A experiência de ouvir vozes: características, sentidos e estratégias

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Couto, Maria Laura de Oliveira
Orientador(a): Kantorski, Luciane Prado
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/17168
Resumo: Com o surgimento do Movimento Internacional de Ouvidores de Vozes, ouvir vozes que os outros não o fazem, passa a ser considerado uma experiência humana que, por si só, não pode ser considerada sintoma de transtornos mentais. Essa nova perspectiva acerca do que o modelo biomédico denomina “alucinação auditiva” vem sendo amplamente difundido pelo mundo e, recentemente, no Brasil. O presente estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, fez parte da etapa qualitativa do projeto intitulado “Ouvidores de vozes – novas abordagens em saúde mental”, e teve como objetivo compreender a experiência de ouvir vozes a partir das características, dos sentidos, e das estratégias utilizadas pelos ouvidores. O local de estudo foi um CAPS tipo II da cidade de Pelotas/RS. Os participantes do estudo foram 16 ouvidores de vozes com diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais, que frequentavam o CAPS II e participavam do grupo de ouvidores de vozes que acontecia no serviço. A coleta de dados foi realizada no mês de abril de 2018 e se deu por meio de entrevistas semi-estruturadas. Os dados das entrevistas foram organizados e discutidos em 3 categorias: características das vozes; sentido das vozes; e estratégias para lidar com as vozes. Evidenciou-se que as características das vozes relatadas pelos entrevistados foram, majoritariamente, negativas, e que são preditores muito importantes das reações emocionais dos ouvidores frente à experiência. Quanto aos sentidos, estes parecem ser construídos mediante a influência dos diversos discursos aos quais cada um é exposto no seu meio histórico e social ao longo da vida, visto que eles se manifestam claramente no conteúdo das vozes que os entrevistados relataram escutar. As características das vozes e os sentidos atribuídos às mesmas pelo ouvidor, mostraram ter muita influência na relação que ele irá estabelecer com as suas vozes. Essa relação irá determinar o tipo de estratégia que o ouvidor irá utilizar para conviver com a experiência, as quais podem ser mais ou menos adaptativas. A configuração que a experiência de ouvir vozes tem para cada indivíduo possibilita diferentes modos de vida e de relação com as vozes.
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O presente estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, fez parte da etapa qualitativa do projeto intitulado “Ouvidores de vozes – novas abordagens em saúde mental”, e teve como objetivo compreender a experiência de ouvir vozes a partir das características, dos sentidos, e das estratégias utilizadas pelos ouvidores. O local de estudo foi um CAPS tipo II da cidade de Pelotas/RS. Os participantes do estudo foram 16 ouvidores de vozes com diagnóstico de transtornos mentais e comportamentais, que frequentavam o CAPS II e participavam do grupo de ouvidores de vozes que acontecia no serviço. A coleta de dados foi realizada no mês de abril de 2018 e se deu por meio de entrevistas semi-estruturadas. Os dados das entrevistas foram organizados e discutidos em 3 categorias: características das vozes; sentido das vozes; e estratégias para lidar com as vozes. Evidenciou-se que as características das vozes relatadas pelos entrevistados foram, majoritariamente, negativas, e que são preditores muito importantes das reações emocionais dos ouvidores frente à experiência. Quanto aos sentidos, estes parecem ser construídos mediante a influência dos diversos discursos aos quais cada um é exposto no seu meio histórico e social ao longo da vida, visto que eles se manifestam claramente no conteúdo das vozes que os entrevistados relataram escutar. As características das vozes e os sentidos atribuídos às mesmas pelo ouvidor, mostraram ter muita influência na relação que ele irá estabelecer com as suas vozes. Essa relação irá determinar o tipo de estratégia que o ouvidor irá utilizar para conviver com a experiência, as quais podem ser mais ou menos adaptativas. A configuração que a experiência de ouvir vozes tem para cada indivíduo possibilita diferentes modos de vida e de relação com as vozes.With the emergence of the International Hearing Voices Movement, hearing voices that others do not, is now considered a human experience that, by itself, may not be considered a symptom of mental disorders. This new perspective on what the biomedical model calls "auditory hallucination" has been widely diffused throughout the world and now also in Brazil. This is a qualitative and descriptive study, an excerpt of a larger project called "Voices Hearers - new approaches in mental health", and aimed to understand the experience of hearing voices from the characteristics, the senses, and the strategies used by the voice hearers. The study was carried out at a CAPS type II in Pelotas / RS. The sample consisted of 16 voices hearers, with diagnoses of mental and behavioral disorders, who attended CAPS II and who had been participating in the voice hearers group. Data collection was performed in April 2018, through semi-structured interviews. The interview data were organized and discussed in three categories: characteristics of the voices; sense of voices; and strategies for dealing with voices. It was evidenced that the characteristics of the voices reported by the interviewees were mostly negative, and are very important predictors of the emotional reactions of the hearers to the experience. As for the senses, these seem to be constructed through the influence of the various discourses to which each one is exposed in its historical and social context throughout life, since they are clearly manifested in the content of the voices that the interviewees reported to listen. The characteristics of the voices and the senses attributed to them by the voice hearer, have shown a great influence on the relation that he / she will establish with his voices. This relationship will determine the type of strategy the hearer will use to cope with the experience, which may be more or less adaptive. The configuration that the experience of hearing voices has for each individual, enables different ways of life and relationship with voices.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESporUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em EnfermagemUFPelBrasilCC BY-NC-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessCIENCIAS DA SAUDEENFERMAGEMSaúde mentalOuvidores de vozesPsiquiatriaDesinstitucionalizaçãoMental healthVoices HearersPsychiatryDeinstitutionalizationA experiência de ouvir vozes: características, sentidos e estratégiasThe experience of hearing voices: characteristics, senses and strategiesinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesishttps://orcid.org/0000-0002-5103-3000http://lattes.cnpq.br/7919666741782841http://lattes.cnpq.br/3260989033020920Kantorski, Luciane PradoCouto, Maria Laura de Oliveirareponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELORIGINALDissertação_Maria Laura de Oliveira Couto.pdfDissertação_Maria Laura de Oliveira Couto.pdfapplication/pdf1129667http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/17168/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o_Maria%20Laura%20de%20Oliveira%20Couto.pdf6cca9f14b7390f52ccec10707b586e2cMD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; 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