Impacto das cirurgias filtrantes na qualidade de vida de crianças com glaucoma congênito primário
| Ano de defesa: | 2020 |
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Resumo: | O adoecimento do ponto de vista psicológico é interpretado como um fenômeno inesperado que causa reações psicológicas na pessoa acometida e pode impactar também em sua dinâmica familiar, como ocorre no glaucoma congênito primário (CGP). Na população pediátrica há poucos estudos demonstrando o impacto desta condição sobre a qualidade de vida (QV) das crianças e seus respectivos familiares. Objetivo: Avaliar o impacto das cirurgias filtrantes e indicadores psicossociais que influenciam a QV de crianças com GCP e suas famílias. Métodos: Foram incluídos pais/responsáveis de crianças com diagnóstico de GCP bilateral, submetidas à intervenção cirúrgica filtrante (trabeculectomia e/ou implante de drenagem) em ao menos um dos olhos. Foram coletados os dados sociodemográficos sobre a criança e os pais/responsáveis e os dados clínicos oculares. Para mensuração da QV os participantes foram entrevistados individualmente antes da intervenção cirúrgica filtrante e após 6 meses da data da primeira cirurgia indicada, sendo aplicados 2 questionários: a) questionário pediátrico sobre qualidade de vida (Pediatric Quality of Life InventoryTM - PedsQL); b) Questionário de função visual infantil (QFVI). O PedsQL incluiu quatro domínios (funcionamento físico, emocional, social e escolar), enquanto o QFVI incluiu seis domínios (saúde geral, saúde geral da visão, competência, personalidade, impacto familiar e tratamento). Para ambos os instrumentos houve cinco possibilidades de resposta, organizadas em escala do tipo Likert, às quais foram atribuídas pontuação de zero a 100 pontos em intervalo de 25 pontos, onde zero representa a pior e 100, a melhor situação. A partir da média aritmética das questões foram calculados os escores para os domínios estudados. As entrevistas psicológicas foram semiestruturadas, aplicadas antes da cirurgia e gravadas em áudio para posterior análise, utilizando-se a técnica de sistematização e categorização de conteúdo para determinação de indicadores. Os escores globais de QV foram comparados nas entrevistas inicial e final, e a correlação entre os resultados colhidos após a cirurgia filtrante e a acuidade visual no olho de melhor visão (AV), o número de cirurgias e o número de colírios utilizados também foi analisada. A consistência interna das respostas para os questionários foi medida pelo coeficiente alfa de Cronbach e a correlação entre os instrumentos também foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse. Resultados: Participaram deste estudo as mães de 9 crianças com GCP, sendo 6 do sexo masculino (70%). A idade média das crianças na entrevista inicial variou de 7,5 a 56,5 meses (média=28,1 ± 17,9 meses) e a AV foi em média 0,84 ± 0,53 logMAR (0,27 a 1,89 logMAR). As crianças foram submetidas em média à 7 ± 2 intervenções cirúrgicas e na entrevista inicial, 89% dos participantes utilizava colírios hipotensores, enquanto que na entrevista final 44% deles haviam recebido suspensão dos colírios, sendo observado o uso concomitante de até 3 drogas hipotensoras. A tabela a seguir apresenta os resultados dos escores (média ± desvio padrão) de QV calculados para os questionários e suas respectivas consistências internas (α). Entrevista inicial Entrevista final Instrumento Média DP α Média DP α QFVI 65,75 9,14 0,61 65,18 9,42 0,60 PedsQL 73,67 10,88 0,99 74,63 9,38 0,80 Entretanto não houve diferença estatisticamente significante entre os escores de QV calculados nas entrevistas inicial e final. Melhores resultados de AV foram significantemente associados à maiores escores de QV apenas para o QVFI (Pearson; r=-0,79; p=0,01). Não foi observada associação significante entre o número de cirurgias e o número de colírios utilizados e a qualidade de vida medida pelo QFVI e pelo PedsQL. O coeficiente de correlação intraclasse mostrou excelente concordância entre os instrumentos na entrevista inicial (ICC=0,91 95% CI:0,32-0,99; p=0,019), porém não foi observado na entrevista final. Os principais indicadores levantados nas entrevistas psicológicas foram: a) impacto emocional do diagnóstico; b) conhecimento sobre a doença; c) sentimentos vivenciados no enfrentamento do tratamento cirúrgico; d) compreensão xiv sobre o resultado cirúrgico; e) adesão ao tratamento; f) reações emocionais e comportamentais da criança; g) suporte social; h) expectativas futuras. Conclusões: As cirurgias filtrantes impactaram negativamente na QV de crianças com GCP. Os escores de QV obtidos por meio do PedsQL e do QFVI no pré e pós-operatório de cirurgias filtrantes foram comparáveis. Os indicadores psicossociais identificados devem ser considerados nas práticas de cuidado e assistência à saúde, possibilitando a elaboração de ações adequadas no tratamento e acompanhamento psicológico de crianças com GCP e suas famílias. |
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Mestrado profissionalhttp://lattes.cnpq.br/4461273783831450http://lattes.cnpq.br/0768359963029007Silva, Andrea Oliveira da [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/5130244438381200Universidade Federal de São PauloFerraz, Nivea Nunes [UNIFESP]Rolim de Moura, Christiane ReginaSão Paulo2022-07-21T16:48:08Z2022-07-21T16:48:08Z2020-04-30O adoecimento do ponto de vista psicológico é interpretado como um fenômeno inesperado que causa reações psicológicas na pessoa acometida e pode impactar também em sua dinâmica familiar, como ocorre no glaucoma congênito primário (CGP). Na população pediátrica há poucos estudos demonstrando o impacto desta condição sobre a qualidade de vida (QV) das crianças e seus respectivos familiares. Objetivo: Avaliar o impacto das cirurgias filtrantes e indicadores psicossociais que influenciam a QV de crianças com GCP e suas famílias. Métodos: Foram incluídos pais/responsáveis de crianças com diagnóstico de GCP bilateral, submetidas à intervenção cirúrgica filtrante (trabeculectomia e/ou implante de drenagem) em ao menos um dos olhos. Foram coletados os dados sociodemográficos sobre a criança e os pais/responsáveis e os dados clínicos oculares. Para mensuração da QV os participantes foram entrevistados individualmente antes da intervenção cirúrgica filtrante e após 6 meses da data da primeira cirurgia indicada, sendo aplicados 2 questionários: a) questionário pediátrico sobre qualidade de vida (Pediatric Quality of Life InventoryTM - PedsQL); b) Questionário de função visual infantil (QFVI). O PedsQL incluiu quatro domínios (funcionamento físico, emocional, social e escolar), enquanto o QFVI incluiu seis domínios (saúde geral, saúde geral da visão, competência, personalidade, impacto familiar e tratamento). Para ambos os instrumentos houve cinco possibilidades de resposta, organizadas em escala do tipo Likert, às quais foram atribuídas pontuação de zero a 100 pontos em intervalo de 25 pontos, onde zero representa a pior e 100, a melhor situação. A partir da média aritmética das questões foram calculados os escores para os domínios estudados. As entrevistas psicológicas foram semiestruturadas, aplicadas antes da cirurgia e gravadas em áudio para posterior análise, utilizando-se a técnica de sistematização e categorização de conteúdo para determinação de indicadores. Os escores globais de QV foram comparados nas entrevistas inicial e final, e a correlação entre os resultados colhidos após a cirurgia filtrante e a acuidade visual no olho de melhor visão (AV), o número de cirurgias e o número de colírios utilizados também foi analisada. A consistência interna das respostas para os questionários foi medida pelo coeficiente alfa de Cronbach e a correlação entre os instrumentos também foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse. Resultados: Participaram deste estudo as mães de 9 crianças com GCP, sendo 6 do sexo masculino (70%). A idade média das crianças na entrevista inicial variou de 7,5 a 56,5 meses (média=28,1 ± 17,9 meses) e a AV foi em média 0,84 ± 0,53 logMAR (0,27 a 1,89 logMAR). As crianças foram submetidas em média à 7 ± 2 intervenções cirúrgicas e na entrevista inicial, 89% dos participantes utilizava colírios hipotensores, enquanto que na entrevista final 44% deles haviam recebido suspensão dos colírios, sendo observado o uso concomitante de até 3 drogas hipotensoras. A tabela a seguir apresenta os resultados dos escores (média ± desvio padrão) de QV calculados para os questionários e suas respectivas consistências internas (α). Entrevista inicial Entrevista final Instrumento Média DP α Média DP α QFVI 65,75 9,14 0,61 65,18 9,42 0,60 PedsQL 73,67 10,88 0,99 74,63 9,38 0,80 Entretanto não houve diferença estatisticamente significante entre os escores de QV calculados nas entrevistas inicial e final. Melhores resultados de AV foram significantemente associados à maiores escores de QV apenas para o QVFI (Pearson; r=-0,79; p=0,01). Não foi observada associação significante entre o número de cirurgias e o número de colírios utilizados e a qualidade de vida medida pelo QFVI e pelo PedsQL. O coeficiente de correlação intraclasse mostrou excelente concordância entre os instrumentos na entrevista inicial (ICC=0,91 95% CI:0,32-0,99; p=0,019), porém não foi observado na entrevista final. Os principais indicadores levantados nas entrevistas psicológicas foram: a) impacto emocional do diagnóstico; b) conhecimento sobre a doença; c) sentimentos vivenciados no enfrentamento do tratamento cirúrgico; d) compreensão xiv sobre o resultado cirúrgico; e) adesão ao tratamento; f) reações emocionais e comportamentais da criança; g) suporte social; h) expectativas futuras. Conclusões: As cirurgias filtrantes impactaram negativamente na QV de crianças com GCP. Os escores de QV obtidos por meio do PedsQL e do QFVI no pré e pós-operatório de cirurgias filtrantes foram comparáveis. Os indicadores psicossociais identificados devem ser considerados nas práticas de cuidado e assistência à saúde, possibilitando a elaboração de ações adequadas no tratamento e acompanhamento psicológico de crianças com GCP e suas famílias.O adoecimento do ponto de vista psicológico é interpretado como um fenômeno inesperado que causa reações psicológicas na pessoa acometida e pode impactar também em sua dinâmica familiar, como ocorre no glaucoma congênito primário (CGP). Na população pediátrica há poucos estudos demonstrando o impacto desta condição sobre a qualidade de vida (QV) das crianças e seus respectivos familiares. Objetivo: Avaliar o impacto das cirurgias filtrantes e indicadores psicossociais que influenciam a QV de crianças com GCP e suas famílias. Métodos: Foram incluídos pais/responsáveis de crianças com diagnóstico de GCP bilateral, submetidas à intervenção cirúrgica filtrante (trabeculectomia e/ou implante de drenagem) em ao menos um dos olhos. Foram coletados os dados sociodemográficos sobre a criança e os pais/responsáveis e os dados clínicos oculares. Para mensuração da QV os participantes foram entrevistados individualmente antes da intervenção cirúrgica filtrante e após 6 meses da data da primeira cirurgia indicada, sendo aplicados 2 questionários: a) questionário pediátrico sobre qualidade de vida (Pediatric Quality of Life InventoryTM - PedsQL); b) Questionário de função visual infantil (QFVI). O PedsQL incluiu quatro domínios (funcionamento físico, emocional, social e escolar), enquanto o QFVI incluiu seis domínios (saúde geral, saúde geral da visão, competência, personalidade, impacto familiar e tratamento). Para ambos os instrumentos houve cinco possibilidades de resposta, organizadas em escala do tipo Likert, às quais foram atribuídas pontuação de zero a 100 pontos em intervalo de 25 pontos, onde zero representa a pior e 100, a melhor situação. A partir da média aritmética das questões foram calculados os escores para os domínios estudados. As entrevistas psicológicas foram semiestruturadas, aplicadas antes da cirurgia e gravadas em áudio para posterior análise, utilizando-se a técnica de sistematização e categorização de conteúdo para determinação de indicadores. Os escores globais de QV foram comparados nas entrevistas inicial e final, e a correlação entre os resultados colhidos após a cirurgia filtrante e a acuidade visual no olho de melhor visão (AV), o número de cirurgias e o número de colírios utilizados também foi analisada. A consistência interna das respostas para os questionários foi medida pelo coeficiente alfa de Cronbach e a correlação entre os instrumentos também foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse. Resultados: Participaram deste estudo as mães de 9 crianças com GCP, sendo 6 do sexo masculino (70%). A idade média das crianças na entrevista inicial variou de 7,5 a 56,5 meses (média=28,1 ± 17,9 meses) e a AV foi em média 0,84 ± 0,53 logMAR (0,27 a 1,89 logMAR). As crianças foram submetidas em média à 7 ± 2 intervenções cirúrgicas e na entrevista inicial, 89% dos participantes utilizava colírios hipotensores, enquanto que na entrevista final 44% deles haviam recebido suspensão dos colírios, sendo observado o uso concomitante de até 3 drogas hipotensoras. A tabela a seguir apresenta os resultados dos escores (média ± desvio padrão) de QV calculados para os questionários e suas respectivas consistências internas (α). Entrevista inicial Entrevista final Instrumento Média DP α Média DP α QFVI 65,75 9,14 0,61 65,18 9,42 0,60 PedsQL 73,67 10,88 0,99 74,63 9,38 0,80 Entretanto não houve diferença estatisticamente significante entre os escores de QV calculados nas entrevistas inicial e final. Melhores resultados de AV foram significantemente associados à maiores escores de QV apenas para o QVFI (Pearson; r=-0,79; p=0,01). Não foi observada associação significante entre o número de cirurgias e o número de colírios utilizados e a qualidade de vida medida pelo QFVI e pelo PedsQL. O coeficiente de correlação intraclasse mostrou excelente concordância entre os instrumentos na entrevista inicial (ICC=0,91 95% CI:0,32-0,99; p=0,019), porém não foi observado na entrevista final. Os principais indicadores levantados nas entrevistas psicológicas foram: a) impacto emocional do diagnóstico; b) conhecimento sobre a doença; c) sentimentos vivenciados no enfrentamento do tratamento cirúrgico; d) compreensão xiv sobre o resultado cirúrgico; e) adesão ao tratamento; f) reações emocionais e comportamentais da criança; g) suporte social; h) expectativas futuras. Conclusões: As cirurgias filtrantes impactaram negativamente na QV de crianças com GCP. 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São Paulo, 2019.Andrea Oliveira da Silva-A.pdfhttps://hdl.handle.net/11600/64546https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9114464ark:/48912/001300002mkr1porUniversidade Federal de São Paulo (UNIFESP)info:eu-repo/semantics/openAccessQualidade De VidaIntervenção CirúrgicaGlaucomaCriançaImpacto das cirurgias filtrantes na qualidade de vida de crianças com glaucoma congênito primárioImpact of filtering surgeries on the quality of life of children with primary congenital glaucoma.info:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESPSão Paulo, Escola Paulista de Medicina (EPM)Tecnologia, Gestão e Saúde OcularGestão, Telemedicina, Patentes E Reabilitação VisualPrevenção E Reabilitação Da Deficiência VisualORIGINALAndrea Oliveira da Silva-A.pdfapplication/pdf790966https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/8d56a669-f924-4415-9d16-760216f61d1d/download6c14122de42650b2c052a247f5695101MD51TEXTAndrea Oliveira da Silva-A.pdf.txtAndrea Oliveira da Silva-A.pdf.txtExtracted texttext/plain116648https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/c1baa16b-c741-452d-92c4-6e37cdc71e33/download42a56d35b0ec7b7bcec71c15b19974feMD54THUMBNAILAndrea Oliveira da Silva-A.pdf.jpgAndrea Oliveira da Silva-A.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg2889https://repositorio.unifesp.br/bitstreams/f730ccbc-2ad4-4d51-9eae-003fea0e8fec/download96e4070858da25779dd5ff8b03b6e246MD5511600/645462024-07-27 02:21:47.02oai:repositorio.unifesp.br:11600/64546https://repositorio.unifesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652024-07-27T02:21:47Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false |
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