Sobre a analogia do bem comum em Santo Tomás de Aquino

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Farret, Julian Ritzel
Orientador(a): Strefling, Sérgio Ricardo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/18060
Resumo: Este trabalho se propõe a estudar a analogia do bem comum na obra de Santo Tomás de Aquino. O seu objetivo, assim, é demonstrar, a modo de tese, que, na obra do Aquinate, a noção de bem comum se predica de modo analógico e tem Deus por seu primeiro analogado. Para tanto, a investigação se dedica, em um primeiro momento, a buscar nos textos do próprio Aquinate o que escrevera sobre a analogia, dividindo-os em i) comentários de Santo Tomás a obras de terceiros e em ii) escritos de primeira mão de Santo Tomás, e procurando, na medida do possível, apresentá-los de modo cronológico. Em seguida contextualizamos o problema que se insere no âmbito dos predicáveis e parece mais bem compreendido à luz da doutrina dos universais. Buscamos então nos textos de Santiago Ramirez uma sistematização dos escritos de Santo Tomás, que, a rigor, muito embora faça extenso uso da noção de analogia, não escreveu sobre o tema de modo teórico e geral. A partir disso, passamos a buscar, novamente nos escritos de Tomás de Aquino, tudo o que escrevera sobre o bem comum, dividindo seus textos em dois grupos: i) o bem comum do ponto de vista metafísico e ii) o bem comum político. Dentro do primeiro grupo identificamos textos que cuidam de i) Deus como bem comum, ii) o bem comum do universo, iii) o bem comum da criatura intelectual ou racional, iv) o bem comum do anjo e v) o bem comum do homem. Munidos, então, desse arcabouço teórico podemos conjugar os escritos de Santo Tomás sobre a analogia e sobre o bem comum para afirmar a predicação analógica do bem comum. Para tanto, abordamos a tradicional doutrina da analogia do ente, passando pela coextensibilidade entre o ente o bem (sua propriedade transcendental), o que explicará a analogia do bem. A partir disso, e amparados nos escritos de Félix Lamas, apresentamos o que parece ser a distinção entre bem e bem comum, ou seja, o fato de esse último constituir a perfeição de um todo composto por partes subjetivas e, nessa qualidade, por elas participável. Consectário disso, o bem comum, enquanto atua como princípio de finalidade, produz uma verdadeira ordem do amor. Relacionamos, assim, as principais teses tomistas sobre o bem comum e explicamos, a partir delas, os elementos que constituem a analogia do bem comum: a relação causal entre os muitos bens, sua semelhança e distinção. Identificamos, por fim, como se relacionam os muitos bens comuns e que relação existe entre o conceito de bem comum e de fim último.
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Em seguida contextualizamos o problema que se insere no âmbito dos predicáveis e parece mais bem compreendido à luz da doutrina dos universais. Buscamos então nos textos de Santiago Ramirez uma sistematização dos escritos de Santo Tomás, que, a rigor, muito embora faça extenso uso da noção de analogia, não escreveu sobre o tema de modo teórico e geral. A partir disso, passamos a buscar, novamente nos escritos de Tomás de Aquino, tudo o que escrevera sobre o bem comum, dividindo seus textos em dois grupos: i) o bem comum do ponto de vista metafísico e ii) o bem comum político. Dentro do primeiro grupo identificamos textos que cuidam de i) Deus como bem comum, ii) o bem comum do universo, iii) o bem comum da criatura intelectual ou racional, iv) o bem comum do anjo e v) o bem comum do homem. Munidos, então, desse arcabouço teórico podemos conjugar os escritos de Santo Tomás sobre a analogia e sobre o bem comum para afirmar a predicação analógica do bem comum. Para tanto, abordamos a tradicional doutrina da analogia do ente, passando pela coextensibilidade entre o ente o bem (sua propriedade transcendental), o que explicará a analogia do bem. A partir disso, e amparados nos escritos de Félix Lamas, apresentamos o que parece ser a distinção entre bem e bem comum, ou seja, o fato de esse último constituir a perfeição de um todo composto por partes subjetivas e, nessa qualidade, por elas participável. Consectário disso, o bem comum, enquanto atua como princípio de finalidade, produz uma verdadeira ordem do amor. Relacionamos, assim, as principais teses tomistas sobre o bem comum e explicamos, a partir delas, os elementos que constituem a analogia do bem comum: a relação causal entre os muitos bens, sua semelhança e distinção. Identificamos, por fim, como se relacionam os muitos bens comuns e que relação existe entre o conceito de bem comum e de fim último.This work aims to study the analogy of the common good in the writings of Saint Thomas Aquinas. Its objective is to demonstrate, as a thesis, that in Aquinas's work, the notion of the common good is predicated analogically and that God is its primary analogate. To achieve this, the investigation first focuses on examining Aquinas's own texts on analogy, dividing them into i) Aquinas's commentaries on the works of others and ii) Aquinas's original writings, attempting, as much as possible, to present them chronologically. We then contextualize the problem within the scope of predicables, which seems better understood considering the doctrine of universals. Subsequently, we seek in the texts of Santiago Ramirez a systematization of Aquinas's writings, noting that although Aquinas extensively employs the notion of analogy, he did not write about the topic in a theoretical and general manner. From there, we explore, once again in the writings of Thomas Aquinas, everything he wrote about the common good, dividing his texts into two groups: i) the common good from a metaphysical perspective and ii) the political common good. Within the first group, we identify texts that address i) God as the common good, ii) the common good of the universe, iii) the common good of the intellectual or rational creature, iv) the common good of angels, and v) the common good of humans. Armed with this theoretical framework, we can then combine Aquinas's writings on analogy and the common good to assert the analogical predication of the common good. To this end, we address the traditional doctrine of the analogy of being, discussing the coextensibility between being and good (its transcendental property), which will explain the analogy of the good. Based on this, and supported by the writings of Félix Lamas, we present what appears to be the distinction between good and common good, that is, the fact that the common good constitutes the perfection of a whole composed of subjective parts and, as such, participable by them. Consequently, the common good, while acting as a principle of finality, produces a true order of love. We then relate the main Thomistic theses on the common good and explain, based on them, the elements that constitute the analogy of the common good: the causal relationship between the many goods, their similarity, and distinction. Finally, we identify how the many common goods relate to each other and what relationship exists between the concept of the common good and the last end.porUniversidade Federal de PelotasPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaUFPelBrasilCC BY-NC-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessCIENCIAS HUMANASFILOSOFIAAnalogiaBem comumTomás de AquinoAnalogyCommon goodThomas AquinasSobre a analogia do bem comum em Santo Tomás de Aquinoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesishttp://lattes.cnpq.br/3190046202752029http://lattes.cnpq.br/5956718110743667Strefling, Sérgio RicardoFarret, Julian Ritzelreponame:Repositório Institucional da UFPel - Guaiacainstname:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)instacron:UFPELORIGINALJulian_Farret_Tese.pdfJulian_Farret_Tese.pdfapplication/pdf5935828http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/18060/1/Julian_Farret_Tese.pdff5fa80bae666c049f788037f76e4f39aMD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81960http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/18060/2/license.txta963c7f783e32dba7010280c7b5ea154MD52open accessTEXTJulian_Farret_Tese.pdf.txtJulian_Farret_Tese.pdf.txtExtracted texttext/plain606107http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/18060/3/Julian_Farret_Tese.pdf.txt47ff2610cbd9308b07316132939f2602MD53open accessTHUMBNAILJulian_Farret_Tese.pdf.jpgJulian_Farret_Tese.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1303http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/bitstream/prefix/18060/4/Julian_Farret_Tese.pdf.jpg29eb5b09ce9d6b2a14ae736f161a112dMD54open accessprefix/180602025-10-15 03:06:01.573open accessoai:guaiaca.ufpel.edu.br:prefix/18060TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkkgLSBDb20gYSBhcHJlc2VudGHDp8OjbyBkZXN0YSBsaWNlbsOnYSwgdm9jw6ogKG8ocykgYXV0b3IoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIChSSSkgZGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgUGVsb3RhcyAoVUZQZWwpIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCB0cmFkdXppciAKKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gKGluY2x1aW5kbyBvIHJlc3VtbykgcG9yIHRvZG8gbyBtdW5kbyBubyBmb3JtYXRvIGltcHJlc3NvIAplIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIGZvcm1hdG9zIMOhdWRpbyBvdSB2w61kZW87CgpJSSAtIFZvY8OqIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIFJJIGRhIFVGUGVsIHBvZGUsIHNlbSBhbHRlcmFyIG8gY29udGXDumRvLCB0cmFuc3BvciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gcGFyYSBxdWFscXVlciBtZWlvIG91IGZvcm1hdG8gCnBhcmEgZmlucyBkZSBwcmVzZXJ2YcOnw6NvOwoKSUlJIC0gVm9jw6ogdGFtYsOpbSBjb25jb3JkYSBxdWUgbyBSSSBkYSBVRlBlbCBwb2RlIG1hbnRlciBtYWlzIGRlIHVtYSBjw7NwaWEgZGUgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIGZpbnMgZGUgc2VndXJhbsOnYSwgYmFja3VwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo287CgpJViAtIFZvY8OqIGRlY2xhcmEgcXVlIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyDDqSBvcmlnaW5hbCBlIHF1ZSB2b2PDqiB0ZW0gbyBwb2RlciBkZSBjb25jZWRlciBvcyBkaXJlaXRvcyBjb250aWRvcyBuZXN0YSBsaWNlbsOnYS4gClZvY8OqIHRhbWLDqW0gZGVjbGFyYSBxdWUgbyBkZXDDs3NpdG8gZGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgbsOjbyBpbmZyaW5nZSBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcyAKZGUgbmluZ3XDqW07CgpWIC0gQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBSSSBkYSBVRlBlbCBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhOwoKVkkgLSBDQVNPIEEgUFVCTElDQcOHw4NPIE9SQSBERVBPU0lUQURBIFRFTkhBIFNJRE8gUkVTVUxUQURPIERFIFVNIFBBVFJPQ8ONTklPIE9VIEFQT0lPIERFIFVNQSBBR8OKTkNJQSBERSBGT01FTlRPIE9VCk9VVFJBIE9SR0FOSVpBw4fDg08sIFZPQ8OKIERFQ0xBUkEgUVVFIFJFU1BFSVRPVSBUT0RPUyBFIFFVQUlTUVVFUiBESVJFSVRPUyBERSBSRVZJU8ODTyBDT01PIFRBTULDiU0gQVMgREVNQUlTIE9CUklHQcOHw5VFUyAKRVhJR0lEQVMgUE9SIENPTlRSQVRPIE9VIEFDT1JETzsKClZJSSAtIE8gUkkgZGEgVUZQZWwgc2UgY29tcHJvbWV0ZSBhIGlkZW50aWZpY2FyIGNsYXJhbWVudGUgbyBzZXUgbm9tZSBvdSBvKHMpIG5vbWUocykgZG8ocykgZGV0ZW50b3IoZXMpIGRvcyBkaXJlaXRvcyAKYXV0b3JhaXMgZGEgcHVibGljYcOnw6NvLCBlIG7Do28gZmFyw6EgcXVhbHF1ZXIgYWx0ZXJhw6fDo28sIGFsw6ltIGRhcXVlbGFzIGNvbmNlZGlkYXMgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EuCg==Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.ufpel.edu.br/oai/requestrippel@ufpel.edu.br || repositorio@ufpel.edu.br || aline.batista@ufpel.edu.bropendoar:2025-10-15T06:06:01Repositório Institucional da UFPel - Guaiaca - Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)false
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