Dor lombar em fumicultores do município de São Lourenço do Sul, RS

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Meucci, Rodrigo Dalke
Orientador(a): Fassa, Anaclaudia Gastal
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/12882
Resumo: Introdução O Brasil é o segundo maior produtor e o líder mundial em exportações de fumo. A região sul representa quase a totalidade da produção nacional de tabaco e apenas o estado do Rio Grande do Sul é responsável por 50% desta produção. O trabalho na fumicultura é artesanal e baseado na agricultura familiar, envolvendo cerca de 200 mil famílias. O ciclo de produção prolonga-se durante o ano inteiro e apresenta, nas diferentes etapas da produção, exposição a diversas cargas de trabalho, em especial as fisiológicas. As exposições no trabalho resultam, frequentemente, em problemas ergonômicos como a dor lombar aguda e/ou crônica e as limitações/incapacidades decorrentesA dor lombar aguda acomete a maioria dos indivíduos em algum momento da vida e é definida como uma dor a partir da 12ª costela que se estende até a linha glútea inferior. Cerca de 5 a 10% dos casos persistem por mais de três meses, caracterizando a dor lombar crônica, a qual resulta em elevados custos trabalhistas e previdenciários por afastamentos do trabalho, além de intenso sofrimento aos indivíduos acometidos. Embora a fumicultura na região sul do Brasil empregue centenas de milhares de famílias de agricultores familiares e das cargas de trabalho desta atividade oferecerem riscos para o surgimento de dor lombar e de limitação para o trabalho, não foram encontrados estudos que avaliem estes desfechos entre fumicultores. Objetivos Redigir três artigos científicos, o primeiro para avaliar a prevalência e os fatores associados à limitação para o trabalho por dor lombar entre os fumicultores; o segundo para avaliar a prevalência e os fatores associados à dor lombar crônica (DLC) em fumicultores; e o terceiro, realizar uma revisão sistemática para avaliar a informação existente na literatura sobre a prevalência de DLC em estudos de base populacional. Métodos para os dois primeiros artigos foram utilizadas as informações provenientes de um estudo de delineamento transversal com uma amostra de 2469 fumicultores com dezoito anos ou mais de idade do município de São Lourenço do Sul, RS. A dor lombar foi estabelecida através de uma adaptação do Questionário Nórdico para sintomas musculoesqueléticos. A limitação no trabalho por dor lombar foi estabelecida através da seguinte pergunta feita aos indivíduos que relataram dor lombar: "No último ano você teve que deixar de fazer atividades no trabalho por causa dessa dor na região lombar?". Para o artigo de revisão sistemática, foram buscados a partir de critérios rigorosos de seleção, estudos que avaliassem a prevalência de dor lombar crônica. Resultados Do total de 2469 indivíduos entrevistados, 8,4% relataram DLC, 36,0% relataram dor lombar no último mês (DLM) e 30,8% apresentaram dor lombar aguda. 6,2% dos indivíduos tiveram limitação no trabalho por dor lombar, sendo que entre os indivíduos com DLC esta prevalência foi de 37,6%, enquanto que entre os indivíduos com DLM e DLAguda, a prevalência de limitação foi de 14,4% e 7,8%, respectivamente. As tarefas que os indivíduos mais deixaram de fazer em todos os tipos de dor lombar foram: transportar as folhas, fazer o transplante, empilhar lenha e colher o baixeiro. A idade foi diretamente associada à limitação por DLM, sendo maior o risco para os indivíduos mais velhos (RP 3,34; IC95% 1,73-6,44), enquanto o gasto com IPVA foi inversamente associado. Estar com dificuldade para pagar dívidas (RP 1,55; IC95% 1,06- 2,25) e teste positivo para distúrbios psiquiátricos menores (RP 1,95; IC95% 1,40-2,72) também foram fatores associados à limitação no trabalho por DLM. Entre os fatores associados à DLC, criar duas ou mais espécies de animais (RP 1.65; IC95% 1.14-2.38) e ter maior idade foram fatores de risco para DLC. Fazer muita força (RP 2.00; IC 95%1.43- 2.79), trabalhar em posturas forçadas (RP 1.36; IC 95%1.02-1.82), doença da folha verde (RP 1.63; IC 95%1.18-2.25), intoxicação por agrotóxicos (RP 2.37; IC 95% 1.70-3.32) e distúrbios psiquiátricos menores (RP 2.55; IC 95% 1.88-3.47) também foram associados à DLC.De acordo com os resultados da revisão sistemática de literatura, foram selecionados 28 estudos de base populacional, sendo que em 13 a dor crônica foi definida como dor contínua igual ou superior a 3 meses. Entre os estudos com taxas de resposta acima de 75%, a idade foi a característica que exerceu maior influência sobre a prevalência de DLC, que variou entre 4,2% em estudos com indivíduos com idade de 24- 39 anos a 19,6% naqueles com indivíduos entre 20-59. De oito estudos com indivíduos com idade ≥18/20/21 anos, em seis a prevalência de DLC variou entre 3,9% a 10,2%. Conclusões A dor lombar crônica apresentou elevada prevalência e resultou em limitação para o trabalho, em específico nas tarefas que impõem maior sobrecarga à coluna lombar. São necessários estudos que aprofundem o conhecimento sobre a dor lombar em trabalhadores agrícolas, considerando os seus efeitos agudos e crônicos. Da mesma forma, se faz necessária a padronização dos estudos sobre DLC, em específico sobre a sua localização anatômica e cronicidade. Alternativas, tais como a mecanização da colheita, devem ser discutidas entre trabalhadores, entidades representativas e pesquisadores de forma a melhorar proteger a saúde dos fumicultores. Da mesma forma, profissionais de saúde que atendem trabalhadores da agricultura em geral devem conhecer os fatores de risco e as limitações decorrentes da dor lombar, em específico da DLC neste grupo ocupacional de forma a atuar preventivamente, bem como evitando a cronificação da dor lombar aguda. Além disso, as discussões acerca da diversificação de culturas e do significado de um trabalho agrícola extenuante voltado para a produção de um produto que é fator de risco para inúmeras doenças, devem levar em conta a vulnerabilidade destes trabalhadores, bem como propiciar uma efetiva melhoria das condições do trabalho na agricultura.
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spelling 2024-04-30T12:59:15Z2024-04-292024-04-30T12:59:15Z2014-08-08MEUCCI, Rodrigo Dalke. Dor lombar em fumicultores do município de São Lourenço do Sul, RS. 2014. 195 f. Tese (Doutorado em Epidemiologia) - Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2014.http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/12882Introdução O Brasil é o segundo maior produtor e o líder mundial em exportações de fumo. A região sul representa quase a totalidade da produção nacional de tabaco e apenas o estado do Rio Grande do Sul é responsável por 50% desta produção. O trabalho na fumicultura é artesanal e baseado na agricultura familiar, envolvendo cerca de 200 mil famílias. O ciclo de produção prolonga-se durante o ano inteiro e apresenta, nas diferentes etapas da produção, exposição a diversas cargas de trabalho, em especial as fisiológicas. As exposições no trabalho resultam, frequentemente, em problemas ergonômicos como a dor lombar aguda e/ou crônica e as limitações/incapacidades decorrentesA dor lombar aguda acomete a maioria dos indivíduos em algum momento da vida e é definida como uma dor a partir da 12ª costela que se estende até a linha glútea inferior. Cerca de 5 a 10% dos casos persistem por mais de três meses, caracterizando a dor lombar crônica, a qual resulta em elevados custos trabalhistas e previdenciários por afastamentos do trabalho, além de intenso sofrimento aos indivíduos acometidos. Embora a fumicultura na região sul do Brasil empregue centenas de milhares de famílias de agricultores familiares e das cargas de trabalho desta atividade oferecerem riscos para o surgimento de dor lombar e de limitação para o trabalho, não foram encontrados estudos que avaliem estes desfechos entre fumicultores. Objetivos Redigir três artigos científicos, o primeiro para avaliar a prevalência e os fatores associados à limitação para o trabalho por dor lombar entre os fumicultores; o segundo para avaliar a prevalência e os fatores associados à dor lombar crônica (DLC) em fumicultores; e o terceiro, realizar uma revisão sistemática para avaliar a informação existente na literatura sobre a prevalência de DLC em estudos de base populacional. Métodos para os dois primeiros artigos foram utilizadas as informações provenientes de um estudo de delineamento transversal com uma amostra de 2469 fumicultores com dezoito anos ou mais de idade do município de São Lourenço do Sul, RS. A dor lombar foi estabelecida através de uma adaptação do Questionário Nórdico para sintomas musculoesqueléticos. A limitação no trabalho por dor lombar foi estabelecida através da seguinte pergunta feita aos indivíduos que relataram dor lombar: "No último ano você teve que deixar de fazer atividades no trabalho por causa dessa dor na região lombar?". Para o artigo de revisão sistemática, foram buscados a partir de critérios rigorosos de seleção, estudos que avaliassem a prevalência de dor lombar crônica. Resultados Do total de 2469 indivíduos entrevistados, 8,4% relataram DLC, 36,0% relataram dor lombar no último mês (DLM) e 30,8% apresentaram dor lombar aguda. 6,2% dos indivíduos tiveram limitação no trabalho por dor lombar, sendo que entre os indivíduos com DLC esta prevalência foi de 37,6%, enquanto que entre os indivíduos com DLM e DLAguda, a prevalência de limitação foi de 14,4% e 7,8%, respectivamente. As tarefas que os indivíduos mais deixaram de fazer em todos os tipos de dor lombar foram: transportar as folhas, fazer o transplante, empilhar lenha e colher o baixeiro. A idade foi diretamente associada à limitação por DLM, sendo maior o risco para os indivíduos mais velhos (RP 3,34; IC95% 1,73-6,44), enquanto o gasto com IPVA foi inversamente associado. Estar com dificuldade para pagar dívidas (RP 1,55; IC95% 1,06- 2,25) e teste positivo para distúrbios psiquiátricos menores (RP 1,95; IC95% 1,40-2,72) também foram fatores associados à limitação no trabalho por DLM. Entre os fatores associados à DLC, criar duas ou mais espécies de animais (RP 1.65; IC95% 1.14-2.38) e ter maior idade foram fatores de risco para DLC. Fazer muita força (RP 2.00; IC 95%1.43- 2.79), trabalhar em posturas forçadas (RP 1.36; IC 95%1.02-1.82), doença da folha verde (RP 1.63; IC 95%1.18-2.25), intoxicação por agrotóxicos (RP 2.37; IC 95% 1.70-3.32) e distúrbios psiquiátricos menores (RP 2.55; IC 95% 1.88-3.47) também foram associados à DLC.De acordo com os resultados da revisão sistemática de literatura, foram selecionados 28 estudos de base populacional, sendo que em 13 a dor crônica foi definida como dor contínua igual ou superior a 3 meses. Entre os estudos com taxas de resposta acima de 75%, a idade foi a característica que exerceu maior influência sobre a prevalência de DLC, que variou entre 4,2% em estudos com indivíduos com idade de 24- 39 anos a 19,6% naqueles com indivíduos entre 20-59. De oito estudos com indivíduos com idade ≥18/20/21 anos, em seis a prevalência de DLC variou entre 3,9% a 10,2%. Conclusões A dor lombar crônica apresentou elevada prevalência e resultou em limitação para o trabalho, em específico nas tarefas que impõem maior sobrecarga à coluna lombar. São necessários estudos que aprofundem o conhecimento sobre a dor lombar em trabalhadores agrícolas, considerando os seus efeitos agudos e crônicos. Da mesma forma, se faz necessária a padronização dos estudos sobre DLC, em específico sobre a sua localização anatômica e cronicidade. Alternativas, tais como a mecanização da colheita, devem ser discutidas entre trabalhadores, entidades representativas e pesquisadores de forma a melhorar proteger a saúde dos fumicultores. Da mesma forma, profissionais de saúde que atendem trabalhadores da agricultura em geral devem conhecer os fatores de risco e as limitações decorrentes da dor lombar, em específico da DLC neste grupo ocupacional de forma a atuar preventivamente, bem como evitando a cronificação da dor lombar aguda. Além disso, as discussões acerca da diversificação de culturas e do significado de um trabalho agrícola extenuante voltado para a produção de um produto que é fator de risco para inúmeras doenças, devem levar em conta a vulnerabilidade destes trabalhadores, bem como propiciar uma efetiva melhoria das condições do trabalho na agricultura.Introduction Brazil is the world’s second largest tobacco producer and foremost tobacco exporter. The country’s southern region accounts for almost all national production and the state of Rio Grande do Sul (RS) alone is responsible for 50% of this production. Tobacco production involves labour intensive based on family farming. The production cycle occurs all year round and during the different production stages involves exposure to a variety of workloads, especially those involving physical exertion. This form of exposure at work frequently results in ergonomic problems such as acute and/or chronic low back pain and limitations/disabilities. Acute low back pain afects the majority of individuals at some time in their lives and is defined as pain ocurring between the twelfth rib and the inferior glutal line. Some 5 to 10% of cases last for more than three months, thus characterizing chronic low back pain, and result in high labour and social security costs because of time off work, in addition to the intense suffering of those affected by it. Although tobacco growing in southern Brazil employs hundreds of thousands of family farmers and the workloads of this activity represent risks of low back pain and limitations at work, studies assessing these outcomes in tobacco growers are rare. Objectives To write three scientific articles: the first evaluating the prevalence and factors associated with work limitations owing to low back pain among tobacco growers; the second evaluating the prevalence and factors associated with chronic low back pain (CLBP) among tobacco growers; and the third undertaking a systematic review to analyze information existing in the literature on CLBP prevalence in population-based studies. Methods The first two articles were based on information obtained from a cross-sectional study with a sample of 2469 tobacco growers aged eighteen or over in the municipality of São Lourenço do Sul, RS. Low back pain was determined by using an adapted version of the Nordic Questionnaire on musculoskeletal disorders. Limitations at work because of low back pain were determined by asking those who reported low back pain the following question: "During the last twelve months have you had to stop doing certain activities at work because of pain in the lower region of your back?" The third article (a systematic review) used rigorous selection criteria to find studies evaluating chronic low back pain prevalence. Results 2469 individuals were interviewed. 8.4% reported CLBP, 36.0% reported having had low back pain in the last month (LBPM) and 30.8% had acute low back pain. 6.2% had had limitations at work because of low back pain. There was 37.6% prevalence of these limitations among respondents with CLBP, whilst the prevalence of these limitations among those with LBPM and Acute LBP was 14.4% and 7.8%, respectively. The tasks that the respondents most stopped doing as a result of all these kinds of pain were: carrying tobacco leaves from one place to another, transplanting tobacco plants, stacking firewood and gathering lower leaves. Age was directly associated with LBPM limitations and risk was higher in older individuals (3.34 PR; 95%CI 1.73-6.44), whilst expenditure with Vehicle Tax (IPVA) was inversely associated. Having difficulty in paying debts (1.55 PR; 95%CI 1.06-2.25) and minor psychiatric orders (1.95 PR; 95%CI 1.40-2.72) were also factors associated with limitations at work because of LBPM. Risk factors associated with CLBP included rearing one or more species of animals (1.65 PR; 95%CI 1.14-2.38) and being older. Heavy physical exertion (2.00 PR; 95%CI1.43-2.79), working in awkward positions (1.36 PR; 95%CI 1.02-1.82), green tobacco sickness (1.63 PR; 95%CI 1.18-2.25), pesticide poisoning (2.37 PR; 95%CI 1.70- 3.32) and minor psychiatric disorders (2.55 PR; 95%CI 1.88-3.47) were also associated with CLBP. With regard to the systematic review of the literature, 28 population-based studies were selected, 13 of which defined chronic pain as being continuous pain lasting for three months or more. In the studies with response rates greater than 75%, age was the characteristic that most influenced CLBP prevalence, varying between 4.2% in studies with individuals aged 24-39 and 19.6% in those with individuals aged 20-59. CLBP prevalence varied between 3.9% and 10.2% in six out of eight studies with people aged ≥18/20/21. Conclusions High chronic low back pain prevalence was found and resulted in people having limitations at work, specifically in relation to tasks placing greater strain on the lumbar spine. Further studies are needed to provide more in-depth knowledge about the effects of acute and chronic low back pain in farm workers. Similarly, studies on CLBP need to be standardized, specifically in relation to its anatomical location and chronicity. Alternatives such as harvest mechanization need to be discussed by farm workers, representative organizations and researchers in order to ensure better protection of tobacco workers’ health. Similarly, health professionals providing care to farm workers need to be familiar with risk factors and limitations resulting from low back pain, in particular CLBP, so as to promote its prevention and avoid it becoming chronic. In addition, discussions about crop diversification and the meaning of grueling farm work aimed at producing a product which is a risk factor for countless diseases should take into account the vulnerability of these workers, as well as providing effective improvement in working conditions on farms.porUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em EpidemiologiaUFPelBrasilCC BY-NC-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessCIENCIAS DA SAUDEMEDICINAEPIDEMIOLOGIAFumiculturaDor lombarLimitação para o trabalhoSaúde do trabalhadorSaúde ocupacionalTobacco farmingLow back painWork limitationCccupational healthDor lombar em fumicultores do município de São Lourenço do Sul, RSLow back pain in tobacco growers in the municipality of São Lourenço do Sul, RSinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisFaria, Neice Muller XavierFassa, Anaclaudia GastalMeucci, Rodrigo Dalkereponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELORIGINALTese_Rodrigo Dalke Meucc.pdfTese_Rodrigo Dalke Meucc.pdfapplication/pdf1769642http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/12882/1/Tese_Rodrigo%20Dalke%20Meucc.pdf1af662c8a92fa3e8c70c934e14960e8bMD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81960http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/12882/2/license.txta963c7f783e32dba7010280c7b5ea154MD52open accessTEXTTese_Rodrigo Dalke Meucc.pdf.txtTese_Rodrigo Dalke Meucc.pdf.txtExtracted texttext/plain306806http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/12882/3/Tese_Rodrigo%20Dalke%20Meucc.pdf.txtacc4166d2e565af56d0de9e8069e2b72MD53open accessTHUMBNAILTese_Rodrigo Dalke Meucc.pdf.jpgTese_Rodrigo Dalke Meucc.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1208http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/12882/4/Tese_Rodrigo%20Dalke%20Meucc.pdf.jpg92cddee166a09f1565b15a7906bded86MD54open accessprefix/128822024-05-04 12:10:22.966open accessoai:guaiaca.ufpel.edu.br:prefix/12882TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkkgLSBDb20gYSBhcHJlc2VudGHDp8OjbyBkZXN0YSBsaWNlbsOnYSwgdm9jw6ogKG8ocykgYXV0b3IoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIChSSSkgZGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgUGVsb3RhcyAoVUZQZWwpIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCB0cmFkdXppciAKKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gKGluY2x1aW5kbyBvIHJlc3VtbykgcG9yIHRvZG8gbyBtdW5kbyBubyBmb3JtYXRvIGltcHJlc3NvIAplIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIGZvcm1hdG9zIMOhdWRpbyBvdSB2w61kZW87CgpJSSAtIFZvY8OqIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIFJJIGRhIFVGUGVsIHBvZGUsIHNlbSBhbHRlcmFyIG8gY29udGXDumRvLCB0cmFuc3BvciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gcGFyYSBxdWFscXVlciBtZWlvIG91IGZvcm1hdG8gCnBhcmEgZmlucyBkZSBwcmVzZXJ2YcOnw6NvOwoKSUlJIC0gVm9jw6ogdGFtYsOpbSBjb25jb3JkYSBxdWUgbyBSSSBkYSBVRlBlbCBwb2RlIG1hbnRlciBtYWlzIGRlIHVtYSBjw7NwaWEgZGUgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIGZpbnMgZGUgc2VndXJhbsOnYSwgYmFja3VwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo287CgpJViAtIFZvY8OqIGRlY2xhcmEgcXVlIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyDDqSBvcmlnaW5hbCBlIHF1ZSB2b2PDqiB0ZW0gbyBwb2RlciBkZSBjb25jZWRlciBvcyBkaXJlaXRvcyBjb250aWRvcyBuZXN0YSBsaWNlbsOnYS4gClZvY8OqIHRhbWLDqW0gZGVjbGFyYSBxdWUgbyBkZXDDs3NpdG8gZGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgbsOjbyBpbmZyaW5nZSBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcyAKZGUgbmluZ3XDqW07CgpWIC0gQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBSSSBkYSBVRlBlbCBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhOwoKVkkgLSBDQVNPIEEgUFVCTElDQcOHw4NPIE9SQSBERVBPU0lUQURBIFRFTkhBIFNJRE8gUkVTVUxUQURPIERFIFVNIFBBVFJPQ8ONTklPIE9VIEFQT0lPIERFIFVNQSBBR8OKTkNJQSBERSBGT01FTlRPIE9VCk9VVFJBIE9SR0FOSVpBw4fDg08sIFZPQ8OKIERFQ0xBUkEgUVVFIFJFU1BFSVRPVSBUT0RPUyBFIFFVQUlTUVVFUiBESVJFSVRPUyBERSBSRVZJU8ODTyBDT01PIFRBTULDiU0gQVMgREVNQUlTIE9CUklHQcOHw5VFUyAKRVhJR0lEQVMgUE9SIENPTlRSQVRPIE9VIEFDT1JETzsKClZJSSAtIE8gUkkgZGEgVUZQZWwgc2UgY29tcHJvbWV0ZSBhIGlkZW50aWZpY2FyIGNsYXJhbWVudGUgbyBzZXUgbm9tZSBvdSBvKHMpIG5vbWUocykgZG8ocykgZGV0ZW50b3IoZXMpIGRvcyBkaXJlaXRvcyAKYXV0b3JhaXMgZGEgcHVibGljYcOnw6NvLCBlIG7Do28gZmFyw6EgcXVhbHF1ZXIgYWx0ZXJhw6fDo28sIGFsw6ltIGRhcXVlbGFzIGNvbmNlZGlkYXMgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EuCg==Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.ufpel.edu.br/oai/requestrippel@ufpel.edu.br || repositorio@ufpel.edu.br || aline.batista@ufpel.edu.bropendoar:2024-05-04T15:10:22Repositório Institucional da UFPel - Guaiaca - Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)false
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dc.subject.cnpq2.pt_BR.fl_str_mv EPIDEMIOLOGIA
description Introdução O Brasil é o segundo maior produtor e o líder mundial em exportações de fumo. A região sul representa quase a totalidade da produção nacional de tabaco e apenas o estado do Rio Grande do Sul é responsável por 50% desta produção. O trabalho na fumicultura é artesanal e baseado na agricultura familiar, envolvendo cerca de 200 mil famílias. O ciclo de produção prolonga-se durante o ano inteiro e apresenta, nas diferentes etapas da produção, exposição a diversas cargas de trabalho, em especial as fisiológicas. As exposições no trabalho resultam, frequentemente, em problemas ergonômicos como a dor lombar aguda e/ou crônica e as limitações/incapacidades decorrentesA dor lombar aguda acomete a maioria dos indivíduos em algum momento da vida e é definida como uma dor a partir da 12ª costela que se estende até a linha glútea inferior. Cerca de 5 a 10% dos casos persistem por mais de três meses, caracterizando a dor lombar crônica, a qual resulta em elevados custos trabalhistas e previdenciários por afastamentos do trabalho, além de intenso sofrimento aos indivíduos acometidos. Embora a fumicultura na região sul do Brasil empregue centenas de milhares de famílias de agricultores familiares e das cargas de trabalho desta atividade oferecerem riscos para o surgimento de dor lombar e de limitação para o trabalho, não foram encontrados estudos que avaliem estes desfechos entre fumicultores. Objetivos Redigir três artigos científicos, o primeiro para avaliar a prevalência e os fatores associados à limitação para o trabalho por dor lombar entre os fumicultores; o segundo para avaliar a prevalência e os fatores associados à dor lombar crônica (DLC) em fumicultores; e o terceiro, realizar uma revisão sistemática para avaliar a informação existente na literatura sobre a prevalência de DLC em estudos de base populacional. Métodos para os dois primeiros artigos foram utilizadas as informações provenientes de um estudo de delineamento transversal com uma amostra de 2469 fumicultores com dezoito anos ou mais de idade do município de São Lourenço do Sul, RS. A dor lombar foi estabelecida através de uma adaptação do Questionário Nórdico para sintomas musculoesqueléticos. A limitação no trabalho por dor lombar foi estabelecida através da seguinte pergunta feita aos indivíduos que relataram dor lombar: "No último ano você teve que deixar de fazer atividades no trabalho por causa dessa dor na região lombar?". Para o artigo de revisão sistemática, foram buscados a partir de critérios rigorosos de seleção, estudos que avaliassem a prevalência de dor lombar crônica. Resultados Do total de 2469 indivíduos entrevistados, 8,4% relataram DLC, 36,0% relataram dor lombar no último mês (DLM) e 30,8% apresentaram dor lombar aguda. 6,2% dos indivíduos tiveram limitação no trabalho por dor lombar, sendo que entre os indivíduos com DLC esta prevalência foi de 37,6%, enquanto que entre os indivíduos com DLM e DLAguda, a prevalência de limitação foi de 14,4% e 7,8%, respectivamente. As tarefas que os indivíduos mais deixaram de fazer em todos os tipos de dor lombar foram: transportar as folhas, fazer o transplante, empilhar lenha e colher o baixeiro. A idade foi diretamente associada à limitação por DLM, sendo maior o risco para os indivíduos mais velhos (RP 3,34; IC95% 1,73-6,44), enquanto o gasto com IPVA foi inversamente associado. Estar com dificuldade para pagar dívidas (RP 1,55; IC95% 1,06- 2,25) e teste positivo para distúrbios psiquiátricos menores (RP 1,95; IC95% 1,40-2,72) também foram fatores associados à limitação no trabalho por DLM. Entre os fatores associados à DLC, criar duas ou mais espécies de animais (RP 1.65; IC95% 1.14-2.38) e ter maior idade foram fatores de risco para DLC. Fazer muita força (RP 2.00; IC 95%1.43- 2.79), trabalhar em posturas forçadas (RP 1.36; IC 95%1.02-1.82), doença da folha verde (RP 1.63; IC 95%1.18-2.25), intoxicação por agrotóxicos (RP 2.37; IC 95% 1.70-3.32) e distúrbios psiquiátricos menores (RP 2.55; IC 95% 1.88-3.47) também foram associados à DLC.De acordo com os resultados da revisão sistemática de literatura, foram selecionados 28 estudos de base populacional, sendo que em 13 a dor crônica foi definida como dor contínua igual ou superior a 3 meses. Entre os estudos com taxas de resposta acima de 75%, a idade foi a característica que exerceu maior influência sobre a prevalência de DLC, que variou entre 4,2% em estudos com indivíduos com idade de 24- 39 anos a 19,6% naqueles com indivíduos entre 20-59. De oito estudos com indivíduos com idade ≥18/20/21 anos, em seis a prevalência de DLC variou entre 3,9% a 10,2%. Conclusões A dor lombar crônica apresentou elevada prevalência e resultou em limitação para o trabalho, em específico nas tarefas que impõem maior sobrecarga à coluna lombar. São necessários estudos que aprofundem o conhecimento sobre a dor lombar em trabalhadores agrícolas, considerando os seus efeitos agudos e crônicos. Da mesma forma, se faz necessária a padronização dos estudos sobre DLC, em específico sobre a sua localização anatômica e cronicidade. Alternativas, tais como a mecanização da colheita, devem ser discutidas entre trabalhadores, entidades representativas e pesquisadores de forma a melhorar proteger a saúde dos fumicultores. Da mesma forma, profissionais de saúde que atendem trabalhadores da agricultura em geral devem conhecer os fatores de risco e as limitações decorrentes da dor lombar, em específico da DLC neste grupo ocupacional de forma a atuar preventivamente, bem como evitando a cronificação da dor lombar aguda. Além disso, as discussões acerca da diversificação de culturas e do significado de um trabalho agrícola extenuante voltado para a produção de um produto que é fator de risco para inúmeras doenças, devem levar em conta a vulnerabilidade destes trabalhadores, bem como propiciar uma efetiva melhoria das condições do trabalho na agricultura.
publishDate 2014
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