented among the existingpossibilities. Results: The data gathered was statistically analyzed using the probit model,the analysis of variance (ANOVA) and the multivariate analysis of variance (MANOVA)for the fricatives and the paired t-test for the plosives. The results revealed that for theminimal pair /apa/-/sapa/ and for the nonword pair /aba/-/saba/, adults and seven-year-oldchildren weighted the static cue of centre frequency of the frication noise more heavily thanthe younger children. However, none of the three age groups was more influenced by thedynamic cue of formants transition. In addition, there was a change in the responses patternof the three age groups for the classification of words and nonwords, indicating an effect ofthe lexical status. For the words pair /bata/-/data/, composed by stops, the four-year-oldchildren weighted more heavily the dynamic cue of formants transition than seven-year-oldchildren and the adults. Still in this pair, the static cue of burst amplitudes wasntsignificantly weighted by any age group. As expected, in all word pairs, younger childrenshowed more inconsistent and categorical less response pattern with shallower classificationcurves, in which was observed a change in responses pattern throughout the development ofthe child. Conclusions: From the results it can be concluded that younger children have notalways weight more heavily the dynamic cue than the adults. It was also concluded that thestrategies of cue weighting seem to modify according to: a) the child's experience with hisnative language; b) the phonological contrast tested; and c) the informativeness that theauditory cues provide to the listeners for the classification of the contrasts.