Efeito antinociceptivo do monoterpeno tetrahidrolinalol em camundongos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Pazos, Natalia Diniz Nunes lattes
Orientador(a): Felipe, Cícero Francisco Bezerra lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Paraíba
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos
Departamento: Farmacologia
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/23403
Resumo: A dor é uma experiência complexa e representa um mecanismo de proteção e sobrevivência, podendo impactar significativamente na qualidade de vida do indivíduo. O tratamento dessa condição utiliza fármacos analgésicos, compostos dotados de efeitos colaterais que podem prejudicar o bem-estar e a adesão do paciente ao tratamento. Nesse sentido, as plantas aromáticas são fontes de moléculas que podem servir de moldes estruturais para a elaboração de substâncias com potencial farmacológico diverso, a exemplo do tetrahidrolinalol (2,6-dimentil-6- octanol), um monoterpeno derivado do linalol com atividade antinociceptiva. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito antinociceptivo do tetrahidrolinalol (THL) por meio de metodologias in silico e in vivo. Dentre as metodologias in silico, a técnica de docking molecular foi utilizada com intuito de prospectar possíveis alvos relacionados ao efeito antinociceptivo do THL. Em adição, metodologias in vivo foram realizadas utilizando camundongos Swiss machos (Mus musculus), que foram tratados com THL (50, 100 e 200 mg.kg -1, v.o.) e submetidos ao teste do rota-rod e aos modelos de contorções abdominais por ácido acético, placa quente e formalina. Os resultados do docking revelaram que o THL apresentou afinidade para o receptor opioide μ (-55,6 Kcal/mol no Moldscore e -47,3 Kcal/mol no Plantscore) e para o receptor de potencial transitório vanilóide tipo 1 (TRPV1) (- 40,9 Kcal/mol no Moldscore e - 34,1 Kcal/mol no Plantscore). Em relação aos testes/modelos in vivo, o THL não apresentou efeito sobre a coordenação motora dos animais no teste do rota-rod. Por outro lado, o tratamento com THL reduziu significativamente o número de contorções abdominais induzidas pelo ácido acético nas doses de 50 mg.kg -1 (16,8 ± 4,5), 100 mg.kg-1 (22,5 ± 6,0) e 200 mg.kg-1 (28,5 ±5,3) em relação ao grupo tratado com veículo (41,6 ±1,1). No modelo da placa quente, nos tempos de 30, 60 e 120 minutos, os animais tratados com THL 50 mg.kg-1 (14,0 ± 0,6 s; 14,0 ± 0,1 s; 5,6 ± 1,4 s), 100 mg.kg-1 (10,8 ± 1,5 s; 8,6 ± 1,5 s; 6,6 ± 0,9 s) e 200 mg.kg-1 (10,5 ± 1,1 s; 9,4 ± 1,4 s; 11,8 ± 1,0 s) apresentaram um aumento significativo latência para a resposta nociceptiva, de forma dose-dependente, quando comparado ao grupo tratado com veículo (4.333 ± 0.2108 s; 1,0 ± 0 s; 1,0 ±0,0 s, respectivamente). Por fim, no modelo da formalina, o monoterpeno reduziu significativamente o tempo de lambedura na pata, nas duas fases, nas doses de 50 mg.kg -1 (11,8 ± 2,9 s; 115,6 ± 18,0 s), 100 mg.kg-1 (15,6 ± 1,5 s; 127,0 ± 34,1 s) e 200 mg.kg -1 (29,6 ± 2,4 s; 172,7 ± 13,8 s) em relação ao grupo tratado com veículo (51,6 ± 10,2 s; 281,5 ± 31,2 s). Esse último efeito foi parcialmente revertido pela naloxona, um antagonista competitivo de receptores opioides. Diante dos resultados obtidos, o THL mostrou-se uma molécula segura, sendo destituída de efeito sobre a coordenação motora dos animais e apresentou atividade antinociceptiva em nível periférico e central, sendo essa última dependente, pelo menos em parte, da neurotransmisão opióide.
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spelling 2022-07-11T17:51:54Z2022-04-262022-07-11T17:51:54Z2022-01-21https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/23403A dor é uma experiência complexa e representa um mecanismo de proteção e sobrevivência, podendo impactar significativamente na qualidade de vida do indivíduo. O tratamento dessa condição utiliza fármacos analgésicos, compostos dotados de efeitos colaterais que podem prejudicar o bem-estar e a adesão do paciente ao tratamento. Nesse sentido, as plantas aromáticas são fontes de moléculas que podem servir de moldes estruturais para a elaboração de substâncias com potencial farmacológico diverso, a exemplo do tetrahidrolinalol (2,6-dimentil-6- octanol), um monoterpeno derivado do linalol com atividade antinociceptiva. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito antinociceptivo do tetrahidrolinalol (THL) por meio de metodologias in silico e in vivo. Dentre as metodologias in silico, a técnica de docking molecular foi utilizada com intuito de prospectar possíveis alvos relacionados ao efeito antinociceptivo do THL. Em adição, metodologias in vivo foram realizadas utilizando camundongos Swiss machos (Mus musculus), que foram tratados com THL (50, 100 e 200 mg.kg -1, v.o.) e submetidos ao teste do rota-rod e aos modelos de contorções abdominais por ácido acético, placa quente e formalina. Os resultados do docking revelaram que o THL apresentou afinidade para o receptor opioide μ (-55,6 Kcal/mol no Moldscore e -47,3 Kcal/mol no Plantscore) e para o receptor de potencial transitório vanilóide tipo 1 (TRPV1) (- 40,9 Kcal/mol no Moldscore e - 34,1 Kcal/mol no Plantscore). Em relação aos testes/modelos in vivo, o THL não apresentou efeito sobre a coordenação motora dos animais no teste do rota-rod. Por outro lado, o tratamento com THL reduziu significativamente o número de contorções abdominais induzidas pelo ácido acético nas doses de 50 mg.kg -1 (16,8 ± 4,5), 100 mg.kg-1 (22,5 ± 6,0) e 200 mg.kg-1 (28,5 ±5,3) em relação ao grupo tratado com veículo (41,6 ±1,1). No modelo da placa quente, nos tempos de 30, 60 e 120 minutos, os animais tratados com THL 50 mg.kg-1 (14,0 ± 0,6 s; 14,0 ± 0,1 s; 5,6 ± 1,4 s), 100 mg.kg-1 (10,8 ± 1,5 s; 8,6 ± 1,5 s; 6,6 ± 0,9 s) e 200 mg.kg-1 (10,5 ± 1,1 s; 9,4 ± 1,4 s; 11,8 ± 1,0 s) apresentaram um aumento significativo latência para a resposta nociceptiva, de forma dose-dependente, quando comparado ao grupo tratado com veículo (4.333 ± 0.2108 s; 1,0 ± 0 s; 1,0 ±0,0 s, respectivamente). Por fim, no modelo da formalina, o monoterpeno reduziu significativamente o tempo de lambedura na pata, nas duas fases, nas doses de 50 mg.kg -1 (11,8 ± 2,9 s; 115,6 ± 18,0 s), 100 mg.kg-1 (15,6 ± 1,5 s; 127,0 ± 34,1 s) e 200 mg.kg -1 (29,6 ± 2,4 s; 172,7 ± 13,8 s) em relação ao grupo tratado com veículo (51,6 ± 10,2 s; 281,5 ± 31,2 s). Esse último efeito foi parcialmente revertido pela naloxona, um antagonista competitivo de receptores opioides. Diante dos resultados obtidos, o THL mostrou-se uma molécula segura, sendo destituída de efeito sobre a coordenação motora dos animais e apresentou atividade antinociceptiva em nível periférico e central, sendo essa última dependente, pelo menos em parte, da neurotransmisão opióide.Pain is a complex experience and represents a protection and survival mechanism, which can significantly impact the individual's quality of life. The treatment of this condition uses analgesic drugs, compounds with side effects that can impair the patient's well-being and adherence to treatment. In this sense, aromatic plants are sources of molecules that can serve as structural templates for the elaboration of substances with diverse pharmacological potential, such as tetrahydrolinalool (2,6-dimentyl-6-octanol), a monoterpene derived from linalool with antinociceptive activity. In this context, the aim of this study was to investigate the antinociceptive effect of tetrahydrolinalool (THL) through in silico and in vivo methodologies. Among the in silico methodologies, the molecular docking technique was used in order to prospect possible targets related to the antinociceptive effect of THL. In addition, in vivo methodologies were performed using male Swiss mice (Mus musculus), which were treated with THL (50, 100 and 200 mg.kg -1, v.o.) and submitted to rota-rod test and abdominal writhing models. by acetic acid, hot plate and formalin. The docking results revealed that THL showed affinity for the μ-opioid receptor (-55.6 Kcal/mol on Moldscore and -47.3 Kcal/mol on Plantscore) and for the transient vanilloid potential receptor type 1 (TRPV1) (- 40.9 Kcal/mol on Moldscore and - 34.1 Kcal/mol on Plantscore). Regarding the in vivo tests/models, THL had no effect on the motor coordination of the animals in the rota-rod test. On the other hand, THL treatment significantly reduced the number of abdominal writhing induced by acetic acid at doses of 50 mg.kg -1 (16.8 ± 4.5), 100 mg.kg -1 (22.5 ± 6 .0) and 200 mg.kg-1 (28.5 ±5.3) relative to the vehicle-treated group (41.6 ±1.1). In the hot plate model, at times of 30, 60 and 120 minutes, the animals treated with THL 50 mg.kg-1 (14.0 ± 0.6 s; 14.0 ± 0.1 s; 5.6 ± 1.4 s), 100 mg.kg-1 (10.8 ± 1.5 s; 8.6 ± 1.5 s; 6.6 ± 0.9 s) and 200 mg.kg-1 (10, 5 ± 1.1 s; 9.4 ± 1.4 s; 11.8 ± 1.0 s) showed a significant increase in latency for the nociceptive response, in a dose-dependent manner, when compared to the vehicle-treated group (4,333 ± 0.2108 s; 1.0 ± 0 s; 1.0 ±0.0 s, respectively). Finally, in the formalin model, the monoterpene significantly reduced paw licking time, in both phases, at doses of 50 mg.kg -1 (11.8 ± 2.9 s; 115.6 ± 18.0 s ), 100 mg.kg -1 (15.6 ± 1.5 s; 127.0 ± 34.1 s) and 200 mg.kg -1 (29.6 ± 2.4 s; 172.7 ± 13, 8 s) compared to the vehicle-treated group (51.6 ± 10.2 s; 281.5 ± 31.2 s). This latter effect was partially reversed by naloxone, a competitive opioid receptor antagonist. In view of the results obtained, THL proved to be a safe molecule, being devoid of effect on the motor coordination of the animals and showed antinociceptive activity at peripheral and central levels, the latter being dependent, at least in part, on opioid neurotransmission.Submitted by Fernando Augusto Alves Vieira (fernandovieira@biblioteca.ufpb.br) on 2022-07-08T14:02:12Z No. of bitstreams: 2 license_rdf: 805 bytes, checksum: c4c98de35c20c53220c07884f4def27c (MD5) NataliaDinizNunesPazos_Dissert.pdf: 1636896 bytes, checksum: dc9a60e5b17cc7519a5ce7828ab45fcf (MD5)Approved for entry into archive by Biblioteca Digital de Teses e Dissertações BDTD (bdtd@biblioteca.ufpb.br) on 2022-07-11T17:51:54Z (GMT) No. of bitstreams: 2 license_rdf: 805 bytes, checksum: c4c98de35c20c53220c07884f4def27c (MD5) NataliaDinizNunesPazos_Dissert.pdf: 1636896 bytes, checksum: dc9a60e5b17cc7519a5ce7828ab45fcf (MD5)Made available in DSpace on 2022-07-11T17:51:54Z (GMT). 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Tetrahydrolinalool
Opioid receptor
description A dor é uma experiência complexa e representa um mecanismo de proteção e sobrevivência, podendo impactar significativamente na qualidade de vida do indivíduo. O tratamento dessa condição utiliza fármacos analgésicos, compostos dotados de efeitos colaterais que podem prejudicar o bem-estar e a adesão do paciente ao tratamento. Nesse sentido, as plantas aromáticas são fontes de moléculas que podem servir de moldes estruturais para a elaboração de substâncias com potencial farmacológico diverso, a exemplo do tetrahidrolinalol (2,6-dimentil-6- octanol), um monoterpeno derivado do linalol com atividade antinociceptiva. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito antinociceptivo do tetrahidrolinalol (THL) por meio de metodologias in silico e in vivo. Dentre as metodologias in silico, a técnica de docking molecular foi utilizada com intuito de prospectar possíveis alvos relacionados ao efeito antinociceptivo do THL. Em adição, metodologias in vivo foram realizadas utilizando camundongos Swiss machos (Mus musculus), que foram tratados com THL (50, 100 e 200 mg.kg -1, v.o.) e submetidos ao teste do rota-rod e aos modelos de contorções abdominais por ácido acético, placa quente e formalina. Os resultados do docking revelaram que o THL apresentou afinidade para o receptor opioide μ (-55,6 Kcal/mol no Moldscore e -47,3 Kcal/mol no Plantscore) e para o receptor de potencial transitório vanilóide tipo 1 (TRPV1) (- 40,9 Kcal/mol no Moldscore e - 34,1 Kcal/mol no Plantscore). Em relação aos testes/modelos in vivo, o THL não apresentou efeito sobre a coordenação motora dos animais no teste do rota-rod. Por outro lado, o tratamento com THL reduziu significativamente o número de contorções abdominais induzidas pelo ácido acético nas doses de 50 mg.kg -1 (16,8 ± 4,5), 100 mg.kg-1 (22,5 ± 6,0) e 200 mg.kg-1 (28,5 ±5,3) em relação ao grupo tratado com veículo (41,6 ±1,1). No modelo da placa quente, nos tempos de 30, 60 e 120 minutos, os animais tratados com THL 50 mg.kg-1 (14,0 ± 0,6 s; 14,0 ± 0,1 s; 5,6 ± 1,4 s), 100 mg.kg-1 (10,8 ± 1,5 s; 8,6 ± 1,5 s; 6,6 ± 0,9 s) e 200 mg.kg-1 (10,5 ± 1,1 s; 9,4 ± 1,4 s; 11,8 ± 1,0 s) apresentaram um aumento significativo latência para a resposta nociceptiva, de forma dose-dependente, quando comparado ao grupo tratado com veículo (4.333 ± 0.2108 s; 1,0 ± 0 s; 1,0 ±0,0 s, respectivamente). Por fim, no modelo da formalina, o monoterpeno reduziu significativamente o tempo de lambedura na pata, nas duas fases, nas doses de 50 mg.kg -1 (11,8 ± 2,9 s; 115,6 ± 18,0 s), 100 mg.kg-1 (15,6 ± 1,5 s; 127,0 ± 34,1 s) e 200 mg.kg -1 (29,6 ± 2,4 s; 172,7 ± 13,8 s) em relação ao grupo tratado com veículo (51,6 ± 10,2 s; 281,5 ± 31,2 s). Esse último efeito foi parcialmente revertido pela naloxona, um antagonista competitivo de receptores opioides. Diante dos resultados obtidos, o THL mostrou-se uma molécula segura, sendo destituída de efeito sobre a coordenação motora dos animais e apresentou atividade antinociceptiva em nível periférico e central, sendo essa última dependente, pelo menos em parte, da neurotransmisão opióide.
publishDate 2022
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