A virada decolonial da curadoria da Bienal de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Fernandes, Laerte Matias [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/0013000021t9p
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/75095
Resumo: Esta dissertação investiga a virada decolonial na curadoria da Bienal de São Paulo, a segunda bienal mais antiga do mundo, situada em um contexto mais amplo de transformação decolonial na arte brasileira contemporânea. Este movimento pode ser caracterizado pelo aumento da presença de artistas e agentes culturais pertencentes a grupos historicamente marginalizados — como negros, indígenas, mulheres e pessoas dissidentes de gênero — que provocam uma transformação radical ao articular críticas ao poder colonialista e imperialista em suas produções artísticas. Suas poéticas incorporam elementos simbólicos relacionados à raça, religião, territorialidade, gênero, etnia, classe, nacionalidade, direitos culturais, direitos humanos e ecologia, de maneira inédita. Essas mudanças, cujas raízes remontam aos movimentos identitários e à resistência dos sujeitos subalternizados desde o período colonial, também se refletem nos processos curatoriais da Bienal de São Paulo. Para realizar o estudo do discurso curatorial presente na Bienal e sua virada decolonial, utilizar-se-á uma análise histórica das curadorias da Bienal de São Paulo e seus discursos, trazendo à luz uma seleção que, esperamos, possa apresentar um panorama da curadoria da Bienal, bem como suas transformações, avanços e percalços, que culminaram com a crescente presença, não apenas na curadoria, mas entre artistas e obras, de um debate que se relaciona aos estudos decoloniais. Admitindo que a presença do discurso decolonial se acentua de forma exponencial nas duas primeiras edições da década de 2020, nossa investigação se aprofundará naquilo que foi apresentado enquanto discurso curatorial pela 34ª e 35ª edições da Bienal, algumas das situações que contribuíram para a configuração dessas propostas curatoriais e o olhar para algumas das obras que compuseram as mostras. Para tanto se faz imperativo a adoção de uma atitude decolonial, uma outra forma de encarar e analisar a produção artística dos artistas compreendidos dentro desse universo, amparada e embasada em premissas oriundas da discussão decolonial, bem como por uma bibliografia também decolonial, que valoriza a produção intelectual periférica e descentralizada, que busca outros olhares sobre os mesmos temas e por fim busca um estado constante de questionamento para além de definições.
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Essas mudanças, cujas raízes remontam aos movimentos identitários e à resistência dos sujeitos subalternizados desde o período colonial, também se refletem nos processos curatoriais da Bienal de São Paulo. Para realizar o estudo do discurso curatorial presente na Bienal e sua virada decolonial, utilizar-se-á uma análise histórica das curadorias da Bienal de São Paulo e seus discursos, trazendo à luz uma seleção que, esperamos, possa apresentar um panorama da curadoria da Bienal, bem como suas transformações, avanços e percalços, que culminaram com a crescente presença, não apenas na curadoria, mas entre artistas e obras, de um debate que se relaciona aos estudos decoloniais. Admitindo que a presença do discurso decolonial se acentua de forma exponencial nas duas primeiras edições da década de 2020, nossa investigação se aprofundará naquilo que foi apresentado enquanto discurso curatorial pela 34ª e 35ª edições da Bienal, algumas das situações que contribuíram para a configuração dessas propostas curatoriais e o olhar para algumas das obras que compuseram as mostras. Para tanto se faz imperativo a adoção de uma atitude decolonial, uma outra forma de encarar e analisar a produção artística dos artistas compreendidos dentro desse universo, amparada e embasada em premissas oriundas da discussão decolonial, bem como por uma bibliografia também decolonial, que valoriza a produção intelectual periférica e descentralizada, que busca outros olhares sobre os mesmos temas e por fim busca um estado constante de questionamento para além de definições.This dissertation investigates the decolonial turn in the curatorial practice of the São Paulo Biennial, the world’s second oldest biennial, situated within a broader context of decolonial transformation in contemporary Brazilian art. This movement is characterized by the increased presence of artists and cultural agents from historically marginalized groups—such as Black, Indigenous, female, and non-binary individuals—who provoke a radical transformation by articulating critiques of colonial and imperial power within their artistic productions. Their poetics incorporate symbolic elements related to race, religion, territoriality, gender, ethnicity, class, nationality, cultural rights, human rights, and ecology in unprecedented ways. These changes, whose roots can be traced back to identity movements and to the resistance of subalternized subjects since the colonial period, are also reflected in the curatorial processes of the São Paulo Biennial. To study the curatorial discourse present in the Biennial and its decolonial turn, this research employs a historical analysis of the São Paulo Biennial’s curatorships and their accompanying discourses, shedding light on a selection that, it is hoped, will offer a comprehensive overview of the Biennial’s curatorial practices, including its transformations, advances, and setbacks. These culminate in the growing presence—not only within curatorial teams but also among artists and artworks—of a debate closely related to decolonial studies. Assuming that the prominence of decolonial discourse intensifies exponentially in the first two editions of the 2020s, the investigation will focus in depth on the curatorial discourse presented in the 34th and 35th editions of the Biennial, examining some of the circumstances that contributed to the configuration of these curatorial proposals as well as an analysis of selected works featured in the exhibitions. For this purpose, it is imperative to adopt a decolonial attitude: an alternative approach to examining and interpreting the artistic production of creators within this field, grounded in premises derived from decolonial theory, and supported by a decolonial bibliography that values peripheral and decentralized intellectual production, seeks diverse perspectives on the same themes, and ultimately pursues a perpetual state of critical questioning beyond fixed definitions.Não recebi financiamentoUniversidade Federal de São PauloSpricigo, Vinicius Pontes [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/2318951789938391http://lattes.cnpq.br/7807906096752073Fernandes, Laerte Matias [UNIFESP]2025-09-26T18:35:59Z2025-08-26info:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion207 f.application/pdfFERNANDES, Laerte Matias. A virada decolonial da curadoria da Bienal de São Paulo. 2025. 207 f. Dissertação (Mestrado em História da Arte) - Universidade Federal de São Paulo, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Guarulhos, 2025.https://hdl.handle.net/11600/75095ark:/48912/0013000021t9pporGuarulhos, SPinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESP2025-09-30T19:47:03Zoai:repositorio.unifesp.br:11600/75095Repositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-09-30T19:47:03Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false
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